Confirmação de gripe aviária em granja comercial leva à suspensão das exportações e pressiona o mercado interno de carnes.
Fonte: Bela Magrela
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou, em 15 de maio, a detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em matrizeiro de aves comerciais. O caso foi registrado no município de Montenegro-RS.
Em 2024, o Rio Grande do Sul foi o terceiro produtor de carne de frango e o terceiro exportador da proteína do país.
Em 2025, o cenário para o mercado da proteína vinha bastante favorável, com alta demanda mundial impulsionada pela redução de oferta em países afetados pela gripe aviária. No acumulado do primeiro quadrimestre, o Brasil exportou 9,3% mais em volume que em igual período de 2024 (ano recorde da exportação). O volume exportado até a terceira semana de maio totalizou 222,8 mil toneladas de carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas. A média diária embarcada está 0,2% maior que a média embarcada por dia em maio de 2024.
Com o registro do caso no país, houve a suspensão da exportação. Até o momento, as suspensões estão distribuídas da seguinte forma:
Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka e Paquistão.
Suspensão para o estado do Rio Grande do Sul: Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia. A Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão decidiram retirar a suspensão do país todo e reduziram a restrição geográfica para o estado do Rio Grande do Sul.
Suspensão para o município de Montenegro (RS): Emirados Árabes Unidos e Japão.
A suspensão total e temporária das exportações tende a provocar, no curto prazo, aumento na oferta doméstica de carne de frango, com redirecionamento da produção ao mercado interno. Esse movimento pressiona negativamente os preços e afeta a competitividade da carne de frango frente a outras proteínas.
Desde o comunicado, os preços nas granjas paulistas apresentaram queda de 6,2%, com a ave terminada cotada, em média, em R$6,10/kg.
No mercado atacadista, o recuo no período foi de 4,9%, com o frango médio sendo comercializado, em média, em R$7,70/kg.
O setor está apreensivo com o que vem pela frente, mas os compradores aproveitam o contexto para segurar pedidos e especular mais.
Além da avicultura, o impacto pode se estender para os mercados de carne suína e bovina, bem como à cadeia de insumos.
O desfecho da situação dependerá da contenção de novos focos da doença e do sucesso nas negociações para regionalização dos embargos com os principais parceiros comerciais. Seguimos acompanhando.
Figura 1.
Preços médios mensais pagos pelo frango vivo, em R$/kg.
*até 22/5 Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br
Figura 2.
Relação de troca: quilo de milho por quilo de frango vivo vendido, em São Paulo.
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Tabela 1.
Preço médio diário do frango na granja e da carcaça no atacado, em R$/kg, em São Paulo.
Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br
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