Se em 2009 o fenômeno
El Niño colaborou para chuvas mais regulares e um clima, de forma geral, mais propício à agricultura (reflexo direto na produtividade das lavouras), este ano os olhares estão atentos à
La Niña.
Segundo meteorologistas, a expectativa é que o fenômeno climático ocorra entre o fim de agosto e início de setembro, estendendo-se até março ou abril do ano que vem (2011).
O
La Niña representa o esfriamento do oceano e o que se verifica é menos evaporação e menos chuvas.
A questão é que o fenômeno deve coincidir com a época de plantio da soja e do milho nos principais estados produtores.
O milho é menos tolerante ao estresse hídrico que a soja. Dessa forma, os prejuízos podem ser maiores para o cereal.
É importante destacar que o impacto da
La Niña é muito relativo, podendo variar entre fraco, moderado ou forte.
Em 2004/05, última ocorrência do fenômeno climático, verificou-se seca no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mas em nada afetou o Paraná por exemplo.
Analisando os índices produtivos naquele ano é evidente a quebra de safra.
De acordo com números da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) a produtividade média da soja caiu mais de 50% no Rio Grande do Sul na temporada 2004/05, atingindo os menores valores da história, 698kg por hectare (12 sacas/ha). Veja a figura 1.

Diante disso, algumas entidades de pesquisa e assistência à agricultura começam a alertar o produtor sobre os riscos, principalmente no plantio. A EMATER do Rio Grande do Sul recomenda a antecipação da semeadura no estado.
Apesar da expectativa de aumento de área para a soja em 2010/11 no Brasil, a produção pode ser comprometida em função disso tudo. Vamos acompanhando.