Pecuária enfrenta trimestre difícil com desafios internacionais, mas expectativa é de retomada e recorde no fim do ano.
Apesar de um cenário externo cada vez mais espinhoso — marcado pela imposição da cota chinesa que limitou sua demanda, pelo cerco da União Europeia e pelas barreiras protecionistas nos Estados Unidos —, a pecuária de corte brasileira se prepara para uma virada de chave no quarto trimestre. Segundo explicam analistas e consultores de mercado, impulsionada pela recuperação do consumo interno e pelo arrocho na oferta de bovinos terminados, a cotação da arroba do boi gordo ganha fôlego renovado e pode testar novas máximas nos preços.
Neste momento, o mercado sente os impactos da cota já praticamente toda preenchida para a nação asiática - que é a maior compradora da proteína brasileira e os preços acompanham o cenário, mas há ainda outro termômetro medindo a força da pecuária nacional. "Apesar dessa bronca toda, quando fazemos o levantamento do mercado, existe ainda a oferta de compra do boi "China", e há lugares no Brasil em que essa diferença de preço é de R$10,00. Ou seja, existem mercados cujo destino é 100,0% China e em que eles pagam esse ágio forte. Eles querem aquele boi de 30 meses ou quatro dentes", afirma o CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres.
O mercado vive agora uma estabilidade nos preços porque, ainda segundo Torres, "os compradores são resistentes à redução de oferta", e na B3 os futuros já sinalizam uma arroba mais valorizada. Com altas sendo registradas nesta terça-feira (21) de mais de 1,0% entre as posições mais negociadas, o julho tinha R$345,65, o setembro R$360,90 e o outubro cotado a R$368,80 por arroba. "Podemos ter uma barrigada nestes 10 dias de julho, agosto, e em setembro a gente volte a comprar carne para exportar para a China. Os frigoríficos já estão comprando carne para exportar no primeiro semestre do ano que vem porque o preço está interessante. E eles acreditam que entre final de agosto e setembro possa haver uma alavancagem de preços e já estão se preparando".
Em São Paulo, por exemplo, a terça-feira foi marcada por uma interrupção na sequência das perdas das últimas semanas, com o físico mostrando certa recuperação, mas ainda frágil.
DE PROJEÇÕES E EXPECTATIVAS, O MERCADO PECUÁRIO SE TORNOU GLOBAL
O mercado pecuário se tornou global. E assim, menos previsível portanto. Por isso o impacto das barreiras que são impostas à carne bovina do Brasil - talvez a mais competitiva do mundo - causam impactos também mais significativos. As três frentes que atuam limitando seu potencial neste momento têm pesos diferentes, porém, podem gerar prejuízos semelhantes, com as devidas proporções respeitadas. Da China aos EUA, passando pela União Europeia, todos preocupam igualmente, mesmo que de forma pontual.
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