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Scot Consultoria

"Esperamos um escoamento de carne sutilmente melhor que em 2020", dizem consultores


Quinta-feira, 1 de abril de 2021 - 15h00

Foto: O Presente Rural


Para entender melhor o cenário do mercado interno e externo, o comportamento e o que esperar para 2021, o jornal O Presente Rural também conversou com produtores o engenheiro agrônomo Alcides Torres e com o médico veterinário Hyberville Neto, que fazem parte do time da Scot Consultoria. A título de localização temporal, saiba que a entrevista foi feita em 19 de fevereiro. Confira.


O Presente Rural – Como foi o cenário da carne bovina em 2020?


Alcides Torres e Hyberville Neto – Como resultado da retenção de fêmeas, estimulada pelos preços da reposição em alta, estima-se uma redução de 5,7% na produção de carne bovina. Para as exportações, houve aumento de 9,7% (Secex). Com menos carne produzida e mais carne exportada, caiu a disponibilidade interna de carne bovina, com as cotações da carne e do boi gordo subindo.


Com isso, a cotação no mercado atacadista subiu 37,4% em doze meses, considerando preços nominais.


O Presente Rural – Quais foram os fatores que fizeram com que a arroba chegasse a mais de R$ 300 agora em 2021?


Alcides Torres e Hyberville Neto – O principal vetor da firmeza do mercado foi a oferta curta de gado. Tivemos atrasos das chuvas no final de 2020, o que afetou o pasto e a engorda, mas a retenção de fêmeas, estimulada pelos preços da reposição, tem uma boa parcela de culpa nas valorizações.


O Presente Rural – O produtor está se capitalizando mais?


Alcides Torres e Hyberville Neto – Os últimos anos foram de bons resultados, em especial para os sistemas que não compram reposição, ou seja, a cria e o ciclo completo.


O Presente Rural – Como está o mercado de boi gordo no Brasil?


Alcides Torres e Hyberville Neto – O mercado está firme, mas um pouco mais calmo que no início do ano. O consumo doméstico está lento e as exportações não ajudaram nas últimas semanas, também por causa da oferta curta de carne. Para o curto prazo, a virada de mês (fevereiro) deve ajudar a demanda doméstica e espera-se que a China aumente as compras após o período recente de ano novo.


Tomando São Paulo como referência, em doze meses a cotação subiu 47,8% para o boi gordo, no Paraná a variação foi de 52,7%.


O Presente Rural – Qual a tendência para 2021 para a carne bovina brasileira?


Alcides Torres e Hyberville Neto – Esperamos um cenário de oferta curta, possivelmente maior que em 2020 no acumulado do ano, mas ainda em um patamar limitado. Do lado do consumo, a evolução da imunização da população contra a Covid-19 e a retomada da economia nos próximos meses vão definir o cenário, mas pelas indicações positivas para o PIB, esperamos um escoamento de carne sutilmente melhor que em 2020.


Para as exportações, a expectativa é de aumento, mais ameno que nos últimos anos. China deve continuar comprando com bons volumes e a questão cambial será a balizadora da atratividade da nossa carne lá fora.


O Presente Rural – Qual o papel da China nesse cenário?


Alcides Torres e Hyberville Neto – O país é o maior comprador de carne bovina. Em 2020 participou com 54% do faturamento dos embarques de carne bovina in natura. Também é o maior cliente de carne suína e de aves, com participações de 58% e 23%, respectivamente.


Para 2021 a expectativa é de continuidade de um bom volume de compras ao longo do ano, a depender do câmbio.


O Presente Rural – O que o produtor precisa fazer para aproveitar o bom momento?


Alcides Torres e Hyberville Neto – Não esquecer da parte zootécnica e manter os cuidados na avaliação de investimentos, que podem ficar menos criteriosos em períodos de caixa mais confortável.


O Presente Rural – Como está a relação de competitividade com as carnes suína e de frango?


Alcides Torres e Hyberville Neto – Considerando os preços no atacado, a relação com o dianteiro está praticamente no mesmo patamar de fevereiro de 2020 (2,7 quilos de frango por quilo de dianteiro, frente a 2,68 kg há um ano). Para a carne suína a relação está em 1,35 quilo de carne suína por quilo de carne bovina, piora de 6,6% em relação ao mesmo período de 2020 (1,45kg).


O Presente Rural – Especificamente em relação a preços, falem mais sobre o cenário para este ano na carne bovina.


Alcides Torres e Hyberville Neto – Com a oferta curta de gado (e carne) e exportações provavelmente positivas no decorrer do ano, a cotação da carne bovina deve se manter em patamares elevados, na comparação com os últimos anos. Provavelmente com menos força para mais valorizações, mas em um patamar elevado.


 


Matéria originalmente publicada em:
“Esperamos um escoamento de carne sutilmente melhor que em 2020”, dizem consultores



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