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Scot Consultoria

Valor das terras afeta negócios no semestre


Quarta-feira, 5 de agosto de 2015 - 14h55

O mercado de imóveis rurais no País enfrenta um período que não condiz com o atual momento do agronegócio brasileiro. Sustentados, desde 2012, por três safras recordes consecutivas, mas receosos com a conjuntura econômica, produtores rurais e investidores têm pisado no freio quando o assunto é a ampliação de suas áreas. O fato, além de uma diminuição considerável no número de negócios realizados ao logo deste ano, também indica uma evolução mais lenta na cotação das propriedades. No Rio Grande do Sul, o panorama difere, em parte, do restante do País. Por aqui, o preço médio pago por hectare ostenta uma alta de 7,2% no primeiro semestre de 2015, cotado a R$ 18.513,00, segundo dados da consultoria Informa Economics - FNP.


O atual desempenho consegue apenas, com pouquíssima margem, render acima da inflação acumulada, que fechou o primeiro semestre do ano em 6,17% - o maior índice para o período desde 2003 (6,64%). Com base no mesmo estudo da FNP, entre 2002 e 2012, a valorização do hectare gaúcho chegava a 240%, média de 24% ao ano. Naquele período, a precificação superava com folga a inflação de 76,61% registrada ao longo da década e, portanto, oferecia rendimentos bem maiores com as negociações.


Ainda assim, em 2015, até junho, taxa gaúcha já fica quase 1,5 ponto percentual acima da nacional (5,73%). O diretor da consultoria FNP, José Vicente Ferraz, afirma que, de fato, a velocidade reduzida das taxas tem provocado a estagnação das relações de compra e vendas. Embora exista uma escassez de métodos quantitativos para dimensionar o volume real de negócios, segundo Ferraz, o segmento enfrenta um período de baixíssima demanda. "É normal, e até mesmo cultural, que os proprietários de terra segurem o ímpeto de negócios em momentos de retração ou evolução menor das cotações. Se não conseguir o preço, prefere não vender. Essa situação, todavia, tem um limite. Se aumentar o risco de inadimplência nas safras, evidentemente, a postura mudará", resume o analista.


Uma das justificativas para o momento toma forma mais concreta na análise dos dados referentes ao último triênio. Entre 2012 e 2014, a valorização média do hectare no Estado foi de 37,1%, com as cotações passando de R$ 12.595,00 para R$ 17.269,00. No Brasil, os preços médios saíram de R$ 6.996,00, em 2012, para R$ 9.611,00, no fechamento do ano passado, resultando em evolução semelhante, de 37,37%, em igual intervalo de tempo.


Em alguns locais do Rio Grande do Sul, entretanto, a evolução se aproxima de 30%. É o caso das terras agrícolas com arroz em várzea, encontradas entre Pelotas e Camaquã. Depois de uma alta de 13,47%, no período entre 2012 e 2014, em seis meses, tiveram nova oscilação positiva, de 29,37%, atingido o preço médio de R$ 16,833,00 por hectare.


O mesmo movimento não ocorreu nas terras de arroz da Fronteira-Oeste. A média nos municípios de São Borja e São Gabriel, que teve valorização de 78,73%, em três anos, perdeu força, e, até junho de 2015, avançou apenas 2,37%.


Ferraz explica que isso ocorre em razão das distintas situações nas chamadas regiões de fronteira agrícola, onde a estrutura fundiária é formada por propriedades de maior porte e, por isso, tendem a envolver negociações, inclusive entre pessoas jurídicas. Neste nicho, a lógica de mercado tende a prevalecer sobre a conjuntura econômica. "Existe uma infinidade de motivos para entender o ritmo de evolução da taxa de crescimento e até mesmo a queda de preços em alguns lugares. Há regiões com propriedades menores, em que a chance de comprar os vizinhos por preços baixos acabam puxando o mercado. Embora o agronegócio esteja melhor que outros setores, o momento enseja cautela", revela.


FNP - Valorização média de terras RS/Brasil


Vitivinicultura e soja aquecem a demanda no Estado


Na esteira de um movimento iniciado nos últimos anos, o bom momento da soja, puxado por uma leve retomada dos preços em 2015 - que avançaram 9,7%, passando de R$ 59,9 para R$ 65,7 na cotação média da saca de 60 quilos - tem sido responsável por aumentar a demanda em algumas regiões do Estado. Na avaliação do analista da Scot consultoria, Mateus Ferreira, o mercado é de baixa liquidez e, por isso, é um erro esperar por altas valorizações em curto prazo. Ele afirma, no entanto, que a compra de terras é um investimento mais seguro e com baixa incidência de desvalorizações.


Regiões como a Serra Gaúcha, por exemplo, registram aumento de procura, principalmente em áreas de pastagens, que tendem a ter preços mais baixos e, por outro lado, também permitem o trato da soja. No Vale dos Vinhedos, nas proximidades de Bento Gonçalves, o consultor destaca a possibilidade de encontrar áreas com cotação de R$ 43,5 mil. Em geral, são propriedades menores, entre 100 hectares e 80 hectares, voltadas a atividade da vitivinicultura. Na região, a valorização ao longo do ano é de apenas 5,96%. Em maior período, de 2012 a 2014, o aumento é de 32,84%.


Consolidada no mercado de remates, a Trajano Silva vem trabalhando, desde o final de 2014, no segmento de imóveis rurais. Gonçalo Silva, diretor que, em pouco menos de um ano no mercado, já liderou negociações de estâncias vendidas com o hectare cotado entre R$ 45 mil e R$ 50 mil, em Tupanciretã e Cruz Alta. "Buscam-se regiões características. Não é incomum que produtores vendam 20% de suas áreas para comprarem o dobro em outras localidades."


Fonte: Jornal do Comércio, por Rafael Vigna. Publicado em 03/08/2015 - http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=204017



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