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Scot Consultoria

Pecuária sustentável é pecuária produtiva


Sexta-feira, 9 de março de 2012 - 18h01

Com um aumento de 40% na quantidade de animais por hectare de pastagem, a pecuária brasileira conseguiria liberar uma área equivalente àquela hoje ocupada pelas plantações de grãos no país. As contas foram apresentadas pela Scot Consultoria no dia 29 de fevereiro em um evento da Associação dos Profissionais da Pecuária Sustentável (APPS), e podem parecer um patamar distante e difícil de atingir. No entanto, as tecnologias já disponíveis são capazes de promover esse aumento de produtividade, garante o zootecnista e consultor Gustavo Aguiar, da Scot. Segundo ele, o Brasil tem hoje uma média de 0,97 unidade animal (ua) por hectare de pasto – uma ua equivale a 450 quilos de peso de animais. “Se essa média subisse para 1,4 ua, o que não é impossível, a pecuária liberaria 51,3 milhões de hectares”, calcula ele. Essa enorme área poderia ser usada para a expansão da agricultura, ou da própria pecuária. O fato de a produtividade da pecuária ainda ter muito a crescer é vista como uma oportunidade, e não um problema, pelo sócio diretor da Scot, Alcides Torres. Além de isso indicar grande potencial de crescimento, também representa potencial de tornar a pecuária mais sustentável. “Quando a pecuária produz mais no mesmo espaço, diminui a necessidade de abertura de novas áreas para produção”, ressalta Torres. Além disso, a quantidade de animais por hectare não é o único indicador de produtividade da pecuária. Explica-se: com a mesma terra, pode-se produzir não apenas um número maior de bois, mas também pode-se engordá-los mais rapidamente e abatê-los com mais peso. O Brasil avançou nesses três fatores, segundo números levantados pela Scot com base em fontes oficiais. Nos últimos 50 anos, o rebanho bovino brasileiro cresceu em média 5,72% ao ano, enquanto o número de abates subiu em média 9,5% anuais e a produção de carne bovina avançou a 11,5% ao ano. “Cresceu o peso do animal no abate e a taxa de desfrute, que é o percentual do rebanho abatido todos os anos, por isso a carne deixou de ser um prato de luxo”, diz Torres. Escolha sustentável Apesar de o desfrute ter crescido 48,8% nos últimos 50 anos, ele ainda é considerado baixo. No ano passado, apenas 19,2% do rebanho foi abatido. Enquanto isso, Estados Unidos e Austrália, que competem com o Brasil no mercado internacional, abateram 38% e 31% de seus rebanhos, respectivamente. “O Brasil deve se perguntar se quer e precisa chegar a esses índices, que só são possíveis confinando os animais desde bezerros; eu acho que não”, defende Torres. A pecuária extensiva, praticada no Brasil, é feita com concentrações de animais por hectares e taxa de desfrute mais baixas. Por outro lado, esse modelo traz a vantagem de respeitar mais o bem-estar do animal e não consumir grandes volumes de grãos para ração, deixando mais disponibilidade para a alimentação humana. “No Brasil temos luz solar e chuvas suficientes para nos permitir criar bois a pasto, coisas que os outros países não possuem”, afirma o consultor. Revoluções silenciosas A grande evolução na produtividade da pecuária brasileira nos últimos 50 anos está totalmente ligada à adoção de tecnologia. Torres afirma que foram três grandes revoluções silenciosas que levaram a esse desempenho: primeiro, a substituição do gado europeu pelo gado zebu, original da Índia e muito mais adaptado aos trópicos; segundo, a adoção de variedades africanas de capim, que aproveitam mais a luz solar na fotossíntese e, assim, elevam o teor de proteína da carne; por fim, a adoção de suplementos e rações, em maior quantidade e qualidade, para complementar o processo de engorda. “Agora estamos passando pela quarta revolução silenciosa, da genética”, diz Torres, referindo-se tanto à genética animal quanto vegetal. No primeiro caso, novas tecnologias permitem gerar melhores cruzamentos e a um custo mais baixo, elevando a qualidade do rebanho. Do lado vegetal, a biotecnologia é e será ainda mais importante, segundo Torres, para gerar ração para a pecuária. São basicamente nessas quatro linhas tecnológicas que se encontram as chaves para elevar a lotação da pecuária em 40% e liberar um espaço equivalente a tudo que o Brasil planta com grãos a cada safra. “Muitas tecnologias já existentes, simples e baratas, apenas precisam ser popularizadas e adotadas corretamente para que isso aconteça”, acredita o zootecnista Aguiar. Torres indica um dado que mostra que essa nova realidade pode ser alcançada no médio prazo. Nos últimos 20 anos, o rebanho bovino brasileiro cresceu 43%, enquanto a área de pastagens ficou praticamente estável. Fonte: Sou Agro. Por Luiz Silveira. 9 de março de 2012.
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