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Scot Consultoria

Independência fecha unidade e Minerva posterga investimentos


Terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 - 08h58

Com exportações em queda pelo terceiro mês seguido, o setor processador de carne bovina continua fazendo ajustes para se adequar ao cenário recessivo. Depois do Bertin, que em novembro desativou duas unidades (uma de abate de boi e outra de processamento de couro), ontem o frigorífico Independência anunciou que fechou em 1º de fevereiro a unidade de Campo Grande (MS) e dispensou 400 dos 530 funcionários do local. Essa era a terceira unidade da empresa em Mato Grosso do Sul. Também ontem, o Ministério da Agricultura divulgou o consolidado das exportações de carne bovina de janeiro. A receita com o embarque de carne in natura recuou 50% para US$8 milhões, ante os US$16,6 milhões de janeiro de 2008. O desempenho negativo é resultado de um volume embarcado menor (35,7%) e de queda no preço médio pago (25,6%). Além de demissões, o setor, que vinha de fortes investimentos, está postergando projetos e, também, empregos. Ronald Aitken, superintendente de Relações com Investidores do grupo Minerva, afirmou que, por conta da crise, a empresa adiou o início de operação de dois frigoríficos no Norte do País. Uma das plantas, que estava programada para começar a operar no segundo semestre de 2008, será inaugurada apenas em março, com um turno. Essa unidade, em Rondônia, terá capacidade para abater 750 animais por dia em cada turno. “É claro que neste cenário não se fala em operar com dois períodos”, afirma Aitken. O outro frigorífico do Minerva, que antes da crise tinha previsão de começar a operar em junho em Redenção (PA), não tem nova data definida para iniciar abates, segundo o superintendente de RI. “O preço do dinheiro aumentou muito e a demanda está fraca. Mas, apesar dos números negativos de janeiro, estamos conseguindo negociar valores mais positivos para fevereiro e março”, anuncia Aitken. Com 6,4 mil funcionários e um dos três maiores exportadores de carne bovina do Brasil, o Minerva também fez outros ajustes no ano passado, como o de eliminar a jornada de trabalho aos sábados, além de paralisação temporária de três unidades industriais. “Agora em janeiro, a nossa capacidade ociosa elevou-se para 30%, ante os 20% e 25% do ano passado” diz Aitken. A unidade desativada pelo frigorífico Independência estava com 40% da capacidade ociosa, segundo comunicado divulgado pela empresa. “Estava abaixo da média das outras unidades”. Os animais abatidos na planta de Campo Grande foram transferidos para as outras indústrias da empresa em Mato Grosso do Sul - Anastácio e Nova Andradina. “O fechamento da unidade resultará em redução significativa dos custos fixos, sem comprometer o volume de abate do Independência”, afirmou o comunicado. Além de um mercado externo recessivo, o momento negativo dos frigoríficos brasileiros se deve a uma baixa oferta de gado no mercado interno. De acordo com estimativa da Scot Consultoria, há instalada no Brasil capacidade de abate de 70 milhões de cabeças, enquanto o rebanho tem a oferecer por ano apenas 40 milhões de animais. A baixa oferta tem reduzido a escala de abate nos frigoríficos, mesmo com o período, teoricamente, de safra. “A escala média das indústrias está de quatro a seis dias, quando normalmente na safra, deveria ser entre sete e dez dias”, diz o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Fonte: Gazeta Mercantil. Finanças & Mercados. Por Fabiana Batista
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