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Scot Consultoria

Câmbio ameniza efeitos da crise para frigoríficos


Terça-feira, 25 de novembro de 2008 - 17h04

A recente apreciação do dólar em relação ao real deve ajudar a amenizar possíveis efeitos, para a rentabilidade dos frigoríficos, de queda na demanda internacional e da retração nos preços de exportação de carne bovina, ambos resultados da crise financeira global. Isso porque a alta do dólar torna o produto brasileiro ainda mais competitivo no mercado internacional e compensa parte da perda provocada pela queda dos preços internacionais que começa a ser verificada. Nos últimos meses, o preço da arroba da carne brasileira voltou aos níveis dos seus competidores locais, como Paraguai e Uruguai. Nesta semana, a arroba do boi gordo em São Paulo foi negociada ao redor de R$90,00, aproximadamente US$38,00. No Uruguai, o preço da arroba estava em US$33,00 e no Paraguai, a US$37,00, segundo informações do analista do setor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Ele lembra que, em junho deste ano, quando o boi gordo brasileiro era negociado a US$58,00 a arroba, a carne uruguaia era vendida a US$44,00. Essa diferença, segundo ele, tem elementos da valorização do real, mas foi influenciada principalmente por fatores conjunturais, como a falta de boi no mercado doméstico provocada pelo abate de matrizes dos últimos anos, em virtude dos baixos preços da pecuária. Ao mesmo tempo, no entanto, os frigoríficos começam a verificar queda no preço da carne exportada para alguns mercados, como a União Européia e a Rússia, este último principal importador da carne brasileira. Segundo Rosa, os preços de exportação apresentam uma queda entre 20% e 30% este mês - ainda não há dados oficiais que possam confirmar essa retração. Os vendedores de carne bovina ao mercado externo estão puxando os preços para baixo e propondo renegociação de contratos, como é o caso da Rússia. A crise financeira e a restrição de crédito internacional também deixaram os importadores em situação financeira difícil e, ao saber do movimento do câmbio no Brasil e diante de queda na expectativa da demanda internacional, alguns compradores europeus trabalham para reduzir os preços. E o dólar, na avaliação de Rosa, pode amenizar os resultados desse movimento. Câmbio A valorização da moeda norte-americana em relação ao real também pode ajudar a compensar a queda no volume de vendas no mercado internacional. A retração na demanda é dada como certa pela Tendências Consultoria, embora ainda não seja possível estimar a magnitude desta queda. A analista da Tendências Amaryllis Romano também pondera que o novo patamar do câmbio pode provocar uma alta nos custos de produção, o que anularia parte dos efeitos positivos. Rosa, da Scot, concorda, mas ressalta que a queda no preço do petróleo e derivados e a retração na demanda por alguns insumos, como fertilizantes, podem ajudar a manter os custos nos níveis atuais. Enquanto a taxa de câmbio atual mostra-se extremamente favorável para as empresas exportadoras, a conjuntura econômica trabalha no sentido contrário. Analistas ressaltam o encarecimento do crédito à exportação como um obstáculo para o aumento da receita das empresas com o mercado internacional. Além disso, os exportadores brasileiros começaram a contar com a possibilidade de calote por parte dos importadores afetados pela crise financeira, o que não havia sido considerado até então. Nesta semana, durante reunião com investidores e analistas, o presidente do grupo JBS Friboi, Joesley Mendonça Batista, abordou esse ponto. Segundo ele, a atual taxa de câmbio ainda não reflete o aumento dos riscos envolvidos no comércio internacional de carne bovina. “Antes da crise, o spread que motivava a indústria a exportar era de 1% a 2% em relação ao mercado interno; hoje, tenho de exportar com spread de 30% para compensar os riscos envolvidos”, disse o executivo, na ocasião. Portanto, para que exportar valha a pena, o executivo vê a necessidade de um dólar a R$3,00, aproximadamente. Assim, diante dos maiores riscos de exportação e da dificuldade de crédito, analistas acreditam que a atenção de alguns frigoríficos possa se voltar mais para o mercado doméstico nos próximos meses. Mas, na avaliação de Rosa, mesmo que as indústrias brasileiras passem a optar pelo mercado interno em suas próximas negociações, não há risco de perda de participação por parte do Brasil, já que a crise é global e os principais concorrentes do País sofrem com os mesmos problemas. Além disso, a vantagem brasileira, hoje, é muito grande no mercado internacional para que possa ser alcançada. As exportações brasileiras de carne bovina se aproximam de 2 milhões de toneladas por ano, ante 1,3 milhão de toneladas do segundo colocado, a Austrália. Entre o Brasil e a Austrália, há o espaço equivalente ao ocupado pelo terceiro colocado no mercado mundial, os Estados Unidos, que exportam anualmente 700 mil toneladas, aproximadamente. Fonte: Agência Estado. Finanças. Por Tatiana Freitas. 25 de novembro de 2008.
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