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Scot Consultoria

Campo enfrenta de novo transtornos climáticos


Quinta-feira, 6 de novembro de 2008 - 16h41

Por duas safras seguidas, o produtor brasileiro ficou suscetível às mudanças trazidas por fenômenos climáticos. Em um ano foi o El Niño, que provocou excesso de chuvas, e no ciclo passado, o La Niña, com sua forte estiagem na Primavera de 2007 que resultou em perda de produtividade do cultivo de café, frutas e replantio de lavouras de soja. Quando todos esperavam para este ano um comportamento de clima mais próximo da média histórica, outra surpresa: chove demais no Sul e de menos no restante do País, principalmente no Centro-Oeste. O ciclo 2008/09 mal começou e já há algumas conseqüências: No Rio Grande do Sul, segundo maior produtor de trigo do País, as lavouras estão submersas em água há 15 dias e as perdas até o momento são de 40% da produção, incluindo prejuízo em volume e qualidade. O cultivo de feijão no estado está afetado com fungos, por causa da umidade elevada, e a de arroz, pode ficar prejudicada se a chuva persistir por mais 15 dias. Mas, enquanto a agricultura gaúcha é afetada pelo excesso de chuva, a pecuária padece da falta dela. As chuvas abaixo da média em quase todo o País estão atrasando a recuperação das pastagens e, a previsão, é de que a entressafra do boi, que terminaria a partir de novembro e dezembro, se estenda por quase um mês, o que pode elevar ainda mais os preços da arroba no mercado. Paulo Molinari, da Safras & Mercado, explica que a tendência é que haja recuo de gado abatido nos frigoríficos - que já estão com capacidade instalada ociosa em torno de 40% a 50% - por conta da menor oferta esperada para novembro e dezembro. “A oferta de boi confinado está terminando e não há volume elevado de boi de pastagem no mercado. Apesar da crise, a demanda interna continua forte. Teremos escassez e o preço do animal pode ter novas altas. Ainda assim, a indústria terá de abater boi com menor peso”, avalia Molinari. O nível de abate bovino entre novembro e dezembro vem caindo há alguns anos. Em 2005 e 2006, foram abatidas 3,2 milhões de cabeças por mês em novembro e dezembro, segundo a Safras & Mercado. Nestes mesmos meses de 2007, esse volume caiu para níveis entre 2,6 milhões e 2,9 milhões de cabeças. “Na média do segundo semestre deste ano, a média de abate está entre 2,6 milhões e 2,9 milhões de cabeças, volume que deve cair para níveis entre 2,6 milhões e 2,7 milhões no último bimestre do ano”, estima Molinari.A falta de boi de pasto neste momento e a previsão de escassez nos próximos dois meses se deve ao fato de as chuvas terem sido escassas em setembro e abaixo da média em quase todas as regiões do país em outubro. “Isso esta atrapalhando a recuperação das pastagens, que levam de 60 a 90 dias após as chuvas para se recomporem”, diz Alcides Torres, analista da Scot Consultoria. De acordo com dados da Somar Meteorologia, no mês de outubro choveu metade do esperado na maior parte dos estados brasileiros. Em Mato Grosso, onde há o maior rebanho comercial do País, a média histórica para o mês é de precipitações de 200 milímetros (mm) e choveu entre 50 mm e 100 mm, dependendo da região. No Triângulo Mineiro, esperava-se 100 mm e ocorreram apenas 50 mm. Em Mato Grosso do Sul, a média histórica é de 150 mm e, choveu 100 mm. “As frentes frias do Sudeste que levam a chuvas para o interior do País não estão entrando no continente, estão ficando no litoral”, explica Olívia Nunes, meteorologista da Somar Meteorologia. É esperada normalização das chuvas para novembro, mas até agora, as precipitações foram praticamente insignificantes na maior parte do País. Em Mato Grosso, onde a média para este mês é de chuvas entre 200 mm e 250 mm, choveu até agora 30 mm. No Triângulo Mineiro, choveu nesta semana menos de 10% do esperado, em Goiás e na Bahia, onde se aguarda 200 mm de chuvas, as precipitações até agora não chegaram nem a 5 mm. Na agricultura do Paraná, onde a chuva está acima da média principalmente no Sul do estado, também estão sendo identificados alguns atrasos no plantio de soja, mas ainda pontuais, segundo Pedro Loyola, economista da Federação de Agricultura do Estado (Faep). No Rio Grande do Sul, onde as chuvas em outubro chegaram a quase o dobro da média, e perduram em novembro, as perdas com trigo atingem 40% da lavoura, segundo Carlos Sperotto, presidente da Federação de Agricultura do Estado (Farsul). “Antes desse dilúvio, tínhamos colhido 10% da área com condições excelentes de qualidade, com ph entre 7,8 e 8,0. Agora, o que está sendo colhido está com ph entre 7,0 e 7,2. Isso significa um desconto de R$1,00 por saca no preço pago ao produtor”, lamenta o presidente da Farsul. De acordo com ele, com o excesso de chuvas, a produtividade de 50 sacas por hectare caiu para 26 sacas. Fonte: Gazeta Mercantil. Agronegócio. Por Fabiana Batista. 6 de novembro de 2008.
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