• Sexta-feira, 19 de agosto de 2022
  • Receba nossos relatórios diários e gratuitos
Scot Consultoria

Consumidor definirá o preço das carnes


Quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 - 11h03

O consumidor brasileiro terá de pagar mais para consumir carnes no ano que vem. Os preços das proteínas animais já estão mais altos, interferindo na escolha do consumidor: a diferença entre o frango e a carne bovina hoje é de três quilos per capita. E, segundo analistas, em 2008, será o consumidor quem definirá a "carne mais em conta". Neste ano, os preços das proteínas animais se valorizaram até 55% - a maior alta foi a do suíno. "O consumidor terá de escolher se quer pagar mais e por que produto", afirma Christian Lohauber, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef). Segundo ele, o aumento do custo de produção tem sido repassado à carne de frango. Em média, as cotações do milho aumentaram 42% na Bolsa de Chicago (CBOT) neste ano. "A tendência é o consumidor pagar mais por todas as carnes", afirma José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Segundo ele, como os preços dos grãos tendem a continuar em patamares mais elevados, interferindo nos custos da ração, frangos e suínos sofrerão este efeito. O diretor acrescenta que, no caso do boi, isso é menos importante e, teoricamente poderia subir menos, mas que o mercado internacional está carente de carne bovina. "Haverá uma queda de braços entre o consumidor interno e o externo", acredita. O mesmo fato é apontado por Lohbauer, dizendo que, dependendo do câmbio, pode ser mais atrativo o mercado interno. "O problema é que não há como absorver tudo o que é exportado", acrescenta Clóvis Puperi, diretor-executivo da União Brasileira da Avicultura (UBA). Segundo Ferraz, as estimativas da AgraFNP são que o consumo de carne bovina, mais uma vez, tenha ficado "patinando ou pequeno recuou e, aparentemente o de frango voltou a crescer". Pelos cálculos da empresa, o consumo per capita de frango foi de 38 quilos, enquanto o de carne bovina, 34 e o de suína, 13 por ano. "Os alimentos de forma geral vão estar mais caros no ano que vem. Não vai ter uma carne que terá aumento mais significativo que outra", acredita Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. Segundo ele, o consumidor vai ter de destinar maior parte do dinheiro para alimentação, pois os preços de grãos influenciam diretamente os aumentos dos custos das proteínas. Avaliação semelhante tem o pesquisador Sérgio De Zem, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). "É possível que tenha cada vez mais uma ação conjunta entre elas, todas vão subir mais ou menos no mesmo nível", avalia. De acordo com ele, entre todas as proteínas, a que tem a maior facilidade de regular a oferta é o frango, devido ao ciclo de produção menor. O analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, diz que em 2007 o consumo de carne bovina e suína tenha caído devido à redução da oferta. Segundo ele, apenas no final do ano houve um fluxo da carne bovina para as outras em virtude dos preços. De acordo com Molinari, se a demanda for saudável e o País estiver crescendo, o consumidor absorve os preços. Ele acredita que a alta do milho só continuará até o primeiro trimestre de 2008. "Talvez não seja pelo milho que os preços estejam altos, mas por necessidade de corrigir mundialmente", afirma. Molinari acrescenta que, para 2008, a expectativa é que a oferta de frango e suínos seja maior. Fonte: Gazeta Mercantil. Caderno C. Por Neila Baldi. 19 de dezembro de 2007.
<< Notícia Anterior Próxima Notícia >>
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos


Loja

Facebook