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Scot Consultoria

Setor de semente forrageira deve crescer até 8%


Quarta-feira, 15 de setembro de 2010 - 10h26

O setor de produção de semente forrageira deve seguir crescendo entre 7% a 8% ao ano, impulsionado pela expansão dos sistemas produtivos integrados - lavoura-pecuária e sombreado, por exemplo -, pela maior produção de biomassa e produção agrícola sustentável. A estimativa é da Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (Unipasto), que destaca o fato de a prática ganhar cada vez mais espaço, independente de eventuais altas nos preços das sementes, como neste ano em que o clima prejudicou a multiplicação. Segundo o diretor-executivo da Unipasto, Marcos Roveri, a forrageira não serve apenas para pastagem. “Ela é importante para fixar o nitrogênio no solo e reter o carbono, e é fundamental em todos os processos de sustentabilidade”, diz. No ano passado, o setor registrou receita aproximada de R$500 milhões. Além do crescimento da demanda interna neste ano, a associação prevê maior faturamento com as vendas externas de sementes forrageiras. Os associados da Unipasto, 28 produtores entre os mais de 650 existentes no País, respondem por 70% da comercialização no mercado interno e 90% das exportações. Segundo Roveri, o volume exportado na safra 2009/2010 caiu por conta da crise econômica: foram embarcadas 5,16 mil toneladas de sementes ante 8,9 mil toneladas do ciclo 2008/2009. Nesta safra, a perspectiva é de uma pequena recuperação do mercado internacional, em torno de 15%, para cerca de 6 mil toneladas de sementes puras embarcadas (VC 100%). O Valor Cultural (VC) indica o grau de pureza da semente. Conforme informações do Ministério da Agricultura, na safra 2009/2010 a inscrição de áreas de campo de semente forrageira foi de 125 mil hectares, e duas variedades foram predominantes: 86% da área foi ocupada com capim brachiaria e 11% com panicum. Roveri diz que essa área considera apenas os produtores legalizados, que são 40% a 50% do total. “Como as plantas forrageiras geram outras sementes-clones, muitos produtores distribuem o produto de maneira informal”, diz, lembrando que todos os dados fornecidos pela associação são projetados com base nas informações oficiais. Como boa parte da produção total de sementes forrageiras do País - estimada em 40 mil toneladas - sofreu com a estiagem no início do plantio e com fortes chuvas ao fim do ciclo, o número final deve ser cerca de 30% menor, de acordo com levantamento prévio da Unipasto. Essa queda na produção se refletiu nos preços, que chegaram a dobrar no intervalo de um ano. Segundo a Scot Consultoria, em agosto deste ano, o preço do quilo da cultivar Brachiaria brizantha (VC 50%) subiu 150% entre os meses de agosto de 2009 e de 2010, passando de R$4,07 para R$10,18. Já a variedade MG-5 (VC 51%) passou de R$5,20/kg para R$11,51/kg no mesmo período, alta de 121%. Se para os produtores de sementes o valor mais alto compensa as perdas, para os pecuaristas que precisam de novas áreas de pastagens ou recompor o capim, a relação de troca caiu pela metade, mesmo com a valorização do boi gordo. Em um ano, a arroba do boi gordo subiu cerca de 20% usando-se como referência a praça de Araçatuba (SP). Já as sementes forrageiras tiveram aumentos entre 37% e 150%, dependendo da variedade. Assim, exemplifica a Scot, quem comprava 20kg de Brachiaria brizantha (VC 50%) com 1 arroba de boi em agosto de 2009, um ano depois só conseguiria adquirir 10kg da cultivar. Para os pecuaristas de leite, que no intervalo de um ano tiveram queda de 10,6% no preço recebido, a relação de troca ficou ainda pior. Em agosto de 2010 eram necessários 13 litros de leite para a aquisição de 1 quilo da semente, quase três vezes mais do que no mesmo período do ano passado. A Unipasto estima que há 170 milhões de hectares em áreas de pastagens no Brasil e apenas 50 milhões de hectares seriam nativos. O pecuarista Flávio Aranha, da Fazenda Bela Alvorada, de Guararapes (SP), disse que a estiagem na região oeste do Estado já dura mais de um mês, o que está prejudicando a qualidade do pasto. Por isso, metade das 800 cabeças de gado nelore que possui está sendo suplementada com cana. Dos 1.050 mil hectares da propriedade, 300 hectares são cultivados com forrageira. No entanto, Aranha ainda espera que chova no mínimo 70mm para possibilitar a rebrota do capim. “E depois disso ainda teremos de esperar de 30 a 40 dias para colocar o gado novamente no pasto”, afirma, torcendo para que não precise recompor a área de pastagem. Fonte: Agência Estado. 15 de setembro de 2010.
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