Competição por recursos, falhas de manejo e resistência das daninhas aumentam os desafios para manter a produção de biomassa e de arrobas por hectare.
Foto: Arquivo pessoal
A presença de plantas daninhas nas pastagens vai muito além de um problema visual ou de manejo. Ao competir com as forrageiras por luz, água, espaço e nutrientes, essas espécies podem reduzir a produção e a qualidade da biomassa disponível para o rebanho, comprometendo o desempenho animal e a produção de arrobas por hectare. Em áreas mal manejadas ou em processo de degradação, o problema tende a se intensificar, com reflexos também sobre os custos de produção e a rentabilidade da atividade.
O controle eficiente envolve uma estratégia integrada, que combine bom manejo da pastagem, prevenção, métodos mecânicos e uso controlado de herbicidas. A resistência de plantas daninhas a determinados mecanismos de ação adiciona um desafio importante, tornando essencial diversificar as ferramentas de controle e evitar práticas repetitivas. Espécies como capim-capeta, capim-navalha, capim-amargoso e buva estão entre os exemplos que reforçam a necessidade de identificar corretamente o problema e agir no momento adequado para preservar a produtividade e a sustentabilidade do sistema.
Convidamos o engenheiro agrônomo e professor no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), Kassio Mendes, para comentar mais sobre o assunto. Ele é um dos palestrantes confirmados para o Encontro de Intensificação e Pastagens, que acontece nos dias 23 e 24 de setembro, no Multiplan Hall do Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto-SP. Confira entrevista a seguir:
Como a competição do pasto com plantas daninhas interfere na produção de biomassa e, consequentemente, na produção de arrobas por hectare? Existe algum impacto econômico nisso?
Kassio Mendes: A competição das plantas daninhas por luz, espaço, água e nutrientes compromete o valor nutricional da forragem e gera sombreamento nas gramíneas, o que dificulta o pastejo, reduz o ganho de peso do gado e diminui a produção de arrobas por hectare. Isso acontece principalmente em pastagem mal manejada em algum nível de degradação. Economicamente, essa interferência causa grandes prejuízos ao acelerar a degradação das pastagens e ao provocar a intoxicação ou morte de bovinos por plantas tóxicas, como o cafezinho.
Quais são os principais erros cometidos no manejo de plantas daninhas em pastagem?
Kassio Mendes: Os maiores erros no manejo incluem a condução extrativista da pastagem sem adubação adequada, o uso isolado do controle químico, a falta de higienização de máquinas e de quarentena do rebanho recém-chegado, e o manejo incorreto da altura do pasto, cujo superpastejo deixa falhas na cobertura do solo que favorecem a germinação de plantas daninhas.
A resistência de plantas daninhas é algo que dificulta o manejo. Quando há resistência, qual deve ser a estratégia do produtor?
Kassio Mendes: Para controlar a resistência de plantas daninhas, o produtor deve adotar o Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), combinando a eliminação de focos iniciais, o fortalecimento da cobertura vegetal da forrageira, métodos mecânicos pontuais e a rotação ou mistura de herbicidas com diferentes mecanismos de ação.
No Encontro de Intensificação e Pastagens, serão apresentados dados sobre o manejo das plantas daninhas. O que o produtor pode esperar dessa discussão?
Kassio Mendes: No Encontro de Intensificação e Pastagens, o produtor pode esperar dados práticos sobre Períodos Críticos de Prevenção à Interferência (PCPI), identificação de espécies de plantas daninhas (como capim-capeta, navalha, amargoso, buva, entre outras) e tóxicas, além de orientações sobre o uso consciente e integrado do controle químico e preventivo para garantir a sustentabilidade e rentabilidade do sistema.
Garanta seu ingresso para o Encontro de Intensificação e Pastagens no site: www.encontros.scotconsultoria.com.br
Professor associado de Rastreabilidade em Qualidade Agropecuária e Ambiental e livre-docente em Produção e Ambiente (2025) no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da Universidade de São Paulo (USP). Também foi professor adjunto de Biologia e Manejo Integrado de Plantas Daninhas do departamento de agronomia da Universidade Federal de Viçosa (UFV) (2019-2024). Engenheiro agrônomo, graduado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2011), mestre na área de Produção Vegetal pela UFV (2013), estágio de pós-doutorado (2019) e doutor (2017) na área de Energia Nuclear na Agricultura pelo CENA/USP com sanduíche na University of Minnesota (EUA, 2016). Tem experiência em manejo integrado de plantas daninhas, comportamento ambiental e rastreabilidade de pesticidas.
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