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Scot Consultoria

Como potencializar o setor leiteiro no Brasil?

Entrevista com o diretor presidente na Agrindus S/A, Roberto Hugo Jank Junior

Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024 - 06h00
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Engenheiro Agrônomo, Diretor presidente da Agrindus S/A. É Vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite - Leite Brasil, Vice-presidente do Conselho Administrativo do Fundecitrus - Fundo de Defesa da Citricultura, Vice-presidente da Abraleite, e membro do Conselho Superior do Agronegócio - COSAG-FIESP.

Foto: iStock


Scot Consultoria: Quanto às expectativas do mercado de leite em 2024, o que podemos esperar dos preços e da rentabilidade para o produtor? E pensando mais adiante, qual a visão de futuro sobre a produção de leite?

Roberto Jank: O final do ano foi difícil, assim como esse início. As importações recordes foram desnecessárias e aumentaram a oferta de forma artificial. A combinação do preço de leite deprimido com a retomada do aumento de custos dos grãos deixou o setor sem margens. Possivelmente, isso vai ter uma contrapartida com a redução da oferta e aumento dos preços no médio prazo. O ano promete ser de retomada de preços e normalidade do ambiente de produção.

Scot Consultoria: Como a adoção de tecnologia de ponta na produção de leite tem colaborado com a competitividade econômica e ganhos de produtividade nas fazendas?

Roberto Jank: Trabalhamos cada vez mais automatizados, reduzindo mão de obra e aumentando sensivelmente o controle sobre os indicadores. A tecnologia aplicada só tende a crescer.

Scot Consultoria: Roberto, pensando na pecuária nacional, frente aos desafios enfrentados atualmente na cadeia de produção de leite, você acredita que nossos sistemas produtivos conseguirão se manter a longo prazo, aumentar a produtividade e garantir a segurança alimentar nacional? Como você avalia a liquidação de vários rebanhos que vem acontecendo ao longo dos anos?

Roberto Jank: A adoção do compost barn foi decisiva para o ganho de escala e produtividade. O número de produtores tende a cair enquanto a produção e o número de vacas tendem a subir. Caminhamos lentamente para um modelo mais profissional. Para acelerar isso, falta um upgrade na relação contratual produtor/indústria, mais visibilidade do setor para os agentes financeiros aportarem recursos e mais compromissos de longo prazo. Não vejo problemas na oferta, mas seguiremos importadores líquidos por alguns anos.

Scot Consultoria: Cada vez mais a sociedade e governos pressionam a agropecuária quanto às questões ambientais, sociais e de bem-estar animal. Como os sistemas de produção de leite intensiva ou extensiva podem contribuir para isso? O que tem sido feito hoje na Agrindus?

Roberto Jank: A melhor contribuição que podemos fazer é o ganho de produtividade dos recursos finitos, água e terra, reciclagem de nutrientes dos efluentes de forma virtuosa e ganho de eficiência produtiva na conversão alimentar. Seguimos nesse caminho, hoje com 40 mil litros/ha/ano, compostagem dos sólidos e fertirrigação da parcela líquida.

Scot Consultoria: Para finalizarmos o papo, quanto às políticas públicas voltadas para o agronegócio: aumentos dos custos de produção, efeitos climáticos e competitividade com os produtos lácteos estrangeiros no mercado brasileiro, são desafios ou oportunidades para a cadeia de produção de leite?

Roberto Jank: O leite é carente de políticas públicas com objetivo de profissionalização do setor. As políticas do leite são muito mais de âmbito social, o que é curioso, já que a atividade é extremamente sacrificante.

Seguimos um caminho lento de ganho de competitividade, mas que poderia ser acelerado com mais visibilidade para investimentos em ganho de escala pelo plano ABC, comercialização de biometano, ganhos de escala e na qualidade da matéria-prima.

Temos vários exemplos no mundo de como o setor leiteiro foi potencializado, inclusive em nossa vizinha Argentina.

Há muito o que fazer, mesmo sabendo que o Brasil está entre os 5 maiores produtores mundiais e talvez seja o único entre os top 5 com enorme potencial de crescimento.


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