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Expectativas da produção agrícola em 2024

Analista agrícola /IBGE, Carlos Alfredo Guedes

Terça-feira, 16 de janeiro de 2024 - 06h00
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Engenheiro agrônomo (2000) e mestre em ciência do solo (2002) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).


AgroNotícias / AgroMais: Carlos, antes de falarmos das expectativas para 2024, em 2023 a produção agrícola foi recorde, segundo o IBGE. A que se deve isso?

Entrevistado: Em 2023, as condições climáticas foram bem favoráveis para o desenvolvimento das principais lavouras, resultando em recordes na produção de milho, soja, sorgo, algodão, dentre outras lavouras de importância econômica, devido às exportações.

AgroNotícias / AgroMais: Apesar dos recordes em 2023, o terceiro prognóstico do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LPSA) apontou uma estimativa de redução da safra em relação ao último ano, quais fatores estão envolvidos?

Entrevistado: O clima tem influenciado já na implantação da safra. Tivemos falta de chuva em estados do Centro-Oeste, trazendo a necessidade de replantio de lavouras de soja, o que não foi observado em 2023. As condições climáticas afetaram a janela de plantio do milho segunda safra, que é uma lavoura muito importante no país, reduzindo o período de plantio, o que poderá impactar no desenvolvimento das lavouras.

E é exatamente a expectativa de uma menor produção de milho que está diminuindo as projeções da produção agrícola em 2024. Outras culturas, como a de algodão, também podem ser afetadas pela mesma razão.  

Além disso, estamos observando quedas na produção de soja em estados importantes, como Mato Grosso, Goiás e Paraná. Entretanto, a esperança de recuperação da produção da oleaginosa no Rio Grande do Sul é o que está segurando as estimativas de produção de soja acima do que vimos em 2023.

AgroNotícias / AgroMais: Em 2023, os recordes foram na soja, milho, sorgo e algodão. Para 2024, algumas dessas culturas tem condições de novos recordes? Ou ficará difícil alcançar os mesmos números?

Entrevistado: Será difícil alcançar os números de 2023. Por enquanto, a expectativa de uma maior produção é somente para a soja, sendo ainda uma produção bem próxima da que foi colhida no último ano. Mas esses números ainda podem mudar bastante, uma vez que observamos quedas significativas em Mato Grosso e Goiás, dois importantes estados produtores.

AgroNotícias / AgroMais: Em relação à área de plantio, segundo as expectativas, poderemos ter avanços de áreas para essas produções ou devemos manter a mesma média do ano passado?

Entrevistado: É esperado um aumento de 1% nas áreas de cultivo de soja. Já para o milho, está prevista uma redução das áreas de plantio, principalmente para o milho segunda safra. Essa menor área cultivada de milho está relacionada, além dos problemas climáticos, às quedas significativas nos preços em 2023, em razão do aumento da oferta interna das exportações em mais de 50 milhões de toneladas de milho e 100 milhões de toneladas de soja. Esse excesso de oferta fez com que os preços caíssem internamente, principalmente o milho, o que pode desestimular os produtores a aumentarem as áreas de plantio para 2024, se não houver uma recuperação de preços desses produtos.  

Entrevista originalmente publicada em AgroMais.


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