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Scot Consultoria

Perspectivas para o agronegócio brasileiro nos últimos meses de 2023

Entrevista com o engenheiro agrônomo, Cesar de Castro Alves

Segunda-feira, 13 de novembro de 2023 - 06h00
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Cesar de Castro Alves é engenheiro agrônomo pela Unesp de Ilha Solteira, mestre em Economia Aplicada pela Esalq/USP, com 18 anos de experiência em análise setorial e agronegócios, atualmente é Gerente de Consultoria Agro no Itaú BBA.


Scot Consultoria: Tradicionalmente, no final de ano, a demanda tende a crescer para os mercados interno e externo. Como deve ficar a questão da oferta, em um ano em que a entressafra ocorreu em um período atípico?

Cesar de Castro Alves: Entre os meses de novembro e dezembro, há uma tendência de menor oferta de gado terminado do que o observado em agosto e setembro, dado o desestímulo aos confinadores decorrente da pressão intensa sobre os preços do boi naquele momento. Ainda assim, acreditamos que os abates seguirão superiores ao observado no ano anterior.

Vale dizer que, aos custos atuais de boi magro e ração, a engorda intensiva voltou a fazer sentido a partir de outubro, porém esses animais não estarão terminados em 2023, o que sugere uma oferta mais organizada até o final do ano. Outra questão importante é que o atraso das chuvas deverá postergar a recuperação das pastagens, reduzindo o volume de gado de pasto terminado ainda neste ano.

Scot Consultoria: Em alguns momentos, os balizadores de preços de mercado futuro andaram um pouco descolados dos preços praticados no mercado físico. Isso pode seguir para o final do ano?

Cesar de Castro Alves: Não acredito que isso deverá seguir para o final de ano. De fato, quando a recuperação do mercado físico iniciou, em meados de setembro, chegamos a ver um ágio de até R$20,00/@ do contrato com vencimento em novembro (mercado futuro) e o mercado físico.

De lá para cá, os preços convergiram, com o mercado físico se recuperando e o mercado futuro se estabilizando. Acredito que este descolamento não voltará a ocorrer em curto prazo, pois o principal vetor da recuperação do boi naquele momento, foi o enorme spread da indústria na venda de carne no mercado interno, o que foi corrigido.

Chegamos a ver este indicador rodar em positivos 20,0% (sem subprodutos) mas com a recuperação do bovino, nas últimas semanas tem estado mais próximo dos 7,0% a 8,0%, o que ainda é bom historicamente para a indústria em anos de boa oferta, mas talvez não o suficiente para uma nova arrancada do mercado futuro. Teríamos que ver a carcaça casada voltando a subir consistentemente, o que não é o nosso cenário, para melhorar o spread e “carregar o boi”.

Scot Consultoria: O momento político atual da Argentina, que está em período de eleições e passando por desafios econômicos e de produção pós problemas climáticos, pode refletir em uma maior participação brasileira nas exportações de produtos agropecuários?

Cesar de Castro Alves: Especialmente em farelo de soja, uma janela se abriu ao Brasil na exportação, decorrente da péssima safra de soja colhida lá neste ano. Temos expectativa de recuperação da produção argentina em 2023/24 associado ao El Niño, expectativa que deve ser acompanhada. Caso o fato se concretize, a Argentina tenderá a elevar a competição com o Brasil buscando recuperar o espaço perdido. Entretanto, estruturalmente falando, e voltando o olhar para o longo prazo, acredito que as importantes reformas econômicas a serem feitas e a mão pesada do estado sobre o agronegócio, os impedirá de competir bem com o Brasil.

Scot Consultoria: Em comparação com as outras carnes (suíno e frango), como está o cenário relacionado ao consumo, tanto para os preços praticados, quanto às expectativas até o final do ano?

Cesar de Castro Alves: A queda dos preços da carne bovina ocorrida neste ano e a recuperação do frango desde meados do ano, proporcionou vantagem relativa da ave sobre o dianteiro bovino, por exemplo, algo que foi marcante nos últimos anos e até no meio de 2023, voltou à média histórica.

A relação de preços também segue próxima da média histórica contra o suíno. Ou seja, o cenário sem dúvida é favorável para o consumo de carne bovina, os preços estão menores, há boa disponibilidade interna e as proteínas de origem animal concorrentes não estão mais depreciadas. Teremos uma recuperação considerável do consumo aparente de carne bovina neste ano, em função principalmente do ciclo, não da renda.


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