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Scot Consultoria

Passos fundamentais para atingir a eficiência no manejo de pragas em pastagens

Entrevista com a engenheira agrônoma, mestre, doutora e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Fabrícia Zimermann Vilela Torres

Segunda-feira, 11 de setembro de 2023 - 06h00
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Graduada em Agronomia pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (2002), mestrado e doutorado em Entomologia Agrícola pela Universidade Federal de Lavras (2005 e 2009, respectivamente). Atualmente, é pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, atuando na área de entomologia de plantas forrageiras tropicais, com ênfase em manejo integrado de pragas, controle fitossanitário e resistência de gramíneas forrageiras às cigarrinhas-das-pastagens.


Scot Consultoria: Sabemos que as Brachiaria ssp. são suscetíveis às cigarrinhas. Os danos causados pelas cigarrinhas-das-pastagens diminuem a produtividade? Existe uma solução ou um manejo que seja mais adequado?

Fabrícia Zimermann Vilela Torres: Os prejuízos causados pelas cigarrinhas-das-pastagens são decorrentes da sucção de seiva e injeção de saliva tóxica, causando fitotoxemia (intoxicação sistêmica nas plantas) e interferindo na atividade fotossintética da planta. Isso leva ao amarelecimento e secagem, reduzindo a produção de matéria seca (MS), a capacidade de suporte, a qualidade da pastagem e a persistência da gramínea. A produção de capim pode sofrer perdas de até 40% e a produção de carne pode sofrer um impacto de redução de 70%. Mas, nem todas as braquiárias são suscetíveis às cigarrinhas-das-pastagens, assim como ocorre com outros gêneros de gramíneas forrageiras. Por isso, a melhor forma de lidar com as cigarrinhas-das-pastagens é o uso de cultivares de gramíneas forrageiras resistentes, uma vez que o controle já vem embutido na semente. Além disso, outras formas de controle incluem o manejo da altura do capim, não deixando “sobrar” pasto (ambiente ideal para o desenvolvimento das cigarrinhas-das-pastagens), e o uso de inseticidas biológicos e químicos registrados para pastagens.

Scot Consultoria: A Duplachionaspis divergens (Hemiptera: Diaspididae), é uma cochonilha responsável por sugar nutrientes do capim, deixando as touceiras amareladas e secas, causando danos visíveis e significativos. Quais são as principais formas de controle da praga e como evitar sua rápida disseminação?

Fabrícia Zimermann Vilela Torres: Esta cochonilha tem uma ocorrência relativamente nova em pastagens. Seus danos já foram percebidos em diversas localidades do país, mas ainda não há estudos sobre seu controle. Verificamos em campo, que os danos podem ter relação com a altura em que o pasto é mantido, ou seja, assim como para as cigarrinhas-das-pastagens, pastos mal manejados, com “sobra” de forragem, podem proporcionar ambiente mais adequado para o desenvolvimento desta cochonilha. 

Scot Consultoria: Quais as estratégias de manejo mais eficientes para o controle das pragas nas pastagens? Existe um tipo de controle mais recomendado?

Fabrícia Zimermann Vilela Torres: Não existe uma forma de controle mais eficiente que seja a mesma para todas as pragas de pastagens, pois cada inseto tem sua particularidade, alguns são melhor combatidos com o manejo da altura do capim, enquanto outros com cultivares resistentes, por exemplo. E existem ainda aqueles que somente o tratamento com inseticidas (biológicos ou químicos) pode resolver.

Scot Consultoria: Quais os principais ativos que podem ser usados como desalojantes para o combate de cigarrinhas-das-pastagens? Quanto de eficiência podemos obter com esses produtos?

Fabrícia Zimermann Vilela Torres: O uso de produtos chamados “desalojantes” pode incrementar o controle de cigarrinhas-das-pastagens quando a aplicação for direcionada para a fase ninfal destas, aumentando assim o período de recomendação de controle, uma vez que a duração da fase ninfal é cerca de três vezes maior que a duração da fase adulta desses insetos. Mas, ainda não existem muitos estudos a esse respeito. Um dos produtos que obteve um aumento de eficiência de controle de um inseticida sobre ninfas de cigarrinhas-das-pastagens é composto por sais de sódio. Para outras pragas, é comum o uso de produtos desalojantes associados à inseticidas, como o enxofre por exemplo.

Scot Consultoria: A presença de cupins em pastagens, em especial os de montículo, é comumente associada a áreas degradadas ou em processo de degradação, o que pode reduzir a área útil de pastejo, causar dificuldade para realização de tratos culturais nos pastos, além de servir como abrigo para animais peçonhentos. Quais são as principais práticas para a extinção dos cupinzeiros?

Fabrícia Zimermann Vilela Torres: O controle de cupins de montículo em pastagens é feito, principalmente, através do uso de inseticidas químicos, que são introduzidos no cupinzeiro através de perfuração vertical até que se atinja a câmara celulósica, ou núcleo, facilmente identificada quando a perfuração fica mais fácil. Vários produtos inseticidas possuem registro para uso em pastagens e podem ser facilmente encontrados no comércio. Outras práticas como a “broca cupinzeira” ou “demolidora de cupins” podem ser usadas, mas são eficientes quando estes implementos conseguem penetrar completamente no solo e destruir totalmente o cupinzeiro, sendo recomendado, nesse caso, fazer a recuperação do pasto após eliminação dos ninhos. É importante ressaltar que, em infestações por cupins subterrâneos (Syntermes spp.), práticas de recuperação por si só não eliminam os ninhos, sendo necessário aplicar inseticida antes da mecanização do solo.


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