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Scot Consultoria

CDIAL Halal prevê crescimento de 100% na certificação de empresas de carne bovina até o final de 2023

Entrevista com o diretor de Operações da CDIAL Halal, Ahmad M. Saifi

Terça-feira, 16 de maio de 2023 - 06h00
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Diretor de Operações da CDIAL Halal, é engenheiro civil pela FEI, pós-graduado em Relações Internacionais na Verbo Divino e possui MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios na FGV. Em sua trajetória profissional, realizou diversos treinamentos sobre certificação Halal para organismos acreditadores ao redor do mundo. Seu foco é fomentar oportunidades de negócios para empresas brasileiras e garantir que os consumidores muçulmanos tenham acesso aos produtos certificados com excelência.


Scot Consultoria: Em sua opinião, quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas que desejam atuar no mercado Halal?

Ahmad M. Saifi: Dentre os principais desafios para entrar e ser bem-sucedido neste mercado, está a necessidade de o empresário conhecer o mercado no qual deseja atuar, além de se informar sobre as questões culturais e se o produto que irá oferecer a esse consumidor atende à demanda daquele país. Também é muito importante que o empresário saiba para qual país deseja exportar. Depois, com essas informações definidas, é possível que a empresa busque a certificação Halal, uma porta de entrada para acessar esse mercado, tendo em vista que, com o selo Halal, esses produtos terão a garantia de atendimento aos requisitos de segurança, qualidade e rastreabilidade.

Scot Consultoria: Qual a principal diferença entre uma planta habilitada para o mercado Halal e uma não habilitada?

Ahmad M. Saifi: Uma planta habilitada é aquela que passou por um processo de auditoria, realizada por um profissional de uma certificadora habilitada. Nesse processo, o auditor se baseia tanto nas normas Halal de cada nação muçulmana, quanto nas normativas brasileiras, por exemplo, do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) ou ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Para obter a certificação, é necessário que a planta atenda aos quesitos exigidos pela jurisprudência islâmica em todas as etapas de sua cadeia produtiva e não devem utilizar e nem ter contato com qualquer produto haram, por exemplo, aqueles de origem suína.

Scot Consultoria: Qual a perspectiva para o mercado brasileiro quanto à demanda por produtos Halal para os próximos anos na visão da CDIAL?

Ahmad M. Saifi: A perspectiva é positiva para o mercado brasileiro de produtos Halal e se torna ainda mais evidente quando consideramos o tamanho do mercado global. Esse é um mercado enorme e em constante crescimento. Aproximadamente, um quarto da população mundial é muçulmana (1,9 bilhão de pessoas), com previsão de atingir 2,8 bilhões em 2050, e movimenta, atualmente, em torno de US$ 5,74 trilhões ao ano.

Com esse contexto em mente, é fácil ver o porquê de muitas empresas brasileiras estarem buscando a certificação Halal para seus produtos. O mercado global de produtos Halal é enorme e continua a crescer, oferecendo oportunidades significativas para as empresas que conseguem atender às necessidades tanto dos consumidores muçulmanos, como em geral, que buscam garantia de qualidade e rastreabilidade.

Com uma base sólida de exportação de alimentos e um crescente número de consumidores muçulmanos no mercado interno, o Brasil está bem-posicionado para continuar sendo um importante fornecedor no mercado global de produtos Halal.

Scot Consultoria: Dentre os produtos comercializados pelo Brasil, qual é, hoje, o principal negociado junto ao mercado? Além da proteína animal, quais outros produtos vêm tendo destaque na obtenção do certificado Halal?

Ahmad M. Saifi: O Brasil é o maior exportador de proteína Halal do mundo, mas há espaço para abertura de mercado em diversos segmentos. Como exemplo, ainda dentro da proteína animal, além da carne de frango brasileira - produto já consolidado neste comércio bilateral Brasil-Países Árabes - o segmento de peixes já começa a enxergar o potencial desse mercado. Diante desse cenário promissor, para 2023, a expectativa da CDIAL Halal é de 50% de crescimento de certificações para o segmento de peixes. Essa perspectiva é motivada pelo enorme potencial do Brasil para atender a esses consumidores, tendo em vista a capacidade produtiva, qualidade e preço competitivo do produto brasileiro. E, para além da proteína animal, neste ano, a expectativa da certificadora é aumentar em 25% as certificações em todas as categorias, inclusive de produtos industrializados, cosméticos, fármacos, entre outros.

Dentre outros segmentos que estão em busca de comércio com os países árabes, também tem se destacado o setor químico. As certificações da CDIAL Halal, para as indústrias química e bioquímica, passaram de 24% em 2021 para 40% em 2022, com destaque para empresas de colágeno e gelatina, aditivos alimentares, aromas, químicos e saneantes. Ainda falando sobre químicos, a certificação Halal também pode ser concedida a empresas de suplementos nutricionais, minerais, enzimas, coadjuvantes de processo, medicamentos, fertilizantes, materiais de limpeza, têxteis e produtos de couro.

Scot Consultoria: Quais as principais diferenças, considerando a produção animal e vegetal, nos tipos de certificação envolvidas ao mercado Halal?

Ahmad M. Saifi: Cada país tem suas próprias autoridades religiosas que estabelecem requisitos específicos para a certificação Halal. Alguns desses requisitos incluem a forma como os animais devem ser abatidos, os métodos de abate permitidos, os ingredientes permitidos e a forma como os alimentos são processados. Na Malásia, por exemplo, é necessário que o abate seja realizado por muçulmanos e que o animal seja abatido manualmente.

Por isso, é importante que as empresas que desejam exportar produtos Halal sejam capazes de compreender e atender aos requisitos específicos de cada país.

Como certificadora Halal, nossa responsabilidade é garantir que os produtos que certificamos estejam em conformidade com os requisitos específicos de cada país, a fim de atender às necessidades dos consumidores muçulmanos em todo o mundo.

Scot Consultoria: Olhando para as espécies animais, quais os procedimentos para enquadramento dentro da linha de produção à certificação Halal?

Ahmad M. Saifi: Para que a proteína animal seja considerada Halal, é necessário que o animal seja permitido e seu abate seja realizado de acordo com as normas islâmicas. Em muitos países, é preferível que o abate seja realizado por um muçulmano, que deve se referir a Deus antes do abate. No entanto, em alguns países, isso não é obrigatório e o abate pode ser realizado por não-muçulmanos, desde que sejam supervisionados por um muçulmano.

Independentemente de quem realiza o abate, o animal deve estar saudável. Além disso, a lâmina deve ser afiada e o corte deve ser rápido e preciso, evitando o sofrimento do animal. Após o abate, o sangue do animal deve ser completamente drenado, antes de qualquer tipo de processamento. Todos os equipamentos e utensílios utilizados no abate devem ser limpos e higienizados de acordo com as normas de segurança de alimentos. Esses procedimentos se aplicam a várias espécies animais, incluindo bovinos, ovinos, caprinos e aves. Embora haja algumas variações específicas para cada espécie animal, o princípio geral é sempre garantir que o abate seja realizado de acordo com as normas islâmicas.


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