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Scot Consultoria

Confina Brasil: destaques da expedição e próximos passos do projeto

Entrevista com os analistas de mercado da Scot Consultoria e membros da equipe técnica do Confina Brasil, Hugo Mello, Raphael Poiani e Felipe Dahas

Terça-feira, 8 de novembro de 2022 - 12h00
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Felipe Dahas é médico-veterinário, membro da equipe da Scot Consultoria e coordenador da pesquisa-expedicionária Confina Brasil. Participa desde a primeira edição como pesquisador de campo e foi o responsável pela coordenação das análises dos números levantados.

Hugo Mello é analista de mercado da Scot Consultoria e técnico do Confina Brasil.

Raphael Poiani é zootecnista pela Universidade Federal de Goiás - UFG, Campus Goiania - GO. É analista de mercado da Scot Consultoria e pesquisador de mercado nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos, couro e sebo e técnico do Confina Brasil.

Foto: Scot Consultoria


Scot Consultoria: Dahas, pode explicar aos leitores o que é o Confina Brasil e quais foram os destinos dessa edição?

Felipe Dahas: O Confina Brasil é uma pesquisa-expedicionária promovida pela Scot Consultoria com a finalidade de levantar dados da pecuária de corte intensiva no nosso país. O projeto começou em 2020 e terminamos a terceira edição em outubro/22. Esse ano contamos com 5 rotas, mapeando cerca de 250 propriedades em todo o território nacional.

A primeira rota teve como destino o Sudeste, visitando São Paulo e a região do Triângulo Mineiro. Na segunda rota visitamos o Mato Grosso do Sul. No terceiro giro de viagens, optamos por fazer a divisa de Mato Grosso com a Bolívia, indo até o meio de Rondônia, conhecendo toda a região do vale do Guaporé, onde temos uma concentração de gado muito relevante.

A quarta rota visitou o norte do Pará, desde Belém, onde ocorrem as grandes exportações de gado vivo, até o Maranhão, passando por Imperatriz e Balsas, o polo da agricultura do estado.

Para finalizar, rodamos o estado de Goiás e parte de Minas Gerais, na região de Paracatu e da Chapada.

Scot Consultoria: Falando de regiões tão diversas, o que vocês perceberam de semelhanças e diferenças em relação à tecnificação da produção e evolução tecnológica dentro da pecuária intensiva nesses estados?

Felipe Dahas: Foi muito legal ver nitidamente a evolução de muitos confinamentos nos últimos dois anos. Voltamos nas propriedades visitadas em 2020 para entender o que mudou e evoluiu nesse período, e conhecemos novas regiões e confinamentos, enriquecendo nossas experiências e análises.

Um ponto que já destaco é a Integração Lavoura-Pecuária. Em 2020, poucos praticavam a atividade, somente os pecuaristas que estavam mais à frente das informações. Hoje em dia, vemos a integração e a compostagem como atividades quase indispensáveis dentro da pecuária intensiva. Todos tem feito essa sinergia hoje em dia, para otimizar a produção e diluir custos.

Essas atividades proporcionam um ciclo sustentável, onde o alimento que sai da terra nutre o animal e, esse animal, por sua vez, consegue devolver algo para essa terra.

Hugo Mello: Me surpreendeu positivamente essa otimização do sistema produtivo como um todo. Por exemplo, propriedades que fazem a semeadura de capim em consórcio com o milho segunda safra, como estratégia para fazer uma recria de animais que chegam um pouco mais leves, até que eles atinjam o peso para entrar no confinamento, onde serão alimentados com uma silagem preparada com esse mesmo milho.

Além da questão da integração, é possível perceber a entrada de novas tecnologias de gestão de sistemas operacionais e financeiros. Os produtores que vêm intensificando percebem a necessidade de compilar e analisar dados e a importância disso no momento da tomada de decisões. O confinamento não se destina mais apenas à engorda de animais para o abate, você consegue usar ele de várias formas de acordo com sua atividade e objetivo.

Raphael Poiani: Adicionando à fala do Hugo, um ponto que chamou minha atenção foi o uso do confinamento de forma estratégica no sistema produtivo. Vimos muitos confinamentos usados como opção de sequestro de bezerros, ou como forma de fazer uma recria intensificada, até mesmo para auxiliar as fêmeas a atingirem o peso ideal para entrarem mais rapidamente à estação de monta.

Scot Consultoria: Em relação a essa última rota, quais os principais desafios para os produtores de Goiás e Minas Gerais?

Felipe Dahas: Em Goiás existe até uma brincadeira entre os próprios confinadores: “aqui temos preço de boi mato-grossense, com insumo a preços paulistas”. A dificuldade do custo de produção e venda dessa arroba são um pouco mais elevadas comparadas a outros estados.

Quando olhamos para confinamento, o estado com maior concentração de confinamentos é Mato Grosso, mas o estado que realiza maior prestação de serviços de confinamento (boitel) é Goiás. O confinamento goiano é extremamente profissionalizado, vimos grandes estruturas, confinamentos que abatem 160 mil animais no ano, os maiores confinamentos da América Latina, em capacidade estática, e grandes plantas frigoríficas com capacidade de abate de até 2600 cabeças/dia.

Mas esse tamanho também gera certa dificuldade para o produtor, tendo em vista que em determinada época a oferta é bem mais concentrada e acaba deixando a ponta compradora mais confortável em pressionar os preços. O grande desafio para o produtor goiano hoje é o alto custo de produção em meio a uma arroba desvalorizada.

Será que confino 100% da minha capacidade, para diluir o custo de ociosidade do confinamento, ou “tiro um pouco o pé” por conta dos altos custos de produção? Com os preços variando, uma estratégia para sair dessa “sinuca” é buscar uma solução através de trava de preços dos grãos e do boi. Diminuir os riscos através de travas pode ser uma boa ideia nesse cenário, pelo menos para garantir os custos de produção.

Scot Consultoria: Os últimos dois anos foram marcados pelos elevados custos de produção. Vocês viram dentro das propriedades uma maior adesão às ferramentas de trava de preços?

Hugo Melo: As operações de travas ainda não são tão frequentes. O produtor enxerga a instabilidade do mercado, mas ainda tem um certo medo em realizar essa trava. As pessoas geralmente justificam esse receio por não ter assistência no uso dessas ferramentas. Até mesmo quem faz uso da estratégia, não costuma fazer em larga escala. São muitas perguntas: qual o tipo de operação? Qual a porcentagem de animais que devo trabalhar dentro do contrato?

Mas, apesar das incertezas, essa é uma parte do mercado que deve ser melhor explorada e que está se tornando cada vez mais comum e necessária. Acredito que vamos chegar em um ponto que essa atividade se tornará necessária para que algumas contas fechem.

Scot Consultoria: Agora, com o final da quinta rota, qual o próximo passo dentro do projeto?

Raphael Poiani: Nesse momento estamos lançando os dados compilados das mais de 250 propriedades visitadas. Alcançamos um “n” de cerca de três milhões e quinhentas mil cabeças de gado confinado, um número bastante expressivo para realizarmos nossas análises.

O benchmarking do Confina Brasil leva conhecimento da situação real da pecuária intensiva no Brasil, assim como análises do desenvolvimento e particularidades da atividade pecuária em cada um dos estados brasileiros. O objetivo do levantamento é avaliar a pecuária nacional e ajudar o pecuarista nos seus próximos passos.


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