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Scot Consultoria

Confina Brasil 2022: fim da primeira rota

Entrevista com a equipe técnica do Confina Brasil, Hugo Mello e Felipe Dahas

Terça-feira, 19 de julho de 2022 - 06h00
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Felipe Dahas é médico-veterinário, membro da equipe da Scot Consultoria e coordenador da pesquisa-expedicionária Confina Brasil. Participa desde a primeira edição como pesquisador de campo e foi o responsável pela coordenação das análises dos números levantados.

Hugo Mello é analista de mercado da Scot Consultoria e técnico do Confina Brasil.

Foto: Scot Consultoria


Scot Consultoria: Felipe, na sua opinião, quais os principais destaques de cada região visitada na primeira rota?

Felipe Dahas: Acabamos de voltar de São Paulo e Triângulo Mineiro, foram aproximadamente 44 confinamentos visitados. O modelo de gestão de trabalho nessas regiões está bem evoluído em pontos como a tecnificação dessas propriedades e o trabalho com ferramentas de proteção de preços. Os coprodutos utilizados também são um diferencial, como polpa cítrica e polpa úmida, além do preço da arroba de comercialização desse gado ser mais elevado em relação às outras regiões do país.

Scot Consultoria: Apesar das peculiaridades das regiões visitadas, o que é mais visto (em questão de dificuldades e problemas) nos confinamentos em geral?

Felipe Dahas: De maneira geral a maior dificuldade é a mão de obra qualificada. Observamos que os produtores têm investido muito em treinamentos, seja no campo ou dentro do escritório. O produtor tem enxergado que esse pessoal precisa ser estimulado e bonificado pois, como os equipamentos e tecnologias aplicadas dentro da fazenda têm um alto valor agregado, quem vai operar esses processos precisa estar bem instruído e estimulado para trazer bons resultados.

Hugo Mello: Os incentivos para o colaborador tendem a aumentar os resultados, a satisfação do empregado e diminuir a rotatividade dentro da propriedade.

Scot Consultoria: Nos confinamentos que foram visitados, era comum a utilização de produtos de agroindústrias para reduzir o preço da dieta dos animais?

Felipe Dahas: Se formos parar para analisar, a dieta base de um confinamento gira em torno do milho, farelo de soja e uma silagem de boa qualidade, mas frente à elevação dos custos desses insumos, os produtores tendem a optar por outras fontes de energia.

Hugo Mello: Nas regiões que visitamos é comum, devido às usinas que ficam nos arredores das propriedades. Mesmo em locais com usinas mais distantes, fazendo as contas, pode continuar sendo interessante para o pecuarista trazer alguns insumos, mesmo com o frete. Produtos oriundos da produção do etanol de milho, bagaço de cana, polpa cítrica e melaço de soja são exemplos dos insumos mais vistos nessa primeira rota.

Scot Consultoria: O que vocês podem comentar a respeito da sinergia entre agricultura e confinamento no entorno das regiões dos confinamentos visitados?

Felipe Dahas: Em 2020, primeiro ano do Confina Brasil, a Integração Lavoura Pecuária já era conhecida, mas nem todas as propriedades aplicavam o método. No ano passado essa atividade aumentou consideravelmente e, nesse ano, já vem sendo uma realidade quase unânime, quem tem agricultura faz a terceira safra com capim. A arroba produzida a pasto vai ser mais barata que a confinada, você tem menos operacional e custos com insumos, então quanto mais você puder “diluir” essa arroba a pasto, melhor.

Como sinergia, observamos o uso dos dejetos dos animais sendo reaproveitados na agricultura, via compostagem, para depois essa colheita se tornar alimento para o próprio animal. Então os dejetos viram adubo para a agricultura, a agricultura produz o grão ou o volumoso, esse insumo produzido vai alimentar o animal de cocho, enquanto a área liberada é usada para fazer a recria do próximo lote.

Scot Consultoria: Quais são as expectativas para o primeiro e segundo giro de confinamento neste ano?

Felipe Dahas: As expectativas mudaram. Os confinamentos de pequeno porte tendem a desaparecer com os altos custos de produção, pois a exposição ao risco é maior e o poder de barganha na comercialização, tanto do gado com o frigorífico, quanto dos insumos para alimentar o gado, costuma ser menor. Propriedades maiores conseguem diluir mais as despesas e trabalhar melhor a intensificação da pecuária.

Não é que a atividade é inviável em um confinamento de pequeno porte, mas definitivamente existem mais desafios. A prova disso é que muitos dos pequenos confinamentos que tentamos visitar esse ano optaram por enviar os animais para boitéis e prestadores de serviço, para conseguir terminar esses animais sem correr tantos riscos.

Scot Consultoria: Com base nas últimas visitas, você pode dizer se é possível fazer investimentos em infraestrutura mesmo em épocas complicadas como essas de alta no custo de produção?

Hugo Mello: Muitos pecuaristas estão vendo que os custos de implantação de tecnologias que visam melhorar a produtividade, principalmente relacionados ao bem-estar animal, fazem sentido e trazem retornos rapidamente. Alguns investimentos do gênero são pagos em questão de dois giros de confinamento. É importante fazer as contas e observar os indicadores, para avaliar quais investimentos cabem no seu bolso e irão trazer retornos e se isso será no curto ou longo prazo.

Scot Consultoria: Quantos confinamentos visitados nessa primeira rota de confinamento utilizam algum tipo de hedge para se proteger das variações de preços?

Felipe Dahas: Sobre o uso de ferramentas para a trava do preço do boi e grãos, em 2020 vimos os pecuaristas bem receosos, porque o mercado de altas naquele momento tornava o cenário confortável e não exigia essas ações. O ano de 2021 serviu como uma escola, a crise da “vaca louca” afetou a atividade e a maioria dos produtores acabou engordando o boi com o milho mais caro do ano e vendendo a arroba mais barata do ano. Em contrapartida, quem travou os preços conseguiu manter os negócios, pelo menos, sem perdas.

A volatilidade fará cada vez mais parte do dia a dia do pecuarista, é recomendável se preparar. Minha dica, como Felipe, é: trave seus custos e vá ao jogo com o restante, para ter uma segurança. Utilize as ferramentas, elas estão aí, mas procure alguém que entende do assunto para te assessorar.

Scot Consultoria: Como foi percebida a questão da entrada da tecnologia no confinamento? Qual tecnologia ou técnica nova presente nesses confinamentos visitados na primeira rota mais te surpreenderam?

Hugo Mello: É muito complicado engessar a palavra tecnologia nesse contexto. Desde um simples sal branco no cocho até as ferramentas de trava de preços mais sofisticadas, tudo isso que você pode usar visando melhorias no seu sistema, é uma tecnologia. Acredito que o que mais me impressionou foram as inovações em infraestrutura e os investimentos em bem-estar animal.

Felipe Dahas:  A pecuária intensiva vem se tornando cada vez mais produtiva e competitiva, então toda tecnologia utilizada da forma correta pode agregar e trazer resultados. Mas tudo precisa ser mensurado, pois uma tecnologia inutilizada é sempre a mais cara, porque ela deixa de ser um investimento e se torna uma despesa. Um prego que você bater errado em uma cerca e for inutilizado, sairá mais caro do que a compra de um misturador que você vai usar para tratar o gado todo dia e trará bons resultados.

Todo investimento tem que ser medido e planejado, você deve conhecer qual retorno isso vai trazer antes de tomar uma decisão.

Scot Consultoria: Conte para nós quais serão os destinos de vocês durante a segunda rota.

Felipe Dahas:  Partimos na segunda (11/7), começando pelo Mato Grosso do Sul. São duas equipes rodando simultaneamente, uma inicia rodando pelo extremo sul de Mato Grosso do Sul (MS) e outra equipe fazendo a fronteira com São Paulo até o Norte de MS. Depois, na semana seguinte, passamos por Mato Grosso, iniciando pela região de Rondonópolis e descendo até Cuiabá.

Nessas rotas vamos encontrar perfis de confinamento diferentes e divulgaremos tudo nas nossas mídias. Portanto, nos acompanhem pelo site (confinabrasil.com) e redes sociais (@confinabrasil) para ficar por dentro de todas as novidades.


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