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Scot Consultoria

Mercado futuro: como minimizar os riscos financeiros?

Entrevista com o superintendente de commodities na B3, Louis Gourbin

Terça-feira, 29 de março de 2022 - 11h20
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Economista, superintendente de commodities na B3, especialista em comércio de commodities físicas e gerenciamento de riscos.

Foto: Envato


Scot Consultoria: Sabendo que 2021 foi marcado pela volatilidade no mercado do boi gordo, com os casos atípicos de "mal da vaca louca" em setembro, quais estratégias, se adotadas, poderiam ter afetado menos o setor pecuário, na sua opinião?

Louis Gourbin: Sempre haverá volatilidade e eventos que impactam o mercado, sejam fatores climáticos, sanitários, políticos ou econômicos. O mais importante é que cada participante do mercado, físico ou financeiro, entenda a sua exposição ao risco e defina a sua tolerância aos mesmos. Com isso mapeado claramente, podem ser implementadas várias estratégias físicas e financeiras: de compra de insumos, venda a termo e estratégias de futuros e opções que garantam a viabilidade do seu negócio.

Scot Consultoria: Em meio à quebra de safra nas últimas temporadas, como o gerenciamento de riscos poderia ter preservado os produtores brasileiros?

Louis Gourbin: Gestão de risco começa com a diversificação de financiamentos, uma boa gestão de barter e uma prática comercial que tenham equilíbrio entre vendas a termo e vendas spot.

Entretanto, ter uma carteira de derivativos em linha com a sua estratégia de riscos pode trazer mais segurança e benefícios financeiros. O essencial é que o investidor procure sua corretora para saber mais e proteger o seu negócio.

Scot Consultoria: Na sua opinião, a logística interna, a complexidade tributária e a volatilidade cambial ainda são os principais problemas que o Brasil tem enfrentado em relação ao comércio de commodities físicas?

Louis Gourbin: De fato, esses são os desafios endêmicos da agropecuária brasileira. Mas o setor está, a cada dia que passa, se profissionalizando e mais apto a lidar com suas complexidades. Além disso, temos perspectivas de melhorias, já que com o tempo alguns desses fatores tendem a avançar e se tornar mais eficientes. Por exemplo, a logística interna brasileira está evoluindo, a reforma tributária está avançando e existe uma proposta de nova lei cambial que deve simplificar e facilitar em fazer o câmbio. Estamos caminhando na direção certa. A B3 está acompanhando as discussões com os vários agentes, públicos e privados, na intenção de desenvolver o mercado de capitais e contribuir com o mercado brasileiro.

Scot Consultoria: Com as movimentações dos contratos futuros de boi gordo em R$65 bilhões em 2021, o que esperar desse mercado para 2022?

Louis Gourbin: 2022 já começa tendo recordes na arroba do boi, o que demonstra que estamos iniciando mais um ano dinâmico para o nosso mercado.  Com certeza, fatores externos impactam o agronegócio brasileiro, incluindo o mercado de carne, reforçando a importância do Brasil na matriz alimentar mundial.

O mercado de commodities é muito exposto às atividades globais, o que afeta, por exemplo, o trigo, milho, soja e o boi gordo brasileiro. Por isso, é essencial que, independente de como os produtos se comportem, os agentes do mercado estejam protegidos através de ferramentas de hedge de preços, que contribuam para uma estratégia robusta, preparada para as nuances do mercado.

Scot Consultoria: Qual a tendência de crescimento das operações de hedge desde 2019? O que esperar para este ano? Algum destaque para o boi e grãos?

Louis Gourbin: O nosso mercado de futuros e opções agropecuários está crescendo. De 2019 para 2021 avançamos 139%, ou seja, de 9.310 contratos negociados diariamente, na média, para 22.231 negociações por dia. Até o final de fevereiro deste ano, alcançamos 24.517 contratos, o que comparando com a mesma época em 2021 representa um aumento de 76%.

O destaque vai para o contrato de milho que cresceu 224%, passando de 4.895 contratos para 15.872 em 2021. Em 2022 o mesmo produto chegou, até fevereiro, a 18.273 contratos, um avanço de 92% comparado ao mesmo período de 2021.

O mercado de derivativos do boi gordo de 2019 para 2021 cresceu 26%. É interessante notar que tivemos um crescimento expressivo da negociação dos futuros com um avanço de 58%, enquanto o mercado de opções caiu 11% no mesmo período. 

No nosso mercado, liquidez gera liquidez, os avanços acima demonstram o espaço que temos para crescer e evoluir.  A agropecuária está mudando, se profissionalizando. Com conhecimento financeiro e cada vez mais propagação de informações, chegaremos ao nível técnico necessário para que ele seja cada dia mais acessado, contribuindo para todo o ecossistema.


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