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Scot Consultoria

Brasil: maior exportador de carnes Halal do mundo

Entrevista com o diretor-executivo da Cdial Halal, Ali Saifi

Quinta-feira, 3 de março de 2022 - 11h00
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Ali Saifi é brasileiro, nascido em São Bernardo (SP) e graduado em Administração de Empresas pela Universidade Metodista. É diretor-executivo da Cdial Halal, vice-presidente do Centro de Divulgação do Islam para América Latina (Cdial), vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil Iraque; embaixador pela paz do EML - European Muslim League e membro do IMMC - International Muslim Minority Community.

Foto: ShutterStock


Scot Consultoria: A certificação na cadeia de produção de peixes tem sido mais comum?

Ali Saifi: De fato, a certificação Halal para alimentos em geral apresenta um crescimento muito importante e as indústrias estão em busca da certificação para entrar no mercado Islâmico. O segmento de “pescados” tem buscado a certificação Halal, não na mesma proporção de aves e boi, mas buscam devido ao que o selo Halal representa que é qualidade, procedência e segurança.

Scot Consultoria: Qual o potencial de crescimento do mercado Halal nos próximos anos?

Ali Saifi: O mercado Halal é um mercado em evolução, que cresce de 15% a 20% por ano.

As expectativas são promissoras para o mercado Halal. Espera-se que o mercado represente quase 1/3 da população mundial, movimentando em torno de US$5,74 trilhões até 2024, de acordo com dados do State of the Global Islamic Economy.

Este crescimento se deve às exigências de países da Ásia Oriental da certificação Halal de produtos farmacêuticos e cosméticos, o que também deve vir a ser exigido pelo Golfo Árabe.

Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apontam que em 2021 as exportações brasileiras para os 22 países da Liga Árabe somaram US$14 bilhões, aumento de 26% em relação a 2020. Só no setor de alimentos, as exportações brasileiras somaram US$8,92 bilhões em 2021, alta de 9,52% sobre 2020.

E a participação brasileira na Gulfood (maior feira do setor de alimentos e bebidas do Oriente Médio) é uma forma de buscar novas oportunidades e ampliar venda de produtos de valor agregado.

Temos destaque na exportação de proteína animal, sendo líderes na exportação de carne de frango Halal. Porém, as indústrias brasileiras de diversos setores têm enorme potencial para explorar esse mercado em ascensão, como fármacos, cosméticos, dentre outras. As portas desse mercado estão abertas, tendo em vista que o Brasil conquistou a confiança dos consumidores de produtos Halal.

Essa conquista se deve à qualidade e rigor na legislação e produção brasileiras, o que contribui para que as empresas brasileiras conquistem a certificação Halal. O processo de certificação analisa toda a cadeia, como a matéria-prima, insumos, transporte e armazenamento, para garantir, dentre outras coisas, que não haja contaminação cruzada com produtos ilícitos, como a carne suína.

Scot Consultoria: A presença de poucas certificadoras atrapalha o potencial de crescimento deste mercado?

Ali Saifi: De maneira alguma. É importante ressaltar que o escopo de atuação da certificadora não é apenas doméstico. A certificadora, como a Cdial Halal, pode optar em certificar fora do seu país também, isso porque as certificadoras passam por várias auditorias anualmente pelas acreditadoras para comprovar que o seu serviço está sendo feito da melhor maneira possível.

Scot Consultoria: Qual a maior dificuldade das empresas brasileiras para conseguirem a certificação?

Ali Saifi: O maior desafio da empresa é entender as exigências da certificação Halal e saber que a certificação não se trata apenas de avaliar a matéria-prima, mas sim o bem-estar e a capacitação do colaborador, além de garantir que nenhum insumo utilizado é de uma fonte/origem ilícita. Isso é a maior dificuldade, pois o certificado Halal não é igual à certificação de orgânico, de glúten free ou da ISO, apesar de serem parecidas. A empresa só não consegue a certificação Halal se não se adequar às exigências, tiver insumos ilícitos (de origem suína por exemplo) e se recusar a trocar por outro produto.

Scot Consultoria: Além do fator econômico, existem outros fatores que incentivam as empresas a entrarem neste tipo de mercado?

Ali Saifi: O selo Halal tem dupla funcionalidade. Ele garante ao consumidor muçulmano que esse produto/serviço atende à jurisprudência islâmica e não contém nada ilícito ou proibido pela religião islâmica. Ao mesmo tempo é um produto/serviço de alta qualidade, atendendo todas as normativas de qualidade (ISO 9001, ISO 22000, ISO 22716, entre outras), oferecendo ao consumidor um produto de alta qualidade, rastreável, seguro para consumo, além de atender à legislação local do país produtor.

Esses motivos fazem com que as empresas busquem a certificação Halal, não apenas por fatores econômicos, mas também para proporcionar um produto de alta qualidade no mercado nacional e internacional.


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