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Scot Consultoria

Cenário no setor de inseminação artificial e expectativas

Entrevista com o diretor Alta Genetics Brasil, Heverardo Carvalho

Terça-feira, 15 de fevereiro de 2022 - 16h30
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Heverardo iniciou sua carreira no agronegócio em 1974, como distribuidor de ordenhadeiras. Em 1980 administrou a propriedade da família, produtora de café e leite. Foi também gerente comercial da Fundação Bradesco/Pecplan em Belo Horizonte/MG e depois gerente da Central de Inseminação Artificial da mesma Fundação em Uberaba/MG. Desde 1996 até os dias de hoje Heverardo é diretor da Alta Genetics Brasil.

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Scot Consultoria: Conte-nos brevemente sobre a história da Alta Genetics no Brasil.

Heverardo: A Alta é líder mundial no mercado de melhoramento genético bovino. Com matriz em Calgary, no Canadá, atua em mais de 90 países com nove centrais de coleta: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Holanda e China.

Com mais de 25 anos de história no Brasil, possui centro de biotecnologia e difusão genética às margens da BR050, em Uberaba/MG, capital mundial do zebu.

São mais de 12 mil visitantes por ano, entre pecuaristas, técnicos, criadores, estudantes e pessoas relacionadas ao agronegócio.

Fomos pioneiros ao desenvolver o primeiro programa de coleta de dados e orientação de bezerras leiteiras, o Alta CRIA. Também visando animais cada vez mais produtivos e saudáveis no futuro do rebanho, desenvolvemos o Padrão Ouro de criação de bezerras leiteiras no Brasil.

Nós temos o programa Concept Plus, que identifica com precisão touros com as melhores taxas de concepção, por análise detalhada de informações de prenhez em campo. Por meio dele, conseguimos respostas concretas sobre a variação de concepção de touros no campo que não são explicadas pelas análises laboratoriais.

Desde 2011, a Alta Brasil comercializa embriões por meio do Alta Embryo, unindo touros e matrizes com qualidade genética superior e a tecnologia dos melhores laboratórios de fertilização in vitro do Brasil. Pelo projeto, os criadores têm acesso a prenhezes comerciais de matrizes rigorosamente selecionadas e acasaladas com os melhores touros das raças de corte e leite, com o objetivo de promover uma aceleração no desenvolvimento genético dos rebanhos.

Iniciamos nossas atividades no Brasil em 1996, quando comercializamos 68.000 doses. Agora, em 2021 foram mais de 8,6 milhões de doses comercializadas, o que nos torna responsáveis pela comercialização de uma em cada três doses comercializadas no Brasil.

Scot Consultoria: Qual foi o balanço do setor de inseminação artificial em 2021? O segmento deverá seguir crescente em 2022?

Heverardo: O crescimento foi de mais de 20% e acreditamos que o mercado continuará crescendo nestes patamares nos próximos anos.

Scot Consultoria: Como funciona o programa "Alta CRIA" e como ele auxilia a criação de bezerras em território nacional? O programa "Padrão Ouro" tem sido bem disseminado? Quais os principais entraves na sua aplicação no campo?

Heverardo: O programa Alta CRIA surgiu em 2017, da necessidade de informações corretas de fazendas realmente organizadas, que conferissem confiabilidade aos estudos e análises dos profissionais da área, especialmente pesquisadores e veterinários. Tem como objetivo levantar os principais índices zootécnicos na fase de cria e recria, de forma a auxiliar no gerenciamento e estabelecer o panorama nacional da criação de bezerras e novilhas leiteiras.

O programa é composto por um seleto grupo de 15 conselheiros, que discutem e trabalham os resultados e as inovações relacionadas às fases de criação, contando com grande participação dos responsáveis técnicos/proprietários de fazendas comerciais distribuídas em quase todo o território nacional. Em 2021, o programa gerou uma publicação de dados de 118 fazendas, utilizados como base para os cálculos e para os resultados de mais de 30.000 bezerras avaliadas. E desde o seu início, o programa já alcançou quase 100.000 bezerras avaliadas.

O programa Padrão Ouro, após três anos de acompanhamento de dados de mais de 40.000 bezerras, propôs em 2020 o padrão ouro de criação de bezerras leiteiras no Brasil, baseando-se no Gold Standards da Associação de Bezerras e Novilhas de Leite dos Estados Unidos (DCHA, 2016), com dados adaptados às condições nacionais de criação. Esses padrões são fruto de um trabalho de benchmarking com as melhores práticas de gestão destinadas a orientar o crescimento de bezerras e novilhas da forma mais eficiente e lucrativa possível, considerando aspectos de desempenho, saúde e bem-estar animal. É importante ressaltar que o Padrão Ouro foi desenvolvido usando dados publicados e contribuições de referências e conselheiros na criação de bezerras no Brasil. Isso será atualizado de dois em dois anos, com próxima atualização agora em 2022.

Scot Consultoria: Qual a sua expectativa para as vendas de sêmen Angus nos próximos anos? A importação de touros de raças europeias é uma tendência?

Heverardo: Atualmente vivemos um momento de foco na reposição de fêmeas, o que desestimula a estratégia do cruzamento industrial. Nos números da empresa, não observamos que este mercado encolheu, mas também não manteve o crescimento do mercado em geral.

Para os próximos anos, com certeza teremos uma retomada do cruzamento industrial, tendo em vista que é uma tecnologia muito bem-vinda para o aumento da produtividade, importante para mercados que exigem velocidade de ganho em peso, precocidade e qualidade de carne. Salienta-se que com fêmeas zebuínas cada vez melhores, o resultado do cruzamento também será muito melhor.

Com isso, a tendência é para novas importações de touros.

Scot Consultoria: Em relação aos padrões do nosso país, quais são os recursos genéticos que vocês mais prezam em manter visando o aumento da produtividade?

Heverardo: Interessante essa pergunta, porque nosso país é muito grande e com uma diversidade de sistemas significativa, e por isso, padronizar indicações significa incorrer em erros. Acredito que temos que levar para o mercado exatamente esta noção, estimular os produtores e consultores técnicos a entender as necessidades específicas e o potencial de seu sistema produtivo, para depois, buscarmos a genética que melhor responderá às oportunidades e desafios dentro deste sistema.

Não podemos esquecer que a produtividade é resultado de uma combinação de diversos fatores como: nutrição, manejo, sanidade, clima, entre outros, e dentro disso está a genética. A genética sozinha não faz nada, da mesma forma que o restante, sem a genética, também não funcionará.

Receitas de bolo não servem quando o assunto é genética. Sendo assim, para quem confina animais é importante se preocupar com desempenho em ganho de peso, eficiência alimentar e produção de carcaças rentáveis.

Por outro lado, para quem possui sistemas mais extensivos e desafiadores, a adaptação, fertilidade e precocidade são itens de primeira escolha. E não se ater apenas às questões mais óbvias, analisar todas as informações disponíveis para entregar mais lucratividade para o produtor com animais mais produtivos e/ou que necessitam de menos recursos do sistema.

Scot Consultoria: A IATF no Brasil hoje é considerada custo ou investimento pelos pecuaristas? Quais estratégias devem ser adotadas para um plano genético de sucesso da propriedade?

Heverardo: A genética sempre foi considerada investimento em uma propriedade rural, mesmo antes da IATF, pois os animais performam em mais de uma safra dentro do sistema reprodutivo, com isso, investir em genética hoje, trará frutos que serão colhidos em mais de uma safra.

Importante salientar que as fêmeas melhoradas geneticamente permanecem nos rebanhos por mais tempo, deixando sempre animais mais produtivos. Esse é um benefício que a pecuária nos oferece e é o que não vemos na agricultura, afinal, uma semente híbrida com alta tecnologia genética só terá uma safra para performar.

Com o surgimento de novas tecnologias, como a IATF, temos observado que diversas delas contribuem na mesma forma para o sistema. A IATF, em especial, é uma das que mais entregam resultados, pois para cada real investido nessa tecnologia, o produtor colherá mais faturamento em produtos nas próximas safras.

Isso acontece porque a IATF não é apenas uma ferramenta para viabilizar o uso de genética de alta qualidade através da inseminação artificial em sistemas extensivos, ela é um tratamento reprodutivo.

A IATF viabiliza melhor taxa de prenhez e traz a maior parte dos nascimentos para a melhor época do ano. Ao fazer isso, aumenta-se o faturamento pelo maior número de animais para a venda e pela melhor qualidade destes animais, além de contribuir com o melhoramento genético e produtividade do rebanho com maior segurança sanitária, maior controle zootécnico, entre diversos outros benefícios entregues por essa tecnologia.

Sobre o plano genético, a melhor estratégia é combinar o objetivo de produção do sistema a um bom diagnóstico do potencial/desafios da propriedade. Com o aumento de preço dos insumos e a escassez de recursos, ter animais que performam mais é vital para o sucesso de uma propriedade.


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