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Scot Consultoria

Estratégias de manejo de pastagens

Entrevista com o engenheiro agrônomo, Neivaldo Tunes Caceres

Quarta-feira, 22 de dezembro de 2021 - 17h00
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Engenheiro agrônomo e mestre em solos e nutrição de plantas pela ESALQ-USP. Com atuação profissional desde 1985 em pesquisa e desenvolvimento em sistemas de produção agrícola em empresas nacionais e multinacionais, trabalhou por 24 anos na geração dos principais herbicidas para pastagens hoje no mercado. Atualmente, é consultor independente, fundador da NTC ConsultAgro, focado no manejo da vegetação em pastagens, reflorestamentos e áreas não agrícolas.

Foto: Envato


Quais são os principais impactos, em termos de produtividade, da presença das plantas daninhas nas pastagens? As perdas observadas estão mais associadas às pastagens propriamente ditas ou aos animais?

Neivaldo Cáceres: Ambos. Você deve observar isso por dois enfoques, um, de produtividade de massa verde, pastagens, e outro da interação com o boi. No primeiro enfoque, o que muitas vezes passa batido é sobre qualidade do capim, que cai com a presença da planta invasora. Quando você tem uma infestação, a planta forrageira vai competir na captação de luz e, nesse processo de estiolamento, há uma transformação característica da planta, que passa a ter um maior número de fibras indigeríveis, perdendo sua qualidade drasticamente. No segundo, observamos que os animais não exploram as pastagens que tenham plantas daninhas, uma vez que os herbívoros possuem a característica de se movimentarem em grupo e, assim, se a área possui arbustos grandes e o animal perde o contato visual, ele evita se dispersar pela área e o aproveitamento é reduzido. Outro ponto de relevância é sobre a presença de espinhos nas daninhas, se a planta não possui espinhos ela interfere numa área de captação de pastagem 1m, mas se possui, o raio vai para 1,5m.

Pensando nos pecuaristas, como podemos fazer para que entendam que o controle de daninhas é necessário?

Neivaldo Cáceres: É preciso que se faça essa demonstração. Uma coisa que acredito ser fundamental para os próximos anos é a implementação de tecnologia. Os custos mudaram drasticamente e todo real que tiver que ser colocado na produção é um investimento no qual o produtor precisa ver o retorno, o ganho em R$/hectare. É nesse ponto que entra o diferencial das empresas privadas, que trabalham com essa demonstração e levam a informação ao pecuarista.

Em um período de custos elevados, qual a melhor alternativa: reforma ou recuperação de uma pastagem degradada?

Neivaldo Cáceres: O fator decisivo é o nível de capim nessa área. Mesmo que a área esteja extremamente degradada, se embaixo houver capim, matando a daninha, o capim vai recuperar. Isso faz da recuperação a alternativa é mais interessante. Primeiro, pelo custo de investimento (a proposta de recuperação gira em torno de 1/5 do custo que se teria com a reforma), e, em segundo, a reforma tem o agravante de necessitar de alguns meses sem o uso de pastagem, período que é reduzido com a recuperação. É importante salientar que, além dos custos com herbicidas, a fertilidade do solo não pode ser esquecida, é preciso que o produtor calcule e planeje esse custo.

Quais são as expectativas para as pastagens brasileiras com o efeito climático La Niña?

Neivaldo Cáceres: Safras atípicas sempre ocorrem, o mais importante para sobreviver a esses momentos é a análise química de solo. A presença de raízes no solo pode estar vinculada ao cálcio, portanto, usando técnicas de doses superiores de cálcio e razoáveis de gesso, é possível aprofundar as raízes e ganhar da seca. E outra estratégia, mais importante, é o manejo, atentando-se aos momentos adequados de entrada e saída, respeitando o potencial de cada cultivar.

Em relação aos defensivos para pastagens, o que pode ser adotado como uma estratégia para 2022?

Não existe uma receita de bolo e nem uma única resposta, o desafio a ser enfrentado é muito relativo. Investir em herbicidas é sinônimo de cuidar de pastagens, se você investe em capim passa a ter maior produtividade e margem de retorno. Entretanto, a aplicação de defensivos tem relação com alguns ativos, principalmente o Aminopiralide e Picloram, que são ativos com residual e, portanto, é importante saber manejá-los. É preciso estar atento à realização de testes, que nem sempre precisam ser enviados à laboratórios, podendo ser substituídos por bioensaios na propriedade, com custos mais baixos.

Esses e outros assuntos são abordados no livro que está lançando: "Plantas Daninhas em Pastagens: Biologia, Manejo e Controle".

Para adquirir o livro, acesse: NTC ConsultAgro

Ouça a entrevista na íntegra: Lançamento do livro "Plantas Daninhas em Pastagens"


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