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Scot Consultoria

Redução de riscos na agropecuária

Entrevista com o zootecnista, Leonardo Alencar

Segunda-feira, 20 de dezembro de 2021 - 17h00
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Leonardo Alencar é graduado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), possui especialização em Gestão do Agronegócio com ênfase em Gestão de Riscos pela Universidade Federal de Lavras e em Estratégia Competitiva pela Ludwig. Ele também realizou MBA em Estoque e Mercado Futuro pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), em Inteligência de Mercado pela Fundação Instituto em Administração (FIA) e em Big Data pela Fundação Getúlio Vargas. Atualmente é responsável pelos setores de Agro, Alimentos & Bebidas no Research da XP.

Foto: Envato


Scot Consultoria: Qual o principal entrave para a utilização, pelos pecuaristas, de estratégias de redução de riscos como, por exemplo, operações de hedge?

Leonardo Alencar: O entrave acaba sendo pelo desconhecimento da ferramenta. Muitas pessoas não têm familiaridade com o mercado financeiro, e isso é motivo de dúvidas e assusta o investidor. Quem possui resistência para usar essas estratégias, acaba não buscando informações para entender suas vantagens e desvantagens.

Há uma falha da B3 em não se aproximar do setor agrícola e levar o conhecimento necessário sobre o uso destas ferramentas. Houve uma evolução no setor de grãos através do papel estratégico das tradings, que aproximaram o produtor do uso da ferramenta. Na pecuária falta um intermediário que faça esse papel educacional.

Scot Consultoria: Após a vivência traumática para o confinador no final do segundo semestre, na sua opinião, há perspectivas de aumento do uso de ferramentas de proteção?

Leonardo Alencar: Após um ano ruim aumenta-se o uso de ferramenta de hedge. Com o passar do tempo há a sensação de que se ganharia mais caso não houvesse feito e o uso começa a cair de novo.

A ferramenta como hedge deve ser considerada como um custo no sistema de produção pecuário e esse custo deve ser absorvido dentro da operação, não sendo uma opcional. É um custo necessário que, no melhor dos cenários, não será utilizado.

Scot Consultoria: Como o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) poderá movimentar o agronegócio brasileiro em 2022 e nos próximos anos?

Leonardo Alencar: Como é uma ferramenta muito recente, nem todo mundo vê com clareza como isso vai impactar de imediato. O Fiagro está sendo interessante, pois está buscando absorver as dívidas que estão sendo emitidas, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Muitas empresas estão emitindo os CRA, possibilitando o acesso para muitos investidores investirem no setor do agronegócio, sem um risco específico de uma empresa.

Quando se faz uma única operação como pessoa física, assume-se um risco direcional, mas, ao comprar um Fiagro, compra-se uma carteira grande de dívida, permitindo que o investidor consiga acessar o agro com uma rentabilidade interessante, sem o risco específico de uma única empresa.

Scot Consultoria: Quando falamos em hedge, qual é o perfil de investidor mais observado entre os pecuaristas de pequeno e médio porte do Brasil?

Leonardo Alencar: O tamanho não está relacionado ao uso da ferramenta. Existe uma sofisticação necessária para utilizar, sendo necessário uma pessoa que tenha controle das informações e custos para travar a receita, além de dados e análises.

O perfil do produtor que usa hedge não é muito vinculado ao tamanho, normalmente é aquele produtor que chegou ao nível mais alto de tecnificação da produção e que busca dar os próximos passos, que são a gestão de risco e a gestão estratégica.

O pequeno produtor pode ser muito tecnificado e ter uma boa gestão, conhecendo o custo exato e travando a receita fazendo um hedge. O grande produtor pode levar anos aperfeiçoando a produção e ter prejuízo em um ano que não se preocupou com a comercialização.

Tem muito produtor de pasto que faz hedge melhor que produtor de confinamento. É preciso entender que a comercialização é uma parte importante na administração de uma empresa rural e não pode ser definida no momento do abate, mas sim, desde o começo da produção.

Scot Consultoria:  Na sua opinião, qual o peso de um evento como o Encontro de Analistas da Scot Consultoria para o agronegócio nacional?

Leonardo Alencar: O grande desafio do setor, de muito tempo, é o viés da informação. É importante misturar os elos da cadeia, indústria e academia, proporcionando visões diferentes e enriquecendo a discussão.


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