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Scot Consultoria

Mercado de enzimas: perspectivas para o setor

Entrevista com o phD pela universidade de Alberdeen e líder global de ciência da DSM Aaron Cowieson

Segunda-Feira, 29 de Junho de 2020 - 17h00
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Nativo da Escócia, Prof. Aaron Cowieson finalizou o phD em 2001, na universidade de Aberdeen. Atualmente é diretor global de ciência na DSM Nutritional Products. Possui mais de 300 artigos científicos publicados e em 2016 recebeu pela American Feed Industry Association o prêmio “Poutlry Nutrition Research” e, em 2019, recebeu o prêmio “Life Mentor Award” pela Poultry Science Association.

Foto: Scot Consultoria


Continuando a rodada de entrevistas da semana, nosso convidado é o prof. Aaron Cowieson, líder global de ciência da DSM, que concedeu uma entrevista exclusiva sobre o mercado de enzimas e as perspectivas do setor para os próximos anos.

Nativo da Escócia, Prof. Aaron Cowieson finalizou o phD em 2001, na universidade de Aberdeen. De 2001 a 2010, prof. Cowieson trabalhou para duas grandes empresas do ramo de biotecnologia, com foco em nutrição avícola nas áreas de enzimas exógenas, qualidade dos ingredientes, mineral e aminoácidos. De 2010 a 2013 foi professor associado de nutrição de aves e diretor da fundação de pesquisas em avicultura na faculdade de veterinária da Universidade de Sidney, Austrália. Atualmente é diretor global de ciência na DSM Nutritional Products. Possui mais de 300 artigos científicos publicados e em 2016 recebeu pela American Feed Industry Association o prêmio “Poutlry Nutrition Research” e, em 2019, recebeu o prêmio “Life Mentor Award” pela Poultry Science Association.

Scot Consultoria: Qual a razão do uso de enzimas exógenas na nutrição animal? Quais os principais benefícios?
Aaron Cowieson: Os principais benefícios das enzimas exógenas na nutrição animal estão associados com a redução dos custos de nutrição/ração, maior flexibilidade na formulação de dietas e melhora na sustentabilidade associada à redução de “pegadas de carbono” e do fluxo bioquímico de nitrogênio e fósforo oriundo da produção animal. Contudo, também podem ocorrer melhoras na produtividade animal, possivelmente, associada aos efeitos conjuntos das enzimas, como a melhora da saúde intestinal.

Scot Consultoria: Nas últimas duas décadas o uso de enzimas exógenas cresceu muito, principalmente na produção de aves e suínos. Quais outros mercados você acredita que podem ter potencial para absorver o mercado de enzimas exógenas?

Aaron Cowieson: Como você citou, o mercado de monogástricos é o espaço onde as enzimas realmente decolaram e, eu vejo muito potencial para maiores crescimentos em termos de dosagens e maiores avanços no mercado de suínos, galinhas poedeiras e perus além, também, de novas tecnologias enzimáticas.

De todo modo, há um crescente interesse no uso de enzimas para ruminantes, por exemplo, amilases, fitases e enzimas que degradam polissacarídeos não-amiláceos, com vastas evidências de efeitos positivos na produção e qualidade de leite e melhores desempenhos em bovinos de corte.

O setor aquícola é outra área interessante e conforme esse setor tem crescido eu acredito que haverá aumento no incentivo das produtoras de enzima em produtos que sejam compatíveis à produção de rações aquícolas e seus mercados.

Scot Consultoria: Atualmente se discute muito sobre saúde intestinal e sua importância para a melhora do desempenho zootécnico. Neste contexto, qual a importância das enzimas exógenas na saúde intestinal e os principais desafios ao seu uso nos próximos anos?

Aaron Cowieson: A maior parte das enzimas exógenas possue capacidade de melhorar a saúde intestinal. Os efeitos são variáveis, mas geralmente observamos: melhora na função da barreira de mucina, na integridade das junções epiteliais e menor requerimento de manutenção pelo animal (melhora da energia líquida e uso de nutrientes), aumento da estabilidade e diversidade da microbiota intestinal e maior resiliência a doenças entéricas. Vejo que esses efeitos resultam de três fontes principais: primeiro, degradação de componentes antinutricionais associados a vários ingredientes (ácido fítico, inibidores de protease etc.). Em seguida, a modulação da microbiota intestinal através, por exemplo, da geração de oligossacarídeos fermentáveis. E, por último, mudanças benéficas na secreção de enzimas endógenas e melhor absorção de nutrientes,  Como o uso de antibióticos na produção animal é cada vez mais  desafiado pelos consumidores, acredito que veremos maior foco em tecnologias alternativas para lidarmos com a saúde intestinal e, nesse aspecto para o futuro, as enzimas têm papel fundamental.

Scot Consultoria: Sobre a redução de custos ao produtor, como as enzimas têm contribuído na redução custo de produção da dieta, tendo em vista que ele corresponde a até 70% dos custos de produção? Quais os principais componentes das dietas que enzimas podem substituir nesta redução do custo da ração?

Aaron Cowieson: Mesmo quando matrizes nutricionais conservadoras são utilizadas às enzimas, a melhora na digestibilidade de fósforo, aminoácidos, energia, minerais traço, cálcio e sódio que resultam do uso combinado de carbohidrase, fitase, protease e muramidase pode resultar em reduções do custo da dieta em torno de 15 a 25 dólares por tonelada de ração produzida.

Essa economia vem, principalmente, da retirada de fósforo inorgânico, gorduras e óleos, farelo de soja (ou outros farelos proteicos) e, pela flexibilização do uso de coprodutos mais baratos. Os efeitos à sustentabilidade ambiental das enzimas também devem ser considerados, já que elas não só geram apreciáveis reduções de poluentes nitrogenados e fosfóricos como também dão ao produtor a oportunidade de usar fontes locais de ingredientes gerando menor poluição por gases do efeito estufa no transporte.

Scot Consultoria: Qual posição encontra-se hoje no mercado, o setor de enzimas exógenas e, qual dessas enzimas é o carro chefe deste mercado? Quais as perspectivas para o futuro do mercado?

Aaron Cowieson: Nos anos 80 e começo dos anos 90, o carro chefe do mercado de enzimas foram as xilanases e isso trouxe grande contribuição para melhoras econômicas e sustentabilidade ambiental, especialmente em rações à base de trigo.

Na metade/fim dos anos 90 até 2010 eu diria que as fitases passaram a ser o carro chefe da tecnologia de enzimas e isso trouxe avanços substanciais em vários aspectos, especialmente no manejo do fósforo.

 A concorrência no mercado de fitase tem sido acirrada e isso levou a uma diminuição significativa dos preços que, combinada com o aumento do conhecimento sobre o ácido fítico como antinutriente e o valor significativo do mio-inositol como pró-nutriente, também está aumentando as concentrações de inclusão. A protease é recém-chegada, relativamente, como enzima mono-componente e isso gerou um crescimento significativo no setor de enzimas de 2010 ao momento. Acredito que este seja um produto de referência ambiental e oferece aos produtores uma maneira atraente de manter a produção de dietas de menor proteína e poluição por nitrogênio.

Nos próximos anos, acredito que veremos um crescimento no espaço de produtos voltados à saúde intestinal, como as muramidades, que podem remover sobras de células epiteliais desacamadas do intestino, melhorando a função intestinal.

Em resumo, o setor de enzimas tem sido um amigo da indústria de produção animal nos últimos 40 anos, resolvendo alguns pontos significantes e mantendo nossa indústria competitiva e dinâmica. Estou confiante que veremos um andamento nas inovações e criatividades do setor, em colaboração com os produtores para os próximos quarenta anos.


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