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Scot Consultoria

ILPF: quais as vantagens para esse sistema de produção?

Entrevista com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Alberto Bernardi

Segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020 - 05h50
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Engenheiro agrônomo, possui mestrado e doutorado em agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela ESALQ/USP, e pós-doutorado (Nitrogen cycling and management) no USDA - ARS - Pasture System and Watershed Management Research Unit (2013). Atualmente Alberto Bernardi é pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (desde 1998), com experiência em Fertilidade do Solo e Adubação, atuando nos temas das boas práticas de manejo, tecnologias de fertilizantes, recomendação de adubação, diagnose foliar, métodos de análise, integração lavoura-pecuária, uso de minerais na agricultura e agricultura de precisão.

Foto: Scot Consultoria


Nesta semana nosso bate-papo é com Alberto Bernardi, que comentou sobre a importância do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e suas vantagens do ponto de vista de produtividade.

Alberto de Campos Bernardi é engenheiro agrônomo, possui mestrado e doutorado em agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela ESALQ/USP, e pós-doutorado (Nitrogen cycling and management) no USDA - ARS - Pasture System and Watershed Management Research Unit (2013). Atualmente Alberto Bernardi é pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (desde 1998), com experiência em Fertilidade do Solo e Adubação, atuando nos temas das boas práticas de manejo, tecnologias de fertilizantes, recomendação de adubação, diagnose foliar, métodos de análise, integração lavoura-pecuária, uso de minerais na agricultura e agricultura de precisão.

Scot Consultoria: Alberto, como o sistema de ILPF pode ser uma boa alternativa para os produtores?

Alberto Bernardi: Os sistemas em integração com e sem o componente florestal propiciam diversos benefícios como: aumentos de produtividade de forragem, carne e leite, grãos e madeira; melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo devido ao aumento da matéria orgânica do solo; aumento do estoque de carbono; redução da pressão de desmatamento de novas áreas pelo efeito “poupa-terra”; estabilidade econômica e aumento da renda com a diversificação das atividades; redução de custos no médio e longo prazos; redução da vulnerabilidade aos riscos climáticos e melhoria na qualidade de vida do produtor rural e sua família.

Scot Consultoria: Quais as vantagens de se possuir o componente árvore na produção associada?

Alberto Bernardi: As árvores proporcionam maior diversificação de renda, pois além da colheita da cultura anual (para grãos ou silagem), e produção de carne ou leite, há ainda a produção de madeira na mesma área. Além disso, a sombra das árvores plantadas em linhas afastadas também proporciona conforto térmico aos animais, que se beneficiam, e, portanto, revertem em maior produtividade de carne ou leite.

Scot Consultoria: Árvores geram mudanças no ambiente onde estão, pois são vegetações de grande porte quando comparada às gramíneas, isso altera a formação das pastagens?

Alberto Bernardi: O efeito na pastagem tem que ser olhado com cuidado, pois o sombreamento das árvores poderá reduzir a produção da pastagem pela competição por luz. Por isso temos recomendado espaçamentos entre as linhas de árvores maiores que 20 metros. No entanto, há dados de pesquisa mostrando que a forragem produzida no consórcio com as árvores é de melhor qualidade nutricional. Outra vantagem que foi observada foi o maior acúmulo de matéria orgânica em maiores profundidades gerando pior estoque de carbono no solo. 

Scot Consultoria: Como qualquer alteração no modo de produção, acredito que essa também exija esforços, qual seu conselho para o produtor que optar pelo método de ILPF na propriedade?

Alberto Bernardi: Antes de tudo: planeje-se! Especialmente se pretende plantar árvores no sistema. Planeje o destino que será dado à madeira, se será para energia ou serraria. Este planejamento é essencial, porque não se pode esperar 5 a 7 anos para decidir o destino da madeira. Isso vai definir o tipo de árvore que será plantado, se clone ou seminal, por exemplo.

Há um aumento na taxa de lotação de animais no verão, no entanto, as produtividades do pasto no inverso são menores, por isso são necessárias alternativas para a suplementação dos animais, ou mesmo o confinamento.

Capacite-se: por serem sistemas mais complexos são necessários mais conhecimentos específicos de diferentes culturas e animais. Conhecer áreas já implantadas pode ser um bom início. Ha vários materiais disponíveis para estudo. 

Scot Consultoria: O produtor já conhece o ILPF? Qual seria um possível auxílio para o agricultor/pecuarista na adesão da modalidade?

Alberto Bernardi: Acho que o produtor já reconhece o ILP, pois em 2015 havia quase 12 mil hectares neste sistema no Brasil. Mas o ILPF representava menos de 5% desta área. Hoje estima-se que pode haver cerca de 15 mil hectares em cultivo com ILP. A proporção de ILPF não deve ter mudado. Isso mostra que o produtor já entendeu as vantagens do sistema e está adotando.
Há um programa de governo (Plano ABC) que financia projetos de implantação de ILPF, entre outras tecnologias (plantio direto, recuperação de pastagens, uso de fixação biológica de nitrogênio, plantio de florestas, manejo de dejetos, etc.). O produtor apresenta um projeto no banco e consegue recursos com juros mais baixos. Poderia ser mais adotado, mas falta ainda técnicos (agrônomos, zootecnistas, veterinários) com conhecimento para dar suporte. Este é o gargalo.
Por isso estamos trabalhando na capacitação de técnicos como forma de difundir o ILPF, além disso, trabalhar cada vez mais na divulgação de resultados.


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