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Scot Consultoria

Os impactos da peste suína no mercado das carnes de frango e suíno

Entrevista com o diretor executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin

Terça-Feira, 14 de Janeiro de 2020 - 10h00
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Advogado e mestre em Ciências Políticas formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atualmente é diretor executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Ricardo também é membro do Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS), da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (CEBEU), da Sessão Brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Japão, do Conselho Empresarial Brasil-México e do Conselho de Integração Internacional da CNI.

Foto: pixabay.com


Nesta semana nosso bate-papo é com Ricardo Santin, escolhido recentemente pelo Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) como novo presidente da entidade que representa a avicultura e a suinocultura do país, a partir de abril de 2020. Ele abordou como a peste suína impactou o mercado das carnes de frango e suína, além das expectativas para 2020.

Ricardo Santin é advogado e mestre em Ciências Políticas formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atualmente é diretor executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Ricardo também é membro do Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS), da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (CEBEU), da Sessão Brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Japão, do Conselho Empresarial Brasil-México e do Conselho de Integração Internacional da CNI.

Scot Consultoria: Ricardo, como a peste suína impactou nos números de exportação de frangos?

Ricardo Santin: Desde o segundo semestre de 2018, a ABPA e o setor produtivo anotavam sinais de que uma forte disrupção estava a caminho no comércio internacional. A crise sanitária que eclodiu na China e em diversos países da Ásia, África e Europa expandiu, com forte impacto na oferta mundial de proteínas. A carne suína, que até 2018 era a principal proteína produzida e consumida no mundo, sofreu uma drástica redução na oferta.

Conforme levantamentos do Rabobank, em torno de 25% da oferta chinesa de carne suína - que até então era responsável por metade das 113 milhões de toneladas produzidas anualmente em todo o mundo (dados de 2018) - foi impactada em 2018 pela mortal peste suína africana. Metade do rebanho chinês foi comprometido, o que deve fazer com que a crise perdure por mais alguns anos.

Se a lacuna deixada apenas no mercado chinês supera 13 milhões de toneladas, o comércio internacional sequer ultrapassa nove milhões de toneladas (dados de 2018). Em outras palavras, mesmo que todo o comércio internacional fosse direcionado para a China, não haveria oferta de carne suína suficiente para cobrir tamanha lacuna.

Neste contexto, a carne de frango foi imediatamente impactada. A China assumiu em 2019 a liderança nas importações brasileiras de carne de frango - até então, ocupada pela Arábia Saudita. O Brasil, que sozinho fornecia mais de 85% da carne de frango importada pela China (até a reabertura do mercado para o frango norte-americano), destinou para o país mais de 513 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e novembro de 2019 (maior volume já exportado para o país asiático), equivalente a 13,7% de tudo o que o Brasil exportou no intervalo, volume 28% superior ao embarcado para o mercado chinês em 2018 no mesmo período.

Em receita, as vendas aumentaram 45% segundo o mesmo período comparativo, alcançando US$1,073 bilhão. No ano, o preço médio das vendas ao mercado chinês aumentou 13,3%, superando US$2.090,00 por tonelada - desconsiderando o mix de produtos, já que em 2019, pela primeira vez, o Brasil embarcou peito de frango para a China. 

Com a demanda elevada, o interesse chinês por mais frango brasileiro ficou claro com a habilitação de mais plantas frigoríficas em 2019, que saltou de 37 para 46 unidades habilitadas.

Scot Consultoria: O brasileiro tem consumido mais proteína de frango? O que esperar do mercado de frango para 2020?

Ricardo Santin: As projeções do setor indicam que o Brasil produziu mais carne de frango em 2019, que deve fechar com 13,15 milhões de toneladas, volume projetado 2,3% superior à produção total de 2018. Neste quadro e com exportações próximas a 4,2 milhões de toneladas, o consumo per capita deve totalizar 42,6 quilos em 2019, 2,2% superior ao registrado em 2018. 

Os indicadores mostram o incremento no consumo brasileiro de carne de frango, consumo que deve se manter estável no próximo ano. Isto, em parte, pelo fato de que não são esperadas fortes retrações nos preços ao consumidor, considerando a elevada demanda internacional, o câmbio favorável e os custos de produção pressionados pela alta no milho.

Scot Consultoria: Qual a importância do protocolo de bem-estar animal na produção de frango de corte?

Ricardo Santin: O protocolo de bem-estar na produção de frangos de corte é um fator importante para a manutenção dos ganhos produtivos e uma exigência cada vez mais considerada pelo mercado consumidor.

O Brasil segue protocolos internacionais de bem-estar estabelecidos pela OIE e outros organismos internacionais.

Scot Consultoria: Ainda com cenário incerto em sua produção, a China deve continuar mantendo alta sua importação de proteína animal do Brasil. Com isso, quais as expectativas do preço interno do frango e do suíno no Brasil para 2020?

Ricardo Santin: A produção de aves dá indicativos de elevação, como forma de compensar a pressão de mercado pelo produto. De suínos, com um ciclo expressivamente mais lento, não é esperada uma forte elevação nos níveis de produção. De qualquer forma, com o quadro de custos de produção relativamente elevados para o setor, naturalmente os preços não deverão retomar os patamares praticados anteriormente.

Scot Consultoria: Com esse aumento no preço do frango e do suíno, como vocês têm avaliado o desempenho dos ovos no mercado? Essa proteína animal tem tendência de crescimento de consumo para o próximo ano?

Ricardo Santin: Barato e abundante, o ovo é um substituto natural das carnes, quando assunto é preço. Este ano, o consumo per capita deverá crescer 10%, alcançando 230 unidades per capita/ano (equivalente à média mundial de consumo, mas ainda distante de grandes consumidores, como México, com mais de 380 unidades per capita/ano). Se espera, entretanto, que também o ovo sofra impactos nos preços praticados devido à alta nos custos de produção, com a elevação do preço do milho.

Scot Consultoria: Recentemente, o governo brasileiro anunciou a habilitação de mais 13 plantas frigoríficas para vender carnes à China. Qual a avaliação da ABPA sobre a notícia? Já era esperada? Ricardo Santin: As cinco novas plantas produtoras e exportadoras de suínos e as três unidades de aves devem ampliar ainda mais a importância da China na pauta exportadora de proteína animal.  Agora, o Brasil passa a contar com 16 plantas habilitadas para exportar carne suína para o mercado chinês, e 46 plantas para embarques de carne de frango

Recebemos a notícia com grande otimismo, mas sem surpresas. A ministra Tereza Cristina liderou missões, juntamente com o setor produtivo, e promoveu vários esforços com o objetivo de habilitar novas unidades frigoríficas. As sinalizações positivas dadas nos encontros foram reforçadas pelo quadro de forte demanda vivido pelo mercado chinês.

Scot Consultoria: Em consequência da peste suína africana nos países asiáticos, a procura pela importação brasileira da proteína de frango tem aumentado consideravelmente. Essa tendência deve permanecer em 2020? 

Ricardo Santin: Há a expectativa de manutenção da demanda chinesa. O quadro gerado pela crise sanitária em território chinês não é de curto prazo. Alguns analistas indicam até cinco anos para reversão. Por isto, além da demanda por carne suína, outras proteínas, como a carne de frango, deverão manter fluxo intenso de embarques para o país asiático.

Scot Consultoria: Do ponto de vista da ABPA, o Brasil tem tomado medidas suficientes para se proteger da PSA?

Ricardo Santin: O Brasil intensificou seus esforços para prevenir a entrada da enfermidade, como a realização de campanhas de esclarecimentos no campo, intensificação da aplicação dos protocolos de biosseguridade, investimentos para ampliação do controle em aeroportos, entre outros.

Scot Consultoria: A ABPA e Apex-Brasil, uniram forças a fim de promoverem uma ação durante evento com autoridades sanitárias da China. Qual foi o objetivo traçado e a visibilidade alcançada?

Ricardo Santin: A ABPA mantém com a Apex-Brasil uma parceria de longa data, voltada para a promoção comercial e a ampliação dos negócios do setor exportador da avicultura e da suinocultura do Brasil. São ações nas maiores feiras de alimentos, em mercados estratégicos para a nossa produção. Somente em 2019, foram três grandes feiras chinesas com presença da ABPA e seus associados. A mais recente, na CIIE, buscou fortalecer laços com autoridades sanitárias chinesas – público alvo do evento, que tem por objetivo definir o plano de exportações da China para os próximos anos.

Scot Consultoria: As exportações da carne suína também tiveram alta nos indicadores de outubro da entidade (23%, resultado cambial), o que segue impulsionando as vendas?

Ricardo Santin: A crise sanitária que ocorre em vários países da Ásia, incluindo a China, deram impulso às exportações. Nossas exportações para o mercado asiático cresceram exponencialmente, decorrente da falta de carne suína. Conforme o Rabobank, a China – que era o maior produtor mundial de carne suína, com 54 milhões de toneladas anuais – deve ter reduzida em 25% a sua produção de 2019.

Desde janeiro deste ano, a China assumiu a liderança entre os principais destinos das exportações da avicultura e da suinocultura do Brasil. Entre janeiro e outubro, o país asiático importou 183,1 mil toneladas de carne suína (+40% em relação ao mesmo período do ano passado), gerando receita de US$429,8 milhões (+66%). De carne de frango, foram 444,7 mil toneladas (+22%), com resultado cambial de US$931,7 milhões (+38%).



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