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Scot Consultoria

A importância da gestão de pessoas na agropecuária

Entrevista com o médico veterinário e sócio-investidor da Embratec, Marcelo Cabral

Segunda-feira, 25 de novembro de 2019 - 08h00
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Possui graduação em medicina veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais, e atualmente é sócio e investidor da Embratec.

Foto: Scot Consultoria


Na rodada de entrevistas da semana, nosso bate-papo é com Marcelo Cabral, um dos nossos palestrantes do Encontro dos Encontros da Scot Consultoria de 2019. Marcelo tratou sobre a relevância de uma boa gestão de pessoas dentro da atividade agropecuária.

Marcelo Cabral possui graduação em medicina veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais, e atualmente é sócio e investidor da Embratec.

Scot Consultoria: O senhor poderia comentar um pouco sobre o tema de sua palestra em nosso Encontro?

Marcelo Cabral: A minha abordagem foi direcionada à parte de gestão humana nas organizações, na tamanha dificuldade que os donos de fazendas e até mesmo outros negócios encontram no gerenciamento de talentos, e na falta de contratação desses talentos, das dificuldades, mas também das possibilidades das capacitações e treinamentos. Fui questionado durante a minha apresentação em como reter boas pessoas, além de citar alguns pontos de como atender às necessidades básicas delas, para assim, serem atraídas para o trabalho e permanecerem no negócio.

Scot Consultoria: Qual a importância de uma boa gestão de pessoas e qual seu impacto em um negócio?

Marcelo Cabral: Essa operação impacta diretamente no resultado, ou seja, uma operação bem feita gera economia, resultados e produtividade. A falta de capacidade das realizações operacionais ocasiona menos bezerros nascidos, mais mortalidade, menos produtividade de pasto e animal. O comportamento humano e o operacional estão atrelados, e, consequentemente, são as pessoas que comprometem diretamente os resultados.

Scot Consultoria: Marcelo, o senhor poderia nos dizer quais são os pontos importantes de uma boa gestão?

Marcelo Cabral: Inicialmente indicamos começar com boas contratações, que já é um desafio imenso, porque de fato faltam opções. Um ponto importante é verificar fontes confiáveis e estruturadas de mão de obra, tanto em nível operacional como gerencial.

Além da contração, é valido lembrar que infelizmente algumas demissões podem ser necessárias, inclusive em prol da permanência dos bons. Falamos da tamanha responsabilidade que um bom gestor tem em mãos de deixar de lado sentimentos de amizade e carinho pela pessoa, para entender quem de fato deve permanecer no ambiente de trabalho.

Tirando os inadequados, um outro ponto que merece destaque seria investir em programas de treinamentos de capacitação e desenvolvimento, como cursos e palestras, encontros e reuniões periódicas.

A partir disso, perceber que outro critério necessário para o recrutamento de seleção e o desligamento, seria um alinhamento cultural. Pode-se hoje preferir perder um funcionário tecnicamente bom, pelo desalinhamento com o jeito da empresa trabalhar. E talvez prefira contratar alguém menos competente tecnicamente, que ao longo do caminho possa se capacitar, devido ao bom alinhamento que esse funcionário tenha na empresa e na harmonia entre seus colegas de trabalho.

Scot Consultoria: Hoje temos um problema muito comum, de se ter um bom funcionário na fazenda, mas ele não permanecer por motivos familiares, tecnologias e etc. Que dica o senhor poderia nos dar para incentivar um bom funcionário a querer se estabelecer na fazenda?

Marcelo Cabral: A questão familiar é extremamente importante. A estabilidade familiar gera uma estabilidade profissional, não diretamente, mas ela pré-dispõe. Um indivíduo que está satisfeito, e, quando possível, com uma renda agregada à família vindo do salário da esposa, seria um bom começo. O funcionário desconsidera qualquer chance de pedir demissão quando há possibilidade de o casal estar junto e trabalhando dentro da fazenda. Os filhos, dentro do possível, perante a lei, têm os limites de idade para se envolverem na atividade, e isso infelizmente é um grande gargalo, mas é um fato e precisamos conviver.

Resumindo, a possiblidade de estimular a família na integração, o apoio, a estrutura familiar, são fundamentais. A quantidade de manejos que são afetados diretamente por casamentos desajustados é impressionante. Atrás disso vem drogas, alcoolismo, afastamento, dificuldade de relacionamentos, frustações, e consequentemente pouco resultado, e até mesmo riscos físicos, então existe uma necessidade de estruturar o caminho, capacitação e principalmente estruturação das famílias.


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