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Scot Consultoria

Mercado futuro e dólar no próximo ano

Entrevista com o superintendente de commodities na B3, Louis Gourbin

Quinta-Feira, 07 de Novembro de 2019 - 17h00
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Economista, superintendente de commodities na B3, especialista em comércio de commodities físicas e gerenciamento de riscos.

Foto: Scot Consultoria


Nesta semana nosso bate-papo é com Louis Gourbin, um dos participantes do Encontro de Analistas da Scot Consultoria. Na entrevista, Louis comentou sobre o mercado futuro do boi gordo e fatores que influenciam no preço do dólar. Confira!

Louis Gourbin é economista, gerente executivo de commodities na B3, especialista em comércio de commodities físicas e gerenciamento de riscos.

Scot Consultoria: Estamos quase no final de 2019 e o dólar não chegou perto das projeções iniciais. Qual a expectativa do senhor para a moeda norte americana em 2020?

Louis Gourbin: Na B3 nós não fazemos projeção de mercado, mas na minha visão, além dos fundamentos, existem fatores pontuais que vão guiar o câmbio nos próximos meses:

- Brasil: juros, entrega das reformas;

- EUA: impeachment, campanha presidencial 2020;

- EUA/China: guerra comercial.

Scot Consultoria: Existe uma tendência de aumento das opções sobre os contratos futuros de commodities? Algum destaque para o boi e o milho?

Louis Gourbin: Olhando o histórico de 2016 até agora, a média anual das opções de todas as mercadorias está entre 51%-62% do estoque e sem tendência clara. No milho temos uma média entre 60%-65% e no boi gordo passou de 55% em 2015 para 72%-77% em 2017-2019. Isso se explica pelo tamanho importante de posições de futuros em 2015.

Scot Consultoria: Quais as principais mudanças na nova metodologia para contrato futuro de boi que estreará em 2020?

Louis Gourbin: Há duas principais alterações incorporadas à nova metodologia:

1. A composição da amostra passará a contemplar a inclusão de frigoríficos com registro no Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP).

2. O cálculo do Indicador de Preços do Boi Gordo CEPEA/B3 passará a ser efetuado em função da ponderação do preço pelo número de cabeças negociadas, de acordo com a fórmula e regras indicadas na metodologia.

Por natureza, o tema de indicadores baseados em coleta é um desafio no mundo todo, não só aqui no Brasil. O propósito dessas alterações é o aprimoramento do indicador para buscar uma maior adesão às dinâmicas comerciais do mercado físico agropecuário do estado de São Paulo e aumentar a participação dos contribuidores, o, que por sua vez, deve fortalecer os contratos da B3.

Scot Consultoria: O mercado futuro do boi, que já chegou a movimentar quase R$50 bilhões por ano no auge, diminuiu para menos de R$15 bilhões. A que se deve essa redução?

Louis Gourbin: O valor nacional negociado em reais não é, necessariamente, o melhor indicador da saúde do mercado futuro porque o preço do objeto alvo pode variar sem refletir qualquer deficiência do mercado de derivativo.

Como infraestrutura de negociação, existem dois indicadores que avaliam a performance do mercado de futuros e opções: (i) Estoque (posições abertas) e (ii) ADV (negociações diárias). 

Olhando para os números, 2019 apresenta um recorde de estoque, com 48.297 contratos abertos na média anual e 82.788 contratos no fim de setembro, outro recorde.

Olhando para o lado da negociação diária (ADV), os números estão distantes da máxima histórica, mas a tendência mostra uma recuperação após um ano (2018) decepcionante.

Scot Consultoria: Na sua opinião, atualmente quais problemas o Brasil tem enfrentado em relação ao comércio de commodities físicas?

Louis Gourbin: Identifico três fatores que tornam mais complexo o comércio de commodities no Brasil:

I.    A logística interna, que sempre será um grande componente da formação de preço, mas que tem como fatores agravantes a volatilidade dos custos e a assimetria do acesso de alguns mercados (ferrovia, por exemplo);

II.   A complexidade tributária, que continua sendo um fator que traz distorções entre os participantes e dificulta o livre comércio e circulação de bens (em alguns casos gera fluxos ineficientes);

III.  A volatilidade cambial, que é uma variável dificilmente controlável.  A dolarização das commodities, na composição do preço e na comercialização, é um fator exógeno que traz complexidades para a cadeia inteira: produtor rural, indústria e, por fim, o consumidor brasileiro.


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