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Scot Consultoria

Os prejuízos causados pela estiagem no Paraná para a cultura da soja

Entrevista com o Técnico Agropecuário e produtor rural em Itambé-PR, Valdir Edemar Fries

Terça-Feira, 29 de Janeiro de 2019 - 06h00
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Técnico Agropecuário e produtor rural em Itambé-PR.

Foto: pixabay.com


A preocupação dos produtores de soja com as perdas na produção devido à estiagem ocorrida no final de 2018, principalmente no Paraná, causou grande repercussão e ainda não se sabe qual o prejuízo causado.

Diante disso, a Scot Consultoria conversou com Valdir Fries, produtor rural de Itambé-PR, para saber qual a visão do produtor sobre o assunto e como estão sendo as perdas em sua propriedade.  

Scot Consultoria: Senhor Valdir, conte-nos um pouco sobre a sua fazenda, qual o tamanho da área e quais culturas o senhor produz?

Valdir Edemar: A minha propriedade possui 205 hectares de plantio, localizada em Itambé-PR. No verão nós plantamos basicamente lavoura de soja e no inverno safrinha de milho. Já faz três anos que estamos antecipando um pouco o plantio de soja para início de setembro, para entrarmos com a terceira safra, e nessa plantamos trigo. Então, em parte da nossa área já estamos nos programando para fazer esse manejo. A área de soja onde já iniciamos a colheita me dá condições para retirada do milho segunda safra no final de maio, para depois entrar com plantio de trigo no final de maio e início de junho.

Claro que esse planejamento depende também do clima. Se tudo correr bem, faremos essa terceira safra de trigo. Embora a viabilidade econômica do trigo não seja tão favorável porque não existe uma política da cultura bem definida no país, plantamos o trigo com o objetivo da rotação de cultura, para formar uma melhor estrutura de palhada no solo.

Scot Consultoria: A repercussão sobre os prejuízos causados pelo veranico tem assustado muitos produtores, principalmente aí no Paraná. Contando com a experiência do senhor como produtor, qual a perda que o senhor estima para sua propriedade em produção?

Valdir Edemar: No início do plantio ocorreu tudo bem, tivemos boas chuvas em setembro, bons volumes em outubro também. Em novembro, tivemos uma perda de 50% na precipitação comparada com o mês anterior. Na minha região nossa média é de 170mm a 200mm mensal caiu para 85mm de chuva em novembro. Em dezembro passamos por estiagem e ficamos praticamente mais de 20 dias sem ocorrências de chuvas, isto associado a altas temperaturas, prejudicando o desenvolvimento das lavouras de áreas que tínhamos acabado de realizar o plantio, além da frutificação das lavouras em áreas que foram plantadas em setembro.

Colhemos o primeiro talhão entre os dias três e cinco de janeiro, antecipamos a colheita em 15 dias, pois a estiagem e o calor anteciparam o ciclo da cultura. Nesse talhão que colhi eu tive duas produtividades diferentes, uma superior, com perdas estimadas em aproximadamente 30%, e outra área com 65% de perda por falta de estrutura no solo. Na área que antigamente era destinada à cana-de-açúcar, ou seja, com solo menos estruturado, as perdas foram mais significativas. Já na área onde tínhamos a soja antes e que o solo estava melhor formado, as produtividades chegaram a 45 sacas/ha.

Scot Consultoria: Em dezembro o Deral estimou uma perda de produtividade na soja entre 5% a 10%. O senhor acredita que essa projeção deve subir? Como estão as produtividades na sua região?

Valdir Edemar: A minha produtividade média histórica na propriedade é na faixa de 70 a 80 sacas/ha, porém, neste ano os primeiros talhões como disse anteriormente, tive perdas de 30 a 65%, agora nas lavouras que ainda tenho para colher, estimo perdas em torno de 10 a 20%. Tivemos regiões no estado em que as perdas chegaram a 70-80%, de maneira geral, nas regiões do Oeste do estado, Cascavel. Os registros de perdas lá são mais significativos do que para nós, produtores aqui do Noroeste do estado.

Scot Consultoria: Em relação ao milho as perdas foram tão severas como na cultura da soja?

Valdir Edemar: Há regiões no Noroeste do Paraná que não têm o costume de plantar milho no verão, normalmente os produtores na primeira safra plantam soja e depois milho segunda safra. Nas regiões onde se tem o plantio de milho de primeira safra, as perdas são menores devido à época de plantio do cereal. Para a soja, o Deral publicará até o final de semana a estimativa de produção atualizada, mas provavelmente virá com perdas superiores aos últimos relatórios, que afetaram principalmente o Oeste e Noroeste do estado, nesse último a região é de arenito e, nessas terras, as lavouras sofreram consequências maiores.

Scot Consultoria: Quais são os principais manejos que o senhor utiliza para amenizar a situação?

Valdir Edemar: Em termos de manejo de lavoura temos feito a correção do solo, adubação em cobertura com fertilizantes e, no pré-preparo de todo o solo e estrutura, usamos adubos orgânicos como a cama de frango, por exemplo. E toda a correção do solo é feita através de análises de solo com acompanhamento técnico.

Fazer um bom manejo da cultura como um todo ajuda a amenizar situações como essas. Eu tive perdas mais e menos significativas em áreas diferentes plantadas no mesmo dia, onde você tem um solo bem estruturado com boa fertilidade, com correção adequada, conseguimos obter produtividades superiores, mesmo em anos como esse de estiagem. Então, as perdas relativas às secas são mais significativas em solos com menor estrutura e fertilidade.

Outra perda que observamos esse ano foi referente à escolha da variedade, nós temos cultivares que perderam mais e outras menos. Eu tenho uma área de pesquisa dentro da minha propriedade, em parceria com a Cooperativa Agrícola Industrial de Mandaguari (COCARI), onde realizamos dias de campo. Observamos que dependendo da variedade (cultivar) plantada a cultura sentiu bem mais em anos como este.

Plantamos todas as cultivares no mesmo dia, e as perdas em produtividades mudaram de acordo com as variedades de soja, ficando em torno de 10%-20% e, outras, chegaram a 60%-65%. Então, entre as 30 variedades analisadas, podemos concluir que cerca de 10 delas se deram muito bem na região, em altitude em torno de 370m.

Eu tenho um blog, com a finalidade de registrar realmente tudo o que acontece na lavoura e lá dá para acompanhar bem mais detalhadamente as perdas pela estiagem. Acesso no link: https://valdirfries.wordpress.com/

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