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Scot Consultoria

Confina Brasil: encerramento da segunda rota

Entrevista com analista de mercado da Scot Consultoria Eduardo Henrique Seccarecio

Terça-feira, 31 de agosto de 2021 - 15h00
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Graduado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP-Esalq), Eduardo Seccarecio é analista de mercado da Scot Consultoria e integrante da equipe do Confina Brasil 2021

Foto: Confina Brasil


Scot Consultoria: Seccarecio, com a oportunidade de conhecer cenários de confinamentos de diferentes estados, quais são os principais pontos positivos do Confina Brasil, sob o seu ponto de vista? Houve alguma dificuldade durante a expedição?

Eduardo Seccarecio: Do meu ponto de vista, a expedição nos permite compreender as diferenças entre os sistemas de produção de bovinos de corte no país por meioda coleta e análise dos dados. Cada região tem sua particularidade, mas o que ficou claro para nós é que a busca por eficiência é unânime. E desta forma, pretendemos contribuir com a pecuária nacional através da construção do nosso benchmarking.

Outro ponto importante: a vivência durante a rota traz uma visão mais ampla sobre a agropecuária para todos os técnicos envolvidos, proporcionando crescimento pessoal e profissional em vários aspectos.

Além disso, nossas mídias levam ao público informações do dia a dia da expedição de forma branda e descomplicada, desmistificando a pecuária de corte para o público em geral e levando informação técnica aos que já são da atividade.

Fora a correria e o cansaço, não enfrentamos grandes dificuldades. A logística em alguns pontos ainda é deficiente, mas as melhorias estão acontecendo. Isso demonstra a potência do agronegócio e a garra dos que produzem nessas regiões.

Scot Consultoria: Quais foram os pontos que mais chamaram sua atenção em relação aos confinamentos localizados em Rondônia? Você acredita que a pecuária intensiva nesse estado será promissora daqui uns anos?

Eduardo Seccarecio: O estado de Rondônia impressionou pelo desenvolvimento, pois a agricultura tem crescido ano a ano e a pecuária segue no mesmo rumo; a tecnologia é um ponto comum a ambos. O confinamento tem sido uma estratégia de encurtamento de ciclo no estado e o crescimento da agricultura tem viabilizado cada vez mais esta ferramenta, visto que a oferta de grãos e coprodutos tem aumentado consideravelmente. Além disso, sistemas de integração lavoura-pecuária também colaboram com a intensificação das atividades.

Scot Consultoria: Com relação à pecuária intensiva/semi-intensiva no Mato Grosso, por que a sustentabilidade merece destaque?

Eduardo Seccarecio: No Mato Grosso encontramos uma agricultura mais consolidada, porém ainda em expansão para áreas que antes eram tradicionais de pecuária. O que chamou a atenção foi a sinergia entre as atividades. Do algodão de Sapezal, aproveita-se praticamente tudo nas dietas de confinamento, do caroço e torta ao capulho, que antes não tinha grande serventia. No eixo do grão, o milho é consumido in natura, mas também é matéria-prima para as usinas de etanol de milho, que por sua vez fornecem os DDGs como ingrediente de alto valor nutritivo. A grande oferta de alimento no estado traz viabilidade econômica aos confinamentos.

O ciclo está mais fechado, o boi aproveita o capim plantado em consórcio pós milho segunda safra. No confinamento consome os produtos e coprodutos, que no final retornam parcialmente à terra em forma de esterco, enriquecendo o solo.

A preocupação com a mão de obra foi uma característica comum em praticamente todas as fazendas visitadas. Os dias de campo e cursos para colaboradores estão trazendo qualificação às equipes de trabalho, o que reflete em melhorias nos índices de produtividade e menor rotatividade dentro das fazendas.

Resumindo o que foi dito, os sistemas de produção estão sendo trabalhados para aumentar a eficiência no uso de recursos humanos, biológicos e financeiros.

Scot Consultoria: No Pará, quais são os cuidados que os pecuaristas tomam com relação ao bem-estar animal de seus bovinos? Como é realizada a estratégia de confinamento nesse estado?

Eduardo Seccarecio: Não só no Pará, mas em todos os estados visitados, observamos a preocupação com o bem-estar animal, tanto em relação à ambiência, utilizando sombreamento nas baias e aspersores para amenizar a poeira e calor, quanto no manejo de curral com treinamento de equipe e manejo racional, evitando-se gritos, uso de cachorro e outras fontes de estresse.

No Pará, o confinamento tem sido usado como estratégia no período da seca. Visitamos propriedades onde era utilizado na terminação (mais comum), mas também encontramos estratégias de “sequestro” na recria de bezerros e para produção das fêmeas “precocinhas”, desafiadas na reprodução aos 12~14 meses.

Um ponto que chamou atenção foi a qualidade dos animais que encontramos por lá. Esse interesse por aumentar o desempenho produtivo tem casado muito bem com a ferramenta de confinamento.

Scot Consultoria: Eduardo, quais são as expectativas para a terceira rota? Qual será sua rota?

Eduardo Seccarecio: Na terceira rota começaremos por dois estados da fronteira agrícola MATOPIBA, Tocantins e Bahia, respectivamente. A expectativa é encontrar regiões em desenvolvimento, com a agricultura em expansão e com crescimento na adoção de sistemas de produção de pecuária intensiva.

Posteriormente, seguiremos para Minas Gerais, estado tradicional na pecuária de corte e detentor de um dos maiores rebanhos do Brasil.

Para finalizar, estaremos em Espírito Santo e Rio de Janeiro, dois estados com menor expressividade na pecuária, frente aos outros citados, mas não menos importantes.

Entender as diferenças e os desafios de todas as regiões com certeza será muito produtivo para toda cadeia pecuária e a única certeza é que podemos nos surpreender, assim como nas rotas passadas.


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