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Scot Consultoria

André Luiz Perrone dos Reis – Confinamento Monte Alegre


Segunda-feira, 4 de julho de 2011 - 17h27

Médico veterinário, graduado em 1992 pela Universidade de Marília. É especialista em produção animal pela Texas A&M University e possui MBA em gestão de agronegócios pela Fundace USP. O Confinamento Monte Alegre surgiu de uma prática tradicional de terminação de animais próprios e descarte das vacas de cria da própria fazenda, sendo o proprietário-criador seu avô Oswaldo Perrone. Em 2002 iniciou o confinamento comprando animais de terceiros para terminação estratégica. Em 2005 foi introduzida também a modalidade de boitel, ou seja, recebimento de animais de parceiros pecuaristas para confinamento. Neste mesmo período o Confinamento Monte Alegre recebeu certificação EUREPGAP, que se mantém até hoje. Em meados de 2008, o Frigorífico Minerva tornou-se parceiro, intensificando as operações. O confinamento trabalha com capacidade estática de 13 mil bois, adequados aos moldes nutricionais de gestão lote a lote e estrutura aprimorada com a preocupação do bem-estar animal, tais como: currais modernos e sistema automatizado de irrigação em 100% dos currais. O projeto dá oportunidade a parceiros pecuaristas de trazer os animais que serão alimentados e cuidados sob gestão do Confinamento Monte Alegre, proporcionando-lhes o melhor custo benefício de um projeto de larga escala. Scot Consultoria: Para iniciar, a Scot Consultoria o parabeniza pela conquista, na Feicorte, do Prêmio Nelson Pineda - Excelência em Confinamento. Nesse sentido, em sua opinião, como confinador de destaque, quais são os fatores, ferramentas ou pontos fundamentais para se obter sucesso nessa atividade que exige elevado nível de investimento e planejamento? André Perrone: Agradeço os cumprimentos em nome de toda a nossa equipe. O ponto fundamental para o sucesso de um confinamento é a gestão. A rotina precisa acontecer conforme o planejado, o que exige muito detalhamento, rigor e disciplina. A equipe precisa trabalhar motivada e com conhecimento pleno de suas atividades, além de ser capaz de avaliar o impacto de cada uma das ações no resultado final. Não dá para errar, pois cada serviço é um elo de uma corrente. O planejamento orçamentário, assim como o controle dos recursos, é extremamente rigoroso. Não podemos pecar nem por excesso, o que gera desperdícios, nem por falta de recursos, o que pode parar as engrenagens. É uma atividade de margens estreitas, o que exige exatidão em todas as etapas. Tudo se resume em dois pontos básicos: disciplina e disposição para trabalhar. Scot Consultoria: Como você avalia a questão dos custos do confinamento em 2011? Na prática está mais caro confinar esse ano? Até o momento, a arroba em patamares mais elevados comparado a 2010 tem compensado o crescimento dos preços dos insumos? André Perrone: Sim, quando começamos a planejar o orçamento de 2011 já sabíamos que os custos aumentariam entre 40% a 50% em relação aos de 2010. Essa informação foi obtida pela análise de mercado. Trabalhamos arduamente para reduzir os impactos dessa alta e conseguimos nos adequar aos custos, que estão 25% superiores aos de 2010. Diante dos preços dos insumos o foco é trabalhar na gestão dos custos operacionais e na eficiência alimentar dos animais. Custos operacionais podem impactar em até R$10,00/@ no custo de produção. E uma melhora na eficiência alimentar de 5% pode significar R$5,00/@ produzida. Entendemos que, em cenários de alto custo de matéria prima alimentar, devemos ser mais eficientes na gestão. Trabalhando com bons índices zootécnicos, o preço que está sendo projetado para a arroba no segundo semestre ainda permite lucratividade. Mas é evidente que, em relação aos resultados de 2010, as margens tendem a ser bem inferiores em 2011, caso a arroba não se recupere consistentemente neste segundo semestre. Scot Consultoria: Com os preços dos alimentos concentrados em alta, dietas de alto grão ainda estão vantajosas economicamente? André Perrone: Dietas de alto grão continuam valendo a pena. Além do melhor desempenho produtivo, há um ganho operacional no dia a dia. Os custos operacionais envolvendo o manuseio, a mistura, a armazenagem e o transporte da ração balanceada final acabam sendo otimizados. Devemos nos preocupar com os preços dos concentrados, mas o principal sinalizador para análise econômica é a eficiência alimentar em quilogramas de matéria seca por arroba produzida (kg MS/@ produzida). As dietas de alto grão compensam, pois, conseguem direcionar para conversões até 30% superiores. O preço da dieta de alto grão e sua formulação é uma das variáveis econômicas. Para obter êxito no negócio, a dieta deve ser acompanhada de um bom manejo alimentar, programação e assistência técnica. Scot Consultoria: Com relação ao boi magro, ainda está difícil encontrar essa categoria para compra ou você tem observado uma melhora na disponibilidade de animais de reposição? André Perrone: A maior parte de nosso negócio, não consiste na compra do boi magro, os animais são fornecidos pelos parceiros pecuaristas em modelo de parceria ou diária. O nosso confinamento também possui a operação com animais próprios, e neste caso, temos notado que o preço do boi magro subiu menos que o preço do boi gordo. Encareceu, mas continua valendo a pena. Scot Consultoria: As exportações para o mercado europeu têm patinado. Sendo o Confinamento Monte Alegre pertencente à lista Traces, portanto, habilitado a exportar para União Européia, a que você atribui essa redução nos embarques para esse bloco econômico? Isso tem atrapalhado o pagamento de ágio pelo animal rastreado? André Perrone: A maior oferta de “animais Lista Trace” sai dos confinamentos, portanto, no segundo semestre, daí então a sazonalidade de ágio praticado. Também, quanto à valorização da arroba, é uma questão de oferta e demanda, ou seja, no período atual, temos uma demanda seletiva por alguns cortes. E no momento, a crise na comunidade européia e a taxa de câmbio não nos favorecem. Hoje em dia, um projeto de confinamento tem que levar em consideração o preço médio pago pelo “animal Europa”, se programando para abater animais ao longo do ano, conseguindo melhorar sua média no resultado final da operação. Analisamos sempre o mercado, buscando informações estratégicas, nos aproximando do frigorífico para identificar a real necessidade e tendência do valor do ágio. Assim conseguimos valorizar o nosso gado e o gado de nossos parceiros. Com relação às exigências, temos fazendas brasileiras e frigoríficos capazes de atender o mercado europeu com garantia de qualidade, conforme as exigências que eles mesmos nos impuseram. Em termos de resultados no confinamento, segundo cálculos sobre a nossa realidade, a receita de um boi com o ágio para a Europa aumenta em torno de 5%, na média. E esse aumento na receita equivale a 12% do custo do confinamento. Esse é um valor que nossa parceria agrega aos parceiros e clientes. Apenas garantimos o processo para que o animal, que entra em nosso confinamento, seja habilitado para a Europa. Além de garantir o processo, caprichamos na terminação das carcaças, o que torna o produto realmente diferenciado para o mercado. E se o parceiro ganha, também ganhamos, pois atingimos o objetivo de diferenciar a qualidade em nossas parcerias. Scot Consultoria: Por fim, falando em tecnologia, como estão posicionados os confinamentos brasileiros em relação aos visitados por você nos Estados Unidos? André Perrone: Devido à sua tradição e know how de anos de experiência, os Estados Unidos possuem praças de confinamentos com gestão e estrutura tecnológica avançada. No Brasil, a atividade, de forma geral, passou por grandes evoluções nos últimos cinco anos. Nossos controles, a nutrição, os equipamentos e até mesmo o manejo dos animais vem sendo aprimorado significativamente. A tecnologia não é tão acessível, mas mesmo assim, os confinadores brasileiros já entenderam a tecnologia como aliada e tem buscado aplicá-la cada vez mais. O desempenho obtido e a profissionalização adotada no país estão muito próximos aos utilizados pelos norte-americanos, isso é vital para alcançarmos um alto padrão de eficiência em nossos confinamentos. Uma grande vantagem em relação aos norte-americanos é que nos confinamentos brasileiros existe diversidade no que diz respeito à matéria prima para composição de dieta, o que torna nosso modelo mais versátil e competitivo frente a diferentes cenários político-econômicos. Estamos no caminho certo...
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