Do mesmo gênero botânico, as duas culturas ganham espaço no cultivo de inverno gaúcho, abastecendo cadeias que vão da alimentação humana e animal aos biocombustíveis. A colheita começará oficialmente em 13 de outubro.
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Semeada após a soja, a canola vem se firmando como cultura de inverno no Sul do país. Dela se obtêm o óleo, destinado ao consumo humano, a produção de biocombustíveis, e de farelo, usado na alimentação animal.
A abertura nacional da colheita de canola e carinata será em 13/10, em Ijuí (RS). O evento é organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) e pela 3tentos, que processa o grão no município para a produção de biodiesel.
Segundo a Emater/RS-Ascar, as lavouras gaúchas estavam até a primeira semana de outubro no final do ciclo, entre o enchimento de grãos e a maturação. Dias de maior radiação solar e temperaturas de amenas a elevadas aceleraram a maturação e reduziram a umidade das plantas.
O desempenho, porém, variou entre as regiões. Em algumas delas, doenças, como o mofo-branco e o clima adverso reduziram o número de síliquas (estrutura similar às vagens) por planta e de grãos por síliqua, comprometendo a produtividade. Granizo e vendavais às vésperas da colheita, no Centro-Oeste e no Noroeste do estado, também elevaram as perdas por debulha.
Nas áreas não afetadas, o desenvolvimento das lavouras foi bom.
A área de produção da canola no Rio Grande do Sul está estimada em 353,4 mil hectares e a produtividade média em 1.619 kg/ha (Emater). A saca de 60 quilos estava cotada, em média, R$141,81, considerando as regiões de Ijuí, Santa Maria, Santa Rosa e São Borja (1/10).
Com esses números, a produção gaúcha deverá ser de 572,1 mil toneladas (9,5 milhões de sacas), o que, ao preço médio atual, representa aproximadamente R$1,4 bilhão.
No Brasil, a produção está estimada em 600,6 mil toneladas na safra 2026, alta de 74,2% em relação à 2025, cuja produção foi de 370,7 mil hectares (Conab).
Desde 2020, a produção cresceu 17 vezes.
Figura 1.
Área semeada e produção da canola, nas safras de 2020 a 2026.
Fonte: Conab | Elaboração: Scot Consultoria
Com cerca de 38,6% de proteína bruta, o farelo de canola é um ingrediente de interesse para bovinos, aves, suínos e peixes, entre outros setores.
Tabela 1.
Composição química do farelo de canola.
| Componentes | Média |
|---|---|
| Umidade (%) | 12,0 |
| Proteína bruta (%) | 38,6 |
| Proteína não degradável no rúmen (% da PB) | 43,5 |
| Extrato etéreo (%) | 3,3 |
| Ácido linoleico (%) | 0,7 |
| Ácido linolênico (%) | 0,3 |
| Cinzas (%) | 6,7 |
| Cálcio (%) | 0,7 |
| Fósforo (%) | 1,0 |
| Fibra bruta (%) | 11,2 |
| FDA (%) | 16,2 |
| FDN (%) | 25,4 |
| Fibra alimentar total (%) | 32,4 |
| Sinapina (%) | 1,0 |
| Ácido fítico (%) | 2,3 |
| Glicosinolatos (µmol/g) | 4,2 |
Fonte: Adewole et al. (2016) | Elaboração: Scot Consultoria
É necessária atenção, porém, para a presença a sinapina, composto de sabor amargo que pode reduzir a palatabilidade.
Do mesmo gênero da canola (Brassica), a carinata também começa a ser colhida no estado.
Conhecida como mostarda-etíope, por sua origem africana, ela é cultivada para a extração de óleo destinado à produção de biodiesel e do SAF (sustainable aviation fuel), o combustível sustentável de aviação. O processamento é hoje 100,0% realizado pela empresa australiana Nufarm, que estendeu contratos de compra da carinata até o ano de 2050.
A cultura vem ganhando popularidade na região, porque, hoje, toda a produção é contratada pela indústria na semeadura. A demanda está puxada pela busca de combustíveis de menor emissão de carbono, sobretudo na aviação.
A carinata ocupa cerca de 22,5 mil hectares no Rio Grande do Sul nesta safra, e a expectativa é otimista: chegar a 100 mil hectares em 2027, mais que o quádruplo da área atual. Em julho, a cotação estava, em média, entre R$145,00 e R$150,00 pela saca de 60 quilos.
O grão, porém, não serve à alimentação humana: o óleo tem alto teor de ácido erúcico e o farelo, de glucosinolatos, compostos que também restringem seu uso na nutrição animal.
Por curiosidade, a canola também apresentava, originalmente, altos teores de ácido erúcico e glucosinolatos. Na década de 1970, o melhoramento genético realizado no Canadá reduziu esses compostos a níveis mínimos, dando origem à nova cultura, que recebeu o nome de canola, acrônimo de Canadian oil, low acid.
A produção de canola e carinata vem crescendo na região Sul do país. Em anos de clima adverso, que podem prejudicar a qualidade do trigo produzido na safra de inverno, a escolha pela canola ou pela carinata pode representar menor risco ao produtor.
Além disso, essas culturas possibilitam a rotação anual da produção na safrinha, o que contribui para a quebra do ciclo de algumas pragas e para a melhoria da qualidade do solo. No caso da canola, suas raízes pivotantes também podem favorecer a produtividade do trigo no ciclo seguinte.
Para os próximos anos, pode-se esperar que o crescimento na produção continue, principalmente pela demanda crescente da cadeia de biocombustíveis em todo o mundo.
Referências:
ADEWOLE, D. I.; ROGIEWICZ, A.; DYCK, B.; SLOMINSKI, B. A. Chemical and nutritive characteristics of canola meal from Canadian processing facilities. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0377840116307325
CANOLA ganha espaço no campo e transforma cenário das culturas de inverno no RS. Passo Fundo: UPF, [2026]. Disponível em: https://www.upf.br/multi/noticia/canola-ganha-espaco-no-campo-e-transforma-cenario-das-culturas-de-inverno-no-rs
CARINATA avança no RS com foco em biocombustível de aviação. Revista Cultivar, Pelotas, 16 set. 2026. Disponível em: https://revistacultivar.com.br/noticias/carinata-avanca-no-rs-com-foco-em-biocombustivel-de-aviacao
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (Conab). Série histórica das safras: canola. Brasília, DF: Conab, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/series-historicas/graos/canola
CULTIVO de carinata avança no Brasil com produção 100% contratada pela indústria. Notícias Agrícolas, [S. l.], 27 maio 2025. Disponível em: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/401234-cultivo-de-carinata-avanca-no-brasil-com-producao-100-contratada-pela-industria.amp.html
DIA de campo em Candelária apresenta potencial da carinata. Agrolink, [S. l.], 16 set. 2026. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/noticias/dia-de-campo-em-candelaria-apresenta-potencial-da-carinata_518896.html
EMATER/RS-ASCAR. Informativo conjuntural. Porto Alegre, n. 1939, 1 out. 2026. Disponível em: https://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/conjuntural/conj_01102026.pdf
NUFARM, Nufarm strengthens strategic collaboration to support long term growth in biofuels production. Disponível em: https://nufarm.com/announcements/nufarm-strengthens-strategic-collaboration-to-support-long-term-growth-in-biofuels-production.
RIO Grande do Sul sedia abertura oficial da colheita da canola e da carinata. Globo Rural, São Paulo, out. 2026. Disponível em: https://globorural.globo.com/agricultura/noticia/2026/10/rio-grande-do-sul-sedia-abertura-oficial-da-colheita-da-canola-e-da-carinata.ghtml
VIEIRA, J. Nova cultura começa ganhar espaço em lavouras de inverno da região de Ijuí. Rádio Progresso de Ijuí, Ijuí, 3 jul. 2026. Disponível em: https://radioprogresso.com.br/nova-cultura-comeca-ganhar-espaco-em-lavouras-de-inverno-da-regiao-de-ijui/
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