Maior disponibilidade pressiona as cotações, enquanto riscos climáticos podem afetar a próxima safra.
Foto: Scot Consultoria
A safra 2026 do café está avançando para a fase final, com expectativa de produção recorde em mais de 70 milhões de sacas. O volume supera a estimativa inicial da Conab, de 60 milhões, e representa aumento de aproximadamente 25,0% em relação à safra anterior, quando a produção alcançou 56 milhões de sacas.
Com o fim da safra e a maior disponibilidade de cafés brasileiros e de outras origens, a oferta internacional tende a se recuperar, criando condições para a recomposição dos estoques globais.
O preço da saca de café arábica vem se recuperando desde junho, quando atingiu a menor média mensal do ano, de R$1.476,77. O movimento de alta foi influenciado pelo atraso na colheita e pela menor disponibilidade momentânea do grão no mercado. Apesar da recuperação, na comparação de 13 meses, o preço médio da saca caiu 23,0%. Em setembro de 2025, a cotação média foi de R$2.237,80, enquanto em setembro de 2026 está em R$1.722,53.
O mesmo movimento foi observado para o café conilon, ou robusta, cuja cotação da saca bateu na menor média do ano em abril, a R$917,05. Em setembro de 2025, a média foi de R$1.373,39 por saca, enquanto, em setembro de 2026, está em R$ 1.006,92, queda de 26,6% na comparação de 13 meses.
Tabela 1.
Preço médio mês a mês em R$/saca de 60 kg de café.
Fonte: Scot Consultoria.
*até 03/9
A cotação também caiu nas bolsas internacionais. Na bolsa de Londres, o café robusta caiu 11,0% em um mês (tabela 2), de US$3.815,00 para US$3.369,00 por tonelada. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros do café encerraram o dia 03/9 com queda. Para dezembro, queda de 2,7%, cotado em 295,35 centavos de dólar por libra-peso. Para março de 2027, caiu 2,7%, fechado em 285,05 centavos de dólar por libra-peso.
Tabela 2.
Preço de fechamento do café robusta na bolsa de Londres em US$/tonelada.
Fonte: Inventing.com; Elaboração: Scot Consultoria
As exportações devem ganhar força nos próximos meses com a maior disponibilidade do grão. Segundo a Secretaria do Comercio Exterior, foram exportadas 153 mil toneladas de café até a terceira semana de agosto, um aumento de 7,6% comparado ao ano anterior. Contudo, a cotação por tonelada esteve menor, em agosto de 2026 foi negociado em US$5.169,60 frente a US$6.183,10 em agosto de 2025, queda de 16,3%.
Devido às chuvas durante o inverno, a colheita se prolongou comparada ao ano anterior, e causou a perda da qualidade do grão.
A produção está com maior participação de cafés de bebida inferior e de peneiras menores (Cepea). Com isso, a menor disponibilidade de cafés finos e de peneira maior tende a limitar a oferta desses produtos, favorecendo a sustentação das cotações do café arábica.
A expectativa em relação ao El Niño também é um fator de atenção para a próxima safra e pode trazer impactos no mercado do café. O aumento das temperaturas e a possibilidade de períodos mais secos entre outubro e janeiro, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, podem prejudicar a florada, com reflexos diretos sobre o potencial produtivo.
Ainda é difícil mensurar os impactos do El Niño sobre a próxima safra. No entanto, caso o fenômeno comprometa a produtividade das lavouras, a menor disponibilidade de café no mercado pode contribuir para cotações melhores.
No curto prazo, a maior disponibilidade de café com o avanço da colheita e a recuperação da oferta global devem limitar altas expressivas nas cotações. No entanto, a menor oferta de cafés de melhor qualidade e os riscos climáticos para a próxima safra podem dar sustentação aos preços. Caso o El Niño comprometa a produtividade das lavouras, a redução da disponibilidade do grão pode favorecer uma alta no mercado.
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