Produção de sorgo cresce na safra 2025/26, impulsionada pela expansão de área, com destaque para o Centro-Oeste.
Foto por: Freepik
O sorgo é uma gramínea rústica de origem africana, com ampla versatilidade. É utilizado na produção de grãos para nutrição animal e alimentação humana, além da obtenção de amido e álcool. Também é empregado como forragem (silagem, corte e feno), na cobertura do solo em plantio direto e na geração de bioenergia por meio de biomassa.
Cultivado em segunda safra após a soja, o sorgo vem ganhando espaço em função de seu ciclo mais curto e tolerância ao clima seco e solos de menor fertilidade.
A produção brasileira de sorgo está estimada em 7,5 milhões de toneladas (CONAB).
Um crescimento de 22,6% frente à safra anterior, com incremento de 1,4 milhão de toneladas, por conta, principalmente, da expansão de 24,0% na área semeada.
Em contrapartida, a produtividade média apresentada caiu (figura 1).
Figura 1.
Área semeada, produção e produtividade do sorgo, da safra de 2020/21 até a estimativa da safra atual.
Fonte: Conab | Elaboração: Scot Consultoria
O Centro-Oeste é a região líder na produção nacional, cuja estimativa é de 3,5 milhões de toneladas, crescimento de 19,8% em relação ao ciclo anterior.
Na sequência aparecem as regiões Sudeste (2,2 milhões de toneladas), Nordeste (1,3 milhão de toneladas), Norte (413,6 mil toneladas) e Sul (26,5 mil toneladas).
No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu relatório World Agricultural Production, estima a produção brasileira em 5,6 milhões de toneladas, volume menor ao projetado pela Conab.
Ainda assim, o Brasil mantém relevância no mercado global, sendo responsável por 8,3% da produção mundial de sorgo, (USDA).
Figura 2.
Estimativa da produção internacional de sorgo em milhões de toneladas, para as safras 2025/26.
Fonte: USDA e Conab | Elaboração: Scot Consultoria
Dessa forma, segundo a projeção da Conab, seríamos o segundo produtor de sorgo do mundo, pela projeção do USDA, seríamos o terceiro. De qualquer forma, ocupamos espaço de destaque nessa cultura.
No mercado interno, os preços do sorgo em março variaram entre as regiões, com média de R$0,82/kg no Nordeste, R$0,81/kg no Sudeste, R$0,78/kg no Sul, R$0,71/kg no Centro-Oeste e R$0,68/kg no Norte.
O Piauí deteve a maior cotação, e o Tocantins, a menor.
No Tocantins, a diferença entre a cotação do milho e a do sorgo foi a maior, de R$0,39/kg, enquanto, no Mato Grosso, foi a menor, de apenas R$0,05/kg.
Figura 3.
Comparativo da cotação do sorgo e do milho, em R$/kg ao produtor.
Fonte: Conab | Elaboração: Scot Consultoria
Por se tratar de uma escolha para a safrinha após a colheita de soja, o produtor se depara com o questionamento: “vale a pena plantar sorgo ao invés do milho safrinha?”
Embora o milho apresente maior valor, variáveis como janela de plantio, regime de chuvas, temperatura, fertilidade do solo e risco climático influenciam nessa escolha.
Por exemplo, em situações de atraso na colheita da soja, que reduz a janela ideal para o milho e aumenta a exposição ao déficit hídrico e veranicos, o sorgo se apresenta como alternativa, devido à sua maior resistência à seca.
O sorgo é uma cultura estratégica nos sistemas produtivos brasileiros, especialmente na safrinha em regiões mais secas, otimizando o aproveitamento da área entre safras de soja.
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