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Scot Consultoria

Carta Insumos - O impacto da raiva bovina na pecuária

Com risco elevado e impacto direto no bolso, a raiva bovina reforça a importância da prevenção.


Foto: Freepik

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Uma das doenças que deve exigir atenção dos produtores é a raiva bovina, que se trata de uma zoonose endêmica, altamente contagiosa e com letalidade alta, além de representar risco também para quem maneja os bovinos.

O agente causador é o vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae (cepa Vírus Pasteur). A transmissão ocorre por diferentes ciclos epidemiológicos: silvestre (animais selvagens), urbano (cães e gatos), rural (bovinos, bubalinos e equinos) e aéreo (morcegos hematófagos).

Em bovinos, a principal forma de infecção ocorre pelo ciclo aéreo, por meio do morcego Desmodus rotundus, que ao se alimentar, transmite o vírus pela saliva, com período de incubação entre 30 e 90 dias.

A forma clínica mais comum é a paralítica. Os sinais incluem o ranger de dentes; dificuldade de locomoção iniciando nos membros posteriores e seguindo para os anteriores; tremores musculares; problemas de mastigação e deglutição; retenção urinária e isolamento do rebanho.

Com a evolução, o bovino não consegue se levantar, pode apresentar opistótono e evolui para paralisia respiratória, levando à morte.

Não há tratamento para a doença, o que torna a prevenção essencial, sendo a vacinação, a principal medida de controle. Segundo a pesquisa expedicionária da Scot Consultoria, o Confina Brasil 2025, a imunização contra raiva aparece como o quarto protocolo mais adotado em confinamentos (31,5%), atrás da vermifugação (90,8%), vacinação contra clostridiose (87,0%) e vacina respiratória (83,2%).

A vacina utilizada em herbívoros é composta por vírus rábico PV inativado. Em embalagens de 50ml (25 doses), a cotação média é de R$46,46, equivalente a R$1,86 por dose. O protocolo recomenda a primeira aplicação a partir dos três meses de idade, com reforço após 30 dias e revacinação anual. Em situações específicas, a imunização pode ser antecipada, conforme o critério do médico-veterinário responsável, levando em consideração a situação da propriedade e da região.

O custo da primeira imunização é de R$3,72 por animal (primeira dose + reforço), e das revacinações, R$1,86, sem considerar mão de obra.

Diante desse quadro, quando comparado às perdas potenciais, o investimento é baixo. Considerando a cotação vigente (22/4) em São Paulo para machos Nelore, o prejuízo por morte pode chegar a R$3.218,81 por cabeça em bezerros de desmama (6,5@), R$3.662,00 em bezerros de ano (8@), R$4.243,80 em garrotes (10@) e R$4.743,30 em bois magros (12,5@). Para um bovino pronto para abate (20@), a perda varia entre R$7.300,00 e R$7.400,00, considerando mercado interno e exportação padrão China.

Assim, investir em vacinação não é apenas uma medida sanitária, mas uma decisão que protege o rebanho e reduz riscos à atividade.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Raiva. Disponível em: Raiva — Ministério da Agricultura e Pecuária

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (CRMV-SP). Raiva bovina atinge rebanhos em todos os países da América Latina. Disponível em: Raiva bovina atinge rebanhos em todos os países da América Latina - CRMV-SP

INSTITUTO BUTANTAN. Por que o vírus da raiva é tão letal? Saiba por que a doença mata bichos e humanos e entenda a importância da vacinação. Disponível em: Por que o vírus da raiva é tão letal? Saiba por que a doença mata bichos e humanos e entenda a importância da vacinação - Instituto Butantan

SCOT CONSULTORIA. Benchmarking Confina Brasil. 2025. Disponível em: https://materiais.scotconsultoria.com.br/lp-confina-brasil-2025-benchmarking

SCOT CONSULTORIA. Cotações. 2026.

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