• Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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Carta Grãos e Agricultura - Algodão: exportação recorde, receita menor e estoques elevados

Estoques altos no fim de 2025 mantêm pressão sobre os preços, apesar das exportações recordes.


Foto por: Shutterstock

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A exportação brasileira de algodão em bruto atingiu recorde em 2025. O país embarcou cerca de 3,0 milhões de toneladas, 9,1% a mais que em 2024 e o maior volume já registrado na série histórica (Figura 1).

Apesar do maior volume, o faturamento caiu. A receita somou US$4,9 bilhões, 4,4% abaixo da do ano anterior (Figura 1).

A queda ocorreu devido ao preço mais baixo. Em 2025, o algodão foi vendido, em média, a US$1,6 mil por tonelada, recuo de 12,4%.

Os três maiores destinos do algodão em bruto do Brasil foram China (16,8%), Bangladesh (16,5%) e Paquistão (15,9%).

Figura 1.
Volume exportado e receita de exportação (FOB) do algodão em bruto.

Fonte: Secex/ Elaboração: Scot Consultoria

Por que o preço caiu?

O mercado global entrou em 2025 com oferta elevada e estoques confortáveis. Isso aumentou a competição entre exportadores e puxou os preços para baixo. Ao mesmo tempo, a demanda da indústria têxtil cresceu pouco, com um ritmo de compras mais cauteloso. 

No Brasil, em alguns períodos, a valorização do real frente ao dólar também reduziu a competitividade e limitou a recuperação das cotações em reais.

Além da exportação forte, o país terminou 2025 com estoques elevados. O estoque final foi estimado em 2,72 milhões de toneladas, alta de 13,6%. 

Safra 2025/2026: ajuste na oferta, margem apertada

A produção de algodão em pluma em 2025/2026 é estimada em 3,82 milhões de toneladas (Conab), queda de 6,3% em relação a 2024/2025. O recuo reflete a redução de 2,8% da área e a queda de 3,6% da produtividade média, projetada em 1.884 kg/ha (Conab).

O estoque final, para 2026, está estimado em 2,75 milhões de toneladas, aumento de 1,1% frente a safra anterior (Conab).

A Conab projeta alta de 1,1% no suprimento de algodão e de 1,0% na demanda total em 2025/2026, frente a 2024/2025. Até aqui, o cenário aponta para um mercado mais lateral.

A rentabilidade segue apertada. Com preços menores e custos de produção elevados, a comercialização deve continuar lenta e seletiva. Isso tende a limitar eventuais altas.

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