• Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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Carta Insumos - O Irã e a ureia

Instabilidade no país persa pode gerar ruídos na cadeia de suprimentos que podem elevar o preço do insumo agrícola.


Foto: Freepik

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Desde o fim do ano passado, o Irã ficou imerso em uma série de protestos e de manifestações populares e, nos últimos dias, esses movimentos tomaram força e ficaram ainda maiores e mais graves. Para pôr mais lenha na fogueira, o presidente dos EUA disse que poderia intervir no país caso o regime dos aiatolás continuasse a reprimir a população com o uso da força.

Dito e feito. Em 12/1 o líder norte-americano anunciou uma tarifa de 25,0% para qualquer país que estiver fazendo negócios com o Irã.

Não fica claro se os alimentos, que antes estavam isentos de qualquer tipo de sanção, estão inclusos. E é justamento isso que exportamos para os persas.

Há grandes chances de que isso seja mais uma forma de pressão norte-americana do que algo que venha a ser efetivamente colocado em prática. Mas tende a deixar qualquer país com medo de negociar com eles, até pelo recente histórico do presidente estadunidense.

Em 2025, 2,4% da ureia importada pelo Brasil teve como origem o Irã, ou 184,7 mil toneladas. Esse volume corresponde somente a 0,5% do total dos fertilizantes importados pelo Brasil. Ou seja, não dependemos deles.

Embora não sejam nosso principal fornecedor, eles são grandes produtores e, o mais importante: estão no Oriente Médio. Qualquer risco de conflito em maior escala nessa região do planeta já leva a altas no preço do petróleo e de outras commodities, como a ureia. Assim como já aconteceu em 2025 na escalada do conflito Israel e Irã, que também contou com intervenção dos Estados Unidos.

Naquele momento, a cotação do fertilizante, no mercado internacional, chegou a subir 25,0%, e neste momento, apenas o risco de intervenção já fez o preço da ureia granulada FOB no Oriente Médico, em preços futuros negociados em bolsa, subir 3,7%.

Ou seja, se essas tarifas vingarem, se os Estados Unidos intervirem ou se o regime iraniano cair, podemos inevitavelmente esperar uma ureia mais cara no mercado internacional.

De forma clara: tudo o que vem acontecendo já é um motivo para que o mercado precifique de forma altista a ureia no mercado internacional.

Agora, e sobre as exportações brasileiras ao Irã?

Eles são nossos principais compradores de milho, consumindo 22,2% das nossas exportações do cereal, e também compram soja. Mas esse assunto tem o seu lugar em outra carta.

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