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Carta Boi - Boi Gordo: cada um sabe onde o calo aperta


Terça-feira, 3 de novembro de 2020 - 12h00


Entre janeiro e meados de outubro a arroba do boi gordo subiu 33,5%. A oferta limitada de fêmeas para abate, com a retenção estimulada pelas valorizações das categorias de reposição, segurou as cotações no primeiro semestre.


Essa retenção, no entanto, não sustentou os preços futuros, que passaram uma boa parte do primeiro semestre em patamar pouco atrativo para o confinador. Isso plantou o cenário de oferta enxuta de gado no segundo semestre, observado atualmente.


Quando o mercado futuro ganhou força, milho e reposição amenizaram o seu efeito positivo.


Paralelamente, as exportações seguem em alta, com a demanda chinesa mantendo o protagonismo, com a ajuda do dólar valorizado frente ao real.


Quanto ao consumo doméstico, temos o período de final de ano à frente, com a sazonalidade típica colaborando com o escoamento. Paralelamente, há a redução do auxílio emergencial e o término desse em dezembro, o que merece atenção.


Em resumo, todos os componentes da precificação do boi gordo apontam para um cenário positivo em curto prazo e para 2021 não temos grandes alterações. Ainda assim, o momento atual merece atenção.


Ponto de atenção

Fazendo o caminho inverso da carne do churrasco de final de ano, passamos pela gôndola do supermercado, que comprou a carne do frigorífico (atacado), produzida a partir de uma boiada que foi vendida com certa antecedência, a famosa escala da indústria.


Em outras palavras, o gado que produz a carne do churrasco do Ano-Novo não é negociado na semana do Natal.


Esse tempo entre a produção e o período de maior consumo faz com que a demanda por gado, pensando em consumo doméstico, diminua ao longo de dezembro, enquanto as vendas no atacado se mantêm aquecidas por mais um tempo, enquanto o fluxo de boas vendas no varejo vai até a virada do ano. 


Com isso, entre o final de novembro e início de dezembro, não é raro observarmos um ajuste nas cotações, ajuste que se torna um pouco mais esperado em anos de altas fortes, como foi 2019 e tem sido 2020, por exemplo.


Em 2020, com a oferta curta e exportações em bom ritmo, nem a pandemia esfriou as cotações e, com menos carne no mercado doméstico, os preços aqui também mantiveram a tração.


Voltando ao final de 2019, as cotações atingiram R$226,50/@, à vista, livre de imposto, no mercado físico em São Paulo, em novembro, mas terminaram o ano em R$200,00/@, nas mesmas condições, recuo de 11,7%. Em 2006, ano no qual as cotações ganharam força no segundo semestre, houve recuo de 17,1% entre o pico e o patamar após o ajuste.


Em 2008, na mesma comparação, a “devolução” foi de 14,3%, em 2010 de 11,4%, por exemplo. Como no mercado não há regras, em 2013 e 2014 as cotações seguiram firmes no final do ano.


Embora não seja regra, os ajustes podem ser expressivos.


Com isso, a sugestão é que o pecuarista não deixe de aproveitar as oportunidades, neste cenário de firmeza atual.


Manter o gado mais um pouco no cocho, quando possível por questões de disponibilidade de insumos e peso do lote, é uma opção, mas traz um risco e deve ser acompanhada do uso de ferramentas de garantia de preços.


Considerações finais

O “ponto de atenção” do item anterior não indica que esperamos uma inversão de tendência ou um mercado frouxo em médio prazo.


Mesmo que não tenhamos uma expectativa de aumento importante da oferta, há alguma retenção (com o mercado subindo diariamente, é melhor vender “amanhã” que hoje), que normalmente sai de maneira concentrada, o que é o suficiente para que o frigorífico consiga derrubar as cotações, ainda que por algumas semanas.


O objetivo é frisar que, mesmo que hoje essa alta pareça não ter limite, em algum momento devemos passar por algum ajuste, com recuos. Se a sua venda ocorrer neste momento, há perda de receita.


Mais um destaque quanto à valorização projetada para novembro e dezembro no mercado futuro, que pode ser usada para negócios. Ou seja, há um cenário de alta de mais de R$10,00/@ na mesa, com um mercado após meses de valorizações.


O mercado físico pode atingir tal patamar (ou superar, o cenário segue positivo), mas se não o fizer, com um mercado firme, mas estável, já são R$10,00/@ a menos na receita daqui até o final de novembro.


Em resumo, a sugestão é básica, de garantir preços na alta, ofertar ao menos uma parte, quando não há oferta.


Assim como é mais interessante (barato) fazer um seguro quando não há acidentes, buscar travar as cotações é melhor enquanto parece que o mercado vai subir indefinidamente.


Para quem compra reposição, travar mínimos é ainda mais relevante, para que o efeito na relação de troca seja menor. Para quem trabalha com cria ou ciclo completo, os resultados estão bons e a questão é avaliar se quer arriscar um pouco ou não. Cada um sabe onde o calo aperta.    


 



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