Em junho, o quilo vivo do boi exportado esteve, em média, 27,1% maior do que o quilo vivo do boi magro no mercado interno.
Foto: Bela Magrela
O Brasil exportou 132.101 cabeças em junho, gerando US$176,5 milhões em receita FOB (valor da mercadoria posto a bordo do navio, sem frete e seguro internacionais).
Turquia, Marrocos e Iraque concentraram 94,1% do volume exportado. A Turquia liderou, com 55.809 cabeças (42,2%), seguida pelo Marrocos, com 42.666 cabeças (32,3%), e pelo Iraque, com 25.886 cabeças (19,6%). Egito, Argélia e Síria responderam por 4,2%, 1,5% e 0,1%, respectivamente.
O porto de Belém-PA concentrou o maior volume, com 72.626 cabeças (55,0% do total), destinadas a seis países (Iraque, Marrocos, Turquia, Egito, Argélia e Síria). O Porto de Rio Grande-RS embarcou 43.860 cabeças (33,2%), quase só para Turquia e Marrocos. Pelo porto de São Sebastião-SP saíram 15.501 cabeças (11,7%), também para Turquia e Marrocos, esse porto recebe lotes de outros estados, tais como Tocantins, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Piauí e Goiás (figura 1).
Figura 1.
Cabeças exportadas por porto e país de destino, junho de 2026.
Fonte:Comex Stat. Elaborado por Scot Consultoria.
Na média ponderada, o quilo do bovino exportado esteve em R$16,44, diante de R$12,93 do quilo do boi magro Nelore no mercado interno, diferença de R$3,51 por quilo, ou 27,1%, a favor da exportação (figura 2).
Figura 2.
Preço médio do quilo vivo, exportação versus mercado interno, por estado, junho de 2026.
Fonte: ComexStat e Scot Consultoria.
Por estado, a exportação pagou mais que o mercado interno em todos os casos. As maiores diferenças foram: Rio Grande do Sul (44,2%), São Paulo (35,0%) e Minas Gerais (32,1%).Já nos estados com maior volume exportado, Pará, Tocantins, Paraná e Mato Grosso, a vantagem ficou entre 17,4% e 21,2% (tabela 1).
Tabela 1.
Comparativo por estado entre exportação em pé e reposição Nelore, junho de 2026.
| Estado | Cabeças | Peso médio (kg) | R$/kg exportação | R$/kg reposição (Nelore) | Vantagem exportação |
|---|---|---|---|---|---|
| Pará | 72.626 | 456,8 | 15,77 | 13,33 | 18,2% |
| Rio Grande do Sul | 43.860 | 321,7 | 17,32 | 12,01 | 44,2% |
| Tocantins | 7.482 | 548,3 | 16,43 | 13,56 | 21,2% |
| São Paulo | 4.497 | 453,6 | 18,40 | 13,63 | 35,0% |
| Paraná | 1.528 | 548,4 | 16,48 | 13,94 | 18,3% |
| Mato Grosso | 1.111 | 547,8 | 16,63 | 14,16 | 17,4% |
| Minas Gerais | 569 | 529,6 | 18,71 | 14,17 | 32,1% |
Fonte: Comex Stat / Elaborado por Scot Consultoria.
Para o pecuarista com acesso ao mercado externo, a exportação foi mais vantajosa em junho. A decisão entre exportar ou reter depende, da infraestrutura até o porto, das exigências sanitárias e do prazo de pagamento.
Originalmente publicado em Broadcast Agro.
Engenheiro agrônomo, formado na Esalq/USP, Piracicaba/SP. Fundador e CEO da Scot Consultoria. Atua na área de ciências agrárias, análises e consultoria de mercados agropecuários. É analista e consultor de mercado, com atuação nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos e insumos agropecuários. É palestrante, facilitador e moderador de eventos conectados ao agronegócio. Atuou como Membro de Conselho Consultivo de empresas do setor e dirige as ações gerais da Scot Consultoria.
Engenheira agrônoma pela ESALQ/USP, Piracicaba/SP. Analista de mercado na Scot Consultoria, com elaboração e realização de análises setoriais e pesquisas nas linhas de carne, leite e reposição além da prospecção de palestra.
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