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Suplementação animal em pasto: na transição chuva/seca – Parte 4

Dando continuidade à sequência de artigos associando o manejo de pastagens intensificadas com a suplementação animal em pasto com base em resultados de pesquisas conduzidos nos períodos das chuvas e da transição chuva/seca.


Foto: Scot Consultoria

Foto: Scot Consultoria

Dando continuidade à sequência de artigos associando o manejo de pastagens intensificadas com a suplementação animal em pasto com base em resultados de pesquisas conduzidos nos períodos das chuvas e da transição chuva/seca.

Objetivou-se neste experimento avaliar o efeito do uso do aditivo ionóforo narasina para bovinos Nelore em pastagens intensificadas de B. brizantha cultivar Marandu (capim-braquiarão) no período de transição chuva/seca sobre o desempenho animal.

O trabalho foi conduzido em ambiente de cerrado, entre os meses de março a maio, totalizando 90 dias, dos quais 60 dias de avaliação, em uma área de 1,76 hectare (ha) dividida em dois módulos de pastoreio, cada módulo com área de 0,88 ha que por sua vez era subdividido por dois piquetes de 0,44 ha cada. O método de pastoreio adotado foi o de lotação alternada, com ciclo de pastoreio de 14 dias, com sete dias de descanso e sete dias de ocupação por piquete. O método de pastoreio de lotação alternada é caracterizado pelo uso de dois piquetes por lote de bovinos.

Durante o experimento foram avaliados 10 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, sendo cinco bovinos por tratamento, com idade e peso inicial médios de 15 meses e 349,8 kg, respectivamente.

Os suplementos avaliados foram suplementos proteico/energético sem e com o aditivo narasina (100 mg/kg) no nível de suplementação de 0,3% do peso corporal dos bovinos. Houve um período de adaptação de 30 dias antes do início da coleta dos dados.

Na Tabela 1 estão alguns níveis de garantia dos suplementos fornecidos para os bovinos durante o período experimental.

Tabela 1.
Níveis de garantia de alguns elementos dos suplementos fornecidos.

Tratamento % mg/kg
PB NNP NDT Ca P Mg S Na Co Cu I Mn Se Zn Narasina
CN 20 11.4 66 1.9 0.5 0.16 0.4 0.28 8 96 8 80 135 315 100
SN 20 11.4 66 1.9 0.5 0.16 0.4 0.28 8 96 8 80 135 315 -

CN: suplemento com narasina; SN: suplemento sem narasina; PB: proteína bruta; NNP: nitrogênio não proteico equivalente proteico; NDT: nutrientes digestíveis totais; Ca: cálcio; P: fósforo; Mg: magnésio; S: enxofre; Na: sódio; Co: cobalto; Cu: cobre; I: iodo; Mn: manganês; Se: selênio; Zn: zinco.
Fonte: HERCULES JÚNIOR; AGUIAR, 2018.

O consumo médio diário dos suplementos durante o período experimental foi de 1,23 e 1,18 kg/cabeça/dia para os tratamentos sem e com narasina, respectivamente.

Durante o experimento os bovinos foram pesados mensalmente, após um período de jejum de sólidos por 14 horas.

Foram realizadas mensurações de crescimento e produção de forragem, antes e após cada pastejo durante todo o período experimental, utilizando a técnica da dupla amostragem: direta, por meio do corte e pesagem da massa de forragem; e indireta, por meio da medida da altura do pasto (Tabela 2).

Tabela 2.
Parâmetros da produção de forragem pela pastagem usados nos cálculos de oferta de forragem e taxa de lotação.

Módulo TL
(UA/ha)
(cm) (kg MS/ha)
Altura 1 Altura 2 MF pré MF pós
1 4.98 29.2 24.1 3.542 2.960
2 5.18 31.8 24.5 4.305 3.478
Média 5.08 30.5 24.3 3.923 3.219

TL (UA/ha): taxa de lotação em unidades bovinos por hectare; Altura 1: altura média do pasto no pré-pastejo; Altura 2: altura média do pasto no pós-pastejo; MF pré: massa de forragem pré-pastejo em kg de matéria seca por hectare; MF pós: massa de forragem pós-pastejo em kg de matéria seca por hectare.
Fonte: HÉRCULES JÚNIOR; AGUIAR, 2018.

Na Tabela 3 estão os resultados de análises bromatológicas da forragem de B. brizantha cultivar Marandu coletadas acima da altura do resíduo pós-pastejo durante o período experimental.

Tabela 3.
Composição química média da forragem de B. brizantha cultivar Marandu durante o período experimental.

Determinação Unidade Tratamentos Médias
Módulo 1 Módulo 2
Proteína bruta % 10,99 6,41 8,7
Extrato etéreo % 2,13 1,89 2,01
Matéria mineral % 9,94 10,48 10,21
Matéria seca % 25,58 31,16 28,37
Nutrientes digestíveis totais % 62,7 57,35 60,03
Cálcio % 0,40 0,55 0,47
Fósforo % 0,25 0,19 0,22
Fibra detergente neutro % 64,66 68,73 66,7
Fibra detergente ácido % 35,25 34,07 34,66
Hemicelulose % 29,41 34,67 32,04

Fonte: HÉRCULES JÚNIOR; AGUIAR, 2018.

Os dados da produção da pastagem e das análises bromatológicas não foram submetidas à análise estatística porque a cada duas semanas os lotes foram trocados ao acaso de módulo de pastoreio para minimizar os efeitos das particularidades de cada módulo (faixas de classes de solos, disponibilidade e qualidade de forragem etc.).

Na Tabela 4 estão os resultados alcançados em desempenho animal e em produtividade por área durante este experimento para os parâmetros avaliados.

Tabela 4
Pesos corporais inicial, final e médio, desempenho animal e produtividade da pastagem em resposta aos diferentes tipos e níveis de suplementação.

Parâmetro Unidade Tratamento
CN SN
Peso corporal inicial kg 365,4a 387,6a
Peso corporal final kg 424,2b 430,8a
Peso corporal médio kg 394.8 409.2
Ganho médio diário kg/cabeça/dia 0,957a 0,769b
Diferença no ganho médio diário kg/cabeça/dia + 0.188 -
Produtividade @/ha 11.13 8.18

CN: com o aditivo narasina; SN: sem o aditivo narasina.
Médias seguidas por letras diferentes na linha diferiram entre si estatisticamente pelo Teste de Tukey a 5,0% de significância.
Fonte: HÉRCULES JÚNIOR; AGUIAR, 2018.

Concluiu-se que no período e nas condições de avaliação deste experimento não houve diferença estatística para o peso corporal inicial, mas houve diferenças significativas para peso corporal final e o GMD.  Os bovinos suplementados com o aditivo narasina alcançaram maior GMD com diferença de 0,188 kg/dia a mais que os bovinos suplementados com suplemento sem o aditivo narasina.

Mais uma vez a combinação do manejo intensivo da pastagem, por meio de correto manejo do pastoreio (alturas pré e pós-pastejo, taxa de lotação ajustada à capacidade de suporte ..), manejo e controle de insetos pragas e plantas daninhas, correção e adubação do solo para metas especificas, possibilitou neste experimento alcançar médias de taxas de lotação de 5,68 cabeças/ha e 5,08 UA/ha, e a correta suplementação de fato suplementando deficiências deixadas pela forragem, resultaram em produtividades por área de 11,13 e 8,18 arrobas de peso corporal por hectare, para os tratamentos CN e SN, respectivamente, em apenas 60 dias e um detalhe, no periodo de transição chuva/seca.  São produtividades 2,78 a 2,04 vezes maiores que a produtividade média nacional que não passa de 4 @/ha/ano.

A partir do mês de agosto escreverei uma sequência de textos sobre suplementação animal em pasto no período da seca em pastagens manejadas intensivamente - aguarde.

Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.

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