• Terça-feira, 23 de junho de 2026
Assine nossa newsletter
Scot Consultoria

Como selecionar os alimentos para o confinamento

Uma formulação tecnicamente realizada tem impacto direto no lucro por arroba produzida e pode ser a diferença entre lucro ou prejuízo.


Foto por: Bela Magrela

Foto por: Bela Magrela

Confinar boi tem sido cada vez mais adotado no Brasil e, de fato, ela ainda tem bastante espaço para crescer, afinal é uma estratégia que permite aliviar os pastos na seca, acelerando o abate dos bovinos que costumam ser de mais fácil comercialização por estarem mais bem terminados. 

Historicamente, a margem da arroba ganha no confinamento sempre foi estreita, a atividade se justifica mais como a ferramenta estratégica para aumentar o giro e lotação da fazenda. Ultimamente, contudo, melhores margens tem possibilitado o confinamento ir além dessa lógica, justificando-se por si só.

Nutricionistas animais, como eu, costumam apresentar a nutrição como o maior custo do confinamento, mas isso é verdade apenas se desconsiderarmos o valor dos bovinos. Grosseiramente, eles representam cerca de 2/3 do custo do confinamento. Assim, comprar bem os bovinos, tanto com relação ao preço pago, como ao potencial para ganhar peso, são super importantes para o resultado. 

Custo dos bovinos à parte, daí sim, a alimentação pode chegar até 75,0% do custo do confinamento e, o que é mais relevante, sendo a formulação da dieta o passo no qual mais podemos economizar no confinamento, ao mesmo tempo que, com boas escolhas de ingredientes, garantir que o resultado obtido tenha maior probabilidade de ser igual ou melhor que aquele estimado.

Todavia, antes de entrarmos na questão dos ingredientes, creio que compense falar ainda um pouco mais sobre a compra de bovinos. Em primeiro lugar, lembrar que o valor dos bovinos é uma questão de mercado, portanto, que pouco podemos influenciar. Em primeira análise, o comprador, deve procurar comprar bovinos que respondam ao trato caprichado no cocho, ao escolher um gado com “caixa” e com grau de condição corporal inferior a um “meia carne”, que seria os bovinos do meio da escala da condição corporal. Contudo, animais fora do padrão para confinamento, se estiverem muito baratos, podem ser um bom negócio, especialmente se um período curto de confinamento seja suficiente para mandá-los para o gancho. 

Por fim, cabe lembrar que a situação que ainda mais compensa o confinamento é no contexto de uma fazenda ou sistema produtivo combinado com pasto e, nesse caso, os bovinos estariam sendo repassados ao confinamento. Passá-los pelo valor de custo de produção, conforme os meus colegas da economia ensinam, não é recomendável. Opostamente, deve ser usado o “custo de oportunidade”, ou seja, o valor de mercado dos bovinos, como se a “atividade pasto” estivesse vendendo os animais para a “atividade confinamento”. A importância de adotar essa prática é separar a eficiência econômica de cada atividade. Quando a  “atividade pasto” entrega pelo custo de produção, os bovinos à “atividade confinamento”, o que se faz é indevidamente transferir a eficiência econômica da produção desta atividade para o confinamento.

Voltando aos alimentos passíveis de uso, segue abaixo uma lista com 25 opções de ingredientes efetivamente usados em confinamento, sendo que algumas delas podem ter mais de uma variante, ou seja, essa lista pode ser bastante aumentada. Foi incluído o “Resíduo de Soja” que pode ser muitas coisas diferentes e vamos falar especificamente sobre a categoria resíduo mais a frente. O importante é mostrar que temos muitas opções e que isso é uma grande vantagem da pecuária brasileira. 

Tabela 1.
Uma amostra de alimentos usados em confinamentos no Brasil.

PRODUTOS / INSUMOS
1 Alfafa (Feno e Silagem)
2 Bagaço de Cana (in natura / BIN)
3 Cana-de-açúcar (Planta inteira e Silagem)
4 Capulho de Algodão
5 Caroço de Algodão
6 Casca de Algodão
7 Casca de Soja
8 DDGS / WDGS (Grãos de destilaria secos e úmidos)
9 Farelo de Algodão
10 Farelo de Amendoim
11 Farelo de Arroz
12 Farelo de Gérmen Desengordurado
13 Farelo de Soja
14 Farelo de Trigo
15 Feno de Tifton 85
16 Melaço de Soja
17 Milho (Grão seco, Grão úmido e Snaplage)
18 Polpa Cítrica / Polpa de Citrus
19 Resíduo de Soja
20 Silagem de Capim (Panicum, Brachiaria, etc.)
21 Silagem de Milho
22 Sorgo (Grão e Silagem)
23 Torta de Algodão
24 Ureia Pecuária
25 Vinhaça

Fonte: Sergio Raposo.

Essa diversidade aumenta a chance de achar misturas que se complementem para fechar as exigências e dilui os riscos, por vezes até desconhecidos, que determinado ingrediente possa ter, como, por exemplo, um alto teor de tanino ou outro componente anti-nutricional.

A gestão dos ingredientes que farão parte do confinamento é uma grande oportunidade de fechar uma dieta economicamente interessante, fisiologicamente segura e metabolicamente eficiente. 

A tendência das "Dietas Quentes" e o desafio da fibra

Há uma tendência clara de aumento na densidade energética das rações. Hoje a média é de mais de 80,0% de concentrado na matéria seca (MS). No entanto, não deve se esperar ir muito além disso, pois  o ruminante possui uma exigência fisiológica mínima de fibra para estimular a ruminação e manter a saúde do rúmen, prevenindo distúrbios como acidose, timpanismo e laminite.

O conceito-chave aqui é o FDN fisicamente efetivo (FDNfe), que é a porção da fibra que realmente promove o estímulo à ruminação e à motilidade ruminal. Para zebuínos, recomenda-se que o FDNfe seja superior a 13,0% da dieta, enquanto para taurinos esse limite pode ser menor, em torno de 11,0%. Valores menores até podem ser usados, mas apenas dependendo dos demais ingredientes da dieta, do uso de aditivos e com um manejo da alimentação muito bem planejado.

É a decisão sobre o valor de FDNfe a ser usado como exigência de mínimo que determinará, junto com as opções que sejam dados de ingredientes ao programa de formulação de ração, qual volumoso e em que quantidade ele entrará.

Principais opções de volumosos

A silagem de milho continua sendo a mais utilizada, oferecendo alto valor nutritivo. Quanto maior ele for, mais a silagem de milho permite "poupar" concentrado na fórmula, até porque entre 20,0% e 40,0% de sua matéria seca pode ser de grãos que, pela ação do processo de ensilagem, tem maior fermentabilidade ruminal.  Alimentos com melhor valor nutritivo “abrem” espaço na fórmula, aliás, permitem a entrada de ingredientes que sejam necessários para fechar alguma exigência (por exemplo, ureia para fechar proteína degradável no rúmen) ou, se todas exigências estejam atendidas, um alimento mais barato. 

No outro extremo de qualidade, temos o bagaço de cana in natura (BIN), que pode ser a melhor opção, por ser uma excelente fonte de fibra efetiva, exatamente porque ele tem uma fibra muito resistente à degradação. Outra vantagem do BIN é dispensar áreas de produção de volumoso. 

Outra alternativa prática é a silagem de capim, mas deve-se evitar períodos de corte com muitos dias de rebrota para garantir a qualidade nutricional. Ela é uma opção intermediária, entre a de milho e o BIN, em função de valor nutritivo, que, da mesma forma, traz vantagem à formulação à medida que tenha melhor qualidade. Por isso, é interessante produzir a forragem com intuito de fazer um bom volumoso. Para tal, recomenda-se que a colheita não seja feita com muitos dias de coleta (Gênero Panicum, até 65 dias; Gênero Brachiaria, até 70 dias). Eventualmente, o interesse maior pode ser produzir mais quantidade do que qualidade e, portanto, uma coleta com mais dias pode se justificar. Deve-se ter cuidado, contudo, pois a conservação de forragem muito passada pode ser complicada. Particularmente, há dificuldade de compactação de silagens de capim mais secos, sendo essa operação um dos ponto-chave na obtenção da fermentação anaeróbia, uma vez que é a compactação que expulsa ar da massa ensilada.

Um volumoso que ainda é escolhido, mas com uso em declínio, é a cana-de-açúcar. Uma das vantagens é não precisar ser armazenada, podendo ser usada como capineira; ainda que o corte diário seja desafiador. Um dos motivos de não deixar ela ir totalmente para o esquecimento é por ser uma opção interessante como reserva de volumoso na fazenda. Isso ganha importância, à medida que as secas mais longas e severas aumentam sua recorrência. No caso de não ser usada, ela pode ser vendida para alguma usina mais próxima. O interessante é que a melhor cultivar para a usina é a melhor para o boi, pois o que conta na cana para ambos é o teor de açúcar. Assim, os melhores cultivares para a usina, são os melhores para o confinamento. Um dos riscos é caso a área de cana pegue fogo: nesse caso, pode-se ensilar o que sobrou até três dias após o ocorrido, usando aditivo específico para evitar a fermentação etanólica. Aliás, há produtores que já preferem ensilar a cana, para evitar o risco do fogo, não ter o desafio de cortar todo dia e porque há vantagem agronômica para a condução do canavial.

Um último comentário com relação ao custo do volumoso: no caso das silagens, pode haver uma grande variação no custo real deles em função da produtividade. Por exemplo, uma silagem de milho pode produzir 9 ou 18 toneladas de MS por hectare, mas, apesar de evidentemente a com maior produção ser mais cara, seu custo é bem menor do que o dobro, ou seja, o aumento de produção dilui significativamente o custo por tonelada. Essa diluição vale para todas as opções de volumoso “verde” e mostra a importância: (1) de caprichar para ter o maior rendimento agronômico possível e (2) ter excelente controle de custo da produção e uma boa estimativa da tonelagem produzida, de forma a poder trabalhar com o valor mais real possível do ingrediente. Notem que, nesse caso, podemos usar o “custo de oportunidade” como valor do ingrediente, todavia isso tem mais lógica se efetivamente houver a possibilidade dessa venda existir, como é o caso dos bois magros, mas nem sempre é o caso com os alimentos.

Quem escolhe os ingredientes é a dieta mais econômica, feita no computador!

O objetivo de formular uma dieta é ter o desempenho mais econômico possível. A maioria dos programas de formulação de ração disponíveis calculam apenas a dieta de menor custo por unidade de matéria seca. Uma exceção é o RLM  que, usando programação não-linear, indica a dieta de custo mínimo da MS que resulta no menor custo por arroba produzida (ou por kg de peso vivo produzido). Na figura 1, pode ser observada a tela do RLM que mostra como se comportam do valor da arroba (em verde, no eixo vertical à esquerda, R$/@) e o desempenho (em azul, no eixo vertical à direita, kg/cabeça/dia) à medida que se aumenta o teor de energia da dieta.



Figura 1. 
Série de NDT do programa RLM mostrando o comportamento do custo em R$/@ (linha verde, eixo vertical à esquerda) e o desempenho do animal (kg/dia, linha azul, eixo vertical à direita), com as caixas em amarelo mostrando a dieta de menor R$/@ tendo 81,2% de NDT (seta vermelha), com desempenho de 1,53 kg/cabeça/dia e custando R$155,00 por arroba.
Fonte: RLM. Elaborado por Sergio Raposo.

Podemos ver que, com 46,0% de NDT, o ganho é próximo de 100,0 g/cab.dia e o custo da @ vai para R$7.200,00, mas cai rapidamente até atingir R$155,00/@ com 81,2% de NDT, cujo desempenho é de 1,53 kg/dia. Cada uma das dietas entre 46,0% e 83,0% de NDT são dietas de custo mínimo, mas apenas a com 81,2% tem a combinação entre o custo por dia vezes o número de dias para ganhar uma arroba que resultou no valor mínimo em R$/@.

Na figura 2, pode-se ver como a dieta de menor R$/@ e os alimentos que foram selecionados pelo programa. Na verdade, em geral, são feitas algumas opções até chegar na dieta final, pois os primeiros resultados, em geral, sempre tem algo que precisa ser alterado.



Figura 2.
Detalhe da tela do programa RLM no qual foram testados 11 alimentos dos quais cinco foram selecionados para compor a dieta de menor R$/@, que são os indicados pela seta vermelha. Na coluna “Prop % MS” há a inclusão de cada ingrediente, como % da MS. Na coluna “mínimo”, a indicação de haver pelo menos 1,5% da MS como núcleo mineral e, na coluna “máximo”, a casca de soja foi limitada para entrar até 30,0% da MS. Na última coluna, o preço por tonelada de matéria original.

Ração de Lucro Máximo (RLM): https://rlm.app.br/principal
Fonte: RLM. Elaborado por Sergio Raposo.

Temos os alimentos escolhidos, mas será que temos como avaliar se alternativas interessantes tenham ficado de fora por uma margem estreita? Na figura 3, temos a primeira parte da resposta à essa pergunta.



Figura 3. 
Detalhe da tela do programa RLM mostrando os 11 alimentos testados. Na coluna “Prop (MS)” tem a participação de cada ingrediente, como % da MS, nas colunas seguintes, o preço por tonelada de matéria original (Preço MO) e os valores de inclusão e exclusão dos ingredientes. A seta vermelha mostra que a casca de soja deixa de fazer parte da solução à R$1098,94/tonelada, seu preço de exclusão. As setas azuis mostram que a polpa cítrica e a silagem de milho fariam parte da dieta se custassem R$911,00 e R$319,42 por tonelada, respectivamente.

Fonte: RLM. Elaborado por Sergio Raposo.

Essa tela permite que o formulador veja o quão longe o ingrediente está de sair e, principalmente, de entrar na solução, cujos destaques são indicados por setas azuis na Figura 3. Neste caso, se for possível conseguir um desconto de 9,0% na polpa cítrica, essa excelente opção nutricional pode entrar na fórmula. Para a silagem de milho, a diferença é ainda menor, mostrando como é importante ter bem determinado seu custo ou a decisão por usar o custo de oportunidade como seu valor no programa, como comentado anteriormente acima.

Esse recurso é muito útil para dar chance de selecionar os alimentos, especialmente, nessa ideia de tentar redução de preço nesses ingredientes mais próximos de entrarem na solução de menor R$/@. O RLM, todavia, tem uma função ainda mais interessante nesse sentido, que é um gráfico em que a mesma série de NDT mostra a “dança” de entra e sai dos alimentos para cada dieta, como pode ser visto na Figura 4.




Figura 4. 
Detalhe da tela do programa RLM mostrando os alimentos testados alterando sua participação, como % da MS, na série de NDT (na faixa de 67,0% a 83,0%). Nesta faixa aparecem oito alimentos: cinco destacados com seus nomes e dois sem (Núcleo e Ureia).

Fonte: RLM. Elaborado por Sergio Raposo.

Ao poder olhar como é a dinâmica de entrada e saída dos alimentos ao longo da séria do NDT, podemos perceber alguma oportunidade de trocar um ingrediente por outro para que melhore a dieta ou atenda algum outro objetivo. Por exemplo, a solução de menor R$/@ usou apenas o milho grão convencional, mas a dieta com cerca de 83,0% de NDT já usaria uma mistura deste com o milho de grão úmido, sem grande diferença no valor de R$/@. No caso da dieta de ganho máximo de peso seria usado apenas milho grão úmido. Aqui, baseado no julgamento do nutricionista, pode se optar por cada uma dessas opções. Nesta situação, leva-se em consideração uma gama de variáveis e considerações, inclusive, facilidade de aquisição ou na expectativa que a combinação dos ingredientes possa ter um efeito associativo positivo. Dependo da dieta, dos bovinos e dos ingredientes e seus valores (nutricionais e econômicos), a avaliação desta tela pode apresentar ainda mais oportunidades de alterar a dieta.

Concentrados e o efeito associativo

Na formulação assume-se proporcionalidade e aditividade, ou seja, cada ingrediente contribui em função do teor do nutriente e quantidade. Assim, o valor do nutriente da fórmula é a soma da contribuição de cada ingrediente. Nessa premissa, um grama de proteína bruta da polpa cítrica valeria o mesmo que um grama de proteína bruta da ureia, ou um grama de proteína bruta de FDN do BIN, o mesmo que um grama de proteína bruta de FDN da polpa cítrica e assim por diante. Porém, há efeitos associativos positivos, no qual o valor observado é superior ao valor estimado. Isso acontece, por exemplo, no caso de dieta com fontes de gordura (caroço de algodão, “tortas” etc.) que costumam melhorar a eficiência alimentar da dieta.

Milho e polpa cítrica também têm efeitos associativos positivos. A polpa cítrica, por exemplo, possui cerca de 85,0% a 90,0% da energia do milho, mas sua fermentação é baseada em pectina, o que produz menos ácido lático e reduz o desafio ao pH ruminal. Por causa disso, muitos trabalhos mostram que, na dieta, o valor energético da polpa de citrus se equivale à do milho. Esse é um exemplo de efeito associativo que, na frieza dos números, não é levado em consideração pelo programa. 

Outro protagonista crescente, em que acontece também efeito associativo positivo, é o DDGS (grãos de destilaria seco com solúveis). Ele tem alto teor proteico (30,0% a 32,0% de PB) e uma fibra de alta degradabilidade, tendo resultados inclusive superiores quando substitui o milho. Contudo, o pecuarista deve estar atento que o DDGS não tem uma produção muito padronizada entre as usinas e seu valor nutricional pode variar. Apesar das empresas estarem fazendo um bom trabalho e não haver relatos de problemas, a presença de micotoxinas vindo originalmente da plantação de milho (portanto, independente da estocagem) requer manter a vigilância sobre isso.

Uso de resíduos e análises de valor nutritivo recomendadas

Por ser uma dieta que temos controle total, isso favorece o uso de resíduos, o que pode ser uma boa oportunidade para baixar o custo da dieta. Todavia, isso não ocorre sem algum risco. Deve-se avaliar bastante a condição do resíduo antes de comprar, pois como raramente eles são secos, há chance de deterioração e o crescimento de fungos, com risco de ocorrência de micotoxinas. Adicionalmente, resíduos não tem padrão e, portanto, é inescapável mandar amostra para o laboratório. Com as análises de proteína bruta, as fibras em detergente (incluindo as frações nitrogenadas destas), lignina, gordura (extrato etéreo) e cinzas é possível estimar a energia (como NDT) do alimento pela fórmula de Weiss .

Essas mesmas análises devem ser feitas para os volumosos, que variam muito de composição, e de quaisquer outros alimentos dos quais essa característica de variação da composição seja identificada.

Considerações finais

Alguns pontos importantes que ajudam a formular e que, portanto, ajudam a escolher as melhores opções de alimentos:

Ter o valor nutritivo e custo (R$/t) reais dos ingredientes é fundamental para que a formulação no programa possa dar a melhor opção que efetivamente ocorra à campo. 

O custo real do ingrediente deve considerar não apenas o valor da tonelada, mas também o frete, eventuais custos com processamento e as inevitáveis perdas (que devem ser tão menores quanto possível). Pode-se incluir o custo do capital imobilizado na estocagem, mas essa é uma sofisticação que fará mais diferença em operações grandes. 

Quanto mais alimentos participarem da formulação, maiores as chances de conseguir um valor mais baixo de produção de arroba. Apesar disso, deve-se ponderar que dietas com muitos ingredientes podem complicar o operacional, desde a compra, passando pela estocagem, até a rotina de alimentação do confinamento.

Também, quanto menos restrições houver ou quanto mais relaxadas elas estiverem, isso ajuda a obter dietas mais econômicas. Em outras palavras, deve-se restringir nada além do mínimo, porém sendo rigoroso com esse mínimo necessário. Nessa mesma linha, limitar alimentos nutricionalmente é melhor do que limitar a quantidade do alimento. Por exemplo, em vez de limitar o caroço de algodão como no máximo 15,0% da MS, usar o limite nutricional de 6,0% da MS da dieta.

Sempre olhar a dieta como um todo e procurar aproveitar efeitos associativos positivos. Ser capaz de fazer alterações significativas aqui implica em conhecimento, estudo e atualização frequentes e experiência prática.

No final das contas uma formulação tecnicamente realizada tem impacto direto no lucro por arroba produzida e pode ser a diferença entre lucro ou prejuízo.

Link para planilha do Excel: https://www.scotconsultoria.com.br/down/artigos/Planilha_Estimativa_NDT_pela_f%C3%B3rmula_de_Weiss.xls

Sergio Raposo de Medeiros

Engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado pela mesma universidade. É pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste e especialista em nutrição animal com enfoque nos seguintes temas: exigência e eficiência na produção animal, qualidade de produtos animais e soluções tecnológicas para produção sustentável. É membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).

<< Notícia Anterior
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos

Assine nossa newsletter

Loja