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Suplementação animal em pasto nos períodos de meio da estação das chuvas e na transição chuva/seca – Parte 03

Experimento reforça o papel do manejo de pastagem e da suplementação na intensificação da pecuária, com altas taxas de lotação e maior produção por área.


Foto: Freepik

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Dando continuidade à sequência de artigos associando o manejo de pastagens intensificadas com a suplementação animal em pasto com base em resultados de pesquisas conduzidos nos períodos das chuvas e da transição chuva/seca.

Objetivou-se neste experimento avaliar o efeito de diferentes suplementos fornecidos em diferentes níveis de suplementação para bovinos Nelore em pastagens intensificadas de B. brizantha cultivar Marandu (capim-braquiarão) no período de transição chuva/seca sobre o desempenho animal.

O trabalho foi conduzido no período de 1º de fevereiro a 26 de junho, totalizando 145 dias, em condições de bioma Cerrado, em uma área de 3,52 hectares (ha) dividida em quatro módulos de pastoreio, cada módulo com área de 0,88/ha que por sua vez era constituído por dois piquetes de 0,44/ha cada. O método de pastoreio adotado foi o de lotação alternada, com ciclo de pastoreio de 28 dias, com 14 dias de descanso e 14 dias de ocupação por piquete. O método de pastoreio de lotação alternada é caracterizado pelo uso de dois piquetes por lote de bovinos.

Durante o experimento foram avaliados 20 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, sendo cinco animais por tratamento, com idade e peso inicial médios de 12 meses e 247,7 kg, respectivamente.

Os suplementos avaliados foram suplemento mineral, suplemento mineral com o aditivo salinomicina, e suplementos proteico/energético nos níveis de suplementação de 0,1% e 0,3% do peso corporal dos bovinos. Houve um período de adaptação de 15 dias antes do início da coleta dos dados.

Na Tabela 1 estão alguns níveis de garantia dos suplementos fornecidos para os animais durante o período experimental.

Tabela 1. 
Níveis de garantia de alguns elementos dos suplementos fornecidos.

Tratamento PB (%) NNP (%) Ca (%) P (%)
SM     9,0 6,0
SMA     9,0 6,0
PE 0,1% 22 15,0 2,0 1,5
PE 0,3% 20 12,5 2,0 0,7
Tratamento Monensina (mg) Salinomicina (mg) S. cerevisiae
SM   0  
SMA   1.000  
PE 0,1% 400   1,5x1010
PE 0,3% 200   1,5x1010

SM: suplemento mineral; SMA: suplemento mineral com aditivo; PE: suplemento proteico/energético; PB: proteína bruta; NNP: nitrogênio não proteico equivalente proteico; Ca: cálcio; P: fósforo; S. cerevisiae: Saccharomyces cerevisiae.
Fonte: ADAD; AGUIAR, 2019.

Durante o experimento os bovinos foram pesados mensalmente, após um período de jejum de sólidos por 14 horas. Após cada pesagem os lotes foram trocados ao acaso de módulo de pastoreio para minimizar os efeitos das particularidades de cada módulo (faixas de classes de solos, disponibilidade e qualidade de forragem etc.).

Foram realizadas mensurações de crescimento e produção de forragem, antes e após cada pastejo durante todo o período experimental, utilizando a técnica da dupla amostragem: direta, por meio do corte e pesagem da massa de forragem; e indireta, por meio da medida da altura do pasto (Tabela 2).

Tabela 2.  
Parâmetros da produção de forragem pela pastagem usados nos cálculos de oferta de forragem e taxa de lotação.

Tratamento TL
(UA/ha)
Altura 1
(cm)
Altura 2
(cm)
MF pré
(kg MS/ha)
MF pós
(kg MS/ha)
SM 3,45 19,2 14,2 2.405 1.840
SMA 3,73 19,1 17,3 2.105 1.679
PE 0.1% 3,94 17,6 14,2 2.404 1.416
PE 0.3% 3,84 15,8 13,9 2.369 1.613
Média 3,74 17,9 14,9 2.320 1.637

SM: suplemento mineral; SMA: suplemento mineral com aditivo; PE: suplemento proteico/energético; TL (UA/ha): taxa de lotação em unidades animais por hectare; Altura 1: altura média do pasto no pré-pastejo; Altura 2: altura média do pasto no pós-pastejo; MF pré: massa de forragem pré-pastejo em kg de matéria seca por hectare; MF pós: massa de forragem pós-pastejo em kg de matéria seca por hectare.
Fonte: ADAD; AGUIAR, 2019.

Não houve diferença estatística para os parâmetros de produção do pasto avaliados durante o experimento.

Na Tabela 3 estão os resultados alcançados em desempenho animal e em produtividade por área durante este experimento para os parâmetros avaliados.

Tabela 3. 
Pesos corporais inicial, final e médio, desempenho animal e produtividade da pastagem em resposta aos diferentes tipos e níveis de suplementação.

Parâmetro SM SMA PE 0,1% PE 0,3%
PCI (kg) 234,7a 251,4a 263a 253,5a
PCF (kg) 312,8a 340,4b 362b 356,2b
PCM (kg) 273,7 295,9 312,5 304,8
GMD (kg/cabeça/dia) 0,538a 0,614b 0,682b 0,708b
Diferença no GMD - + 0,076 + 0,144 + 0,170
Produtividade (@/ha) 14,79 16,85 18,75 19,4

PCI: peso corporal inicial; PCF: peso corporal final; PCM: peso corporal médio; GMD: ganho médio diário; SM: suplemento mineral; SMA: suplemento mineral com aditivo; PE: suplemento proteico/energético.
Fonte: ADAD; AGUIAR, 2019.

Concluiu-se que no período e nas condições de avaliação deste experimento não houve diferença estatística para o peso corporal inicial, mas houve diferenças significativas para peso corporal final e o GMD.  Os bovinos suplementados com SMA e PE 0,1% e 0,3% chegaram ao final do experimento mais pesados que os bovinos suplementados com SM em função dos maiores GMD. Entretanto, não houve diferenças significativas para os pesos final e o GMD entre os bovinos suplementados com SMA e PE 0,1% e 0,3%.

Mais uma vez a combinação do manejo intensivo da pastagem, por meio de correto manejo do pastoreio (alturas pré e pós-pastejo, taxa de lotação ajustada à capacidade de suporte), manejo e controle de insetos pragas e plantas daninhas, correção e adubação do solo para metas especificas, possibilitou neste experimento alcançar taxas de lotação de 5,0 cabeças/ha e 3,74 UA/ha, e a correta suplementação, de fato, suplementando deficiências deixadas pela forragem, resultaram em produtividades por área de 14,79/@, 16,85/@, 18,75/@ e 19,4/@ de peso corporal por hectare, para os tratamentos SM, SMA, 0,1% e 0,3%, respectivamente, em apenas 145 dias e um detalhe, no período de transição chuva/seca. São produtividades 3,7 a 4,85 vezes maiores que a produtividade média nacional que não passa de 4 @/ha/ano.

Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.

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