• Sexta-feira, 12 de junho de 2026
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Exportação de couro aumenta, mas faturamento cai

O embarque é o maior volume da série histórica considerando os primeiros quinquemestres, mas o faturamento caiu.


Foto: Shutterstock

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A exportação de couro foi recorde no fechamento de maio de 2026, com embarque de 274,8 mil toneladas.

Figura 1.
Exportação nos primeiros cinco meses, de 1997 até 2026, em mil toneladas, de peles e couros.

Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria

Porém o faturamento vem caindo. No primeiro quinquemestre de 2026, o faturamento foi de US$450,8 milhões, queda de 7,8% na comparação com o mesmo período de 2025, e de 17,7% ante 2024.

Figura 2.
Volume exportado de peles e couros, em mil toneladas, e faturamento [PG2] (US$ milhões), nos primeiros cinco meses de 2020 a 2026.

Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria

A queda do faturamento, mesmo com exportação recorde, se deu pela diferença da participação dos tipos de couro no volume exportado.

O couro é classificado em grupos que diferem o grau de processamento.

O salgado é a pele bovina bruta, conservada com sal após o abate, sem processamento químico.

O wet blue vem na sequência, após o curtimento com sulfato de cromo trivalente. É o tipo mais negociado internacionalmente, pela sua estabilidade e facilidade de transporte.

O crust, ou semiacabado, passa por recurtimento, secagem e tingimento, mas ainda sem acabamento.

O couro acabado é o produto pronto para ser usado na confecção.

Por fim estão as aparas, retalhos e recortes de diversos tipos de processamento, gerados ao longo do processo, incluindo os couros reconstituídos.

Participação na exportação e cotação em maio

O wet blue manteve a liderança até maio, respondendo por 67,5% do volume embarcado. A participação caiu 3,2 pontos percentuais em relação a 2025, com o volume exportado caindo de 187,4 para 185,0 mil toneladas. Representou 38,4% do faturamento e foi negociado, na média de maio, por US$0,98/kg.

O couro salgado avançou 3,4 pontos percentuais, perfazendo 23,3% da exportação e respondeu por 7,2% da receita, com preço médio de US$0,50/kg.

O couro acabado representou 6,2% do volume embarcado, queda de 1,4 ponto percentual frente a 2025, caindo de 20,1 para 16,9 mil toneladas. O volume exportado gerou US$194,2 milhões, US$43,7 milhões a menos em relação a 2025. O faturamento correspondeu a 43,4% da receita com a exportação, com preço médio de US$11,55/kg.

O crust respondeu por 2,0% do embarcado, alta de 0,2 ponto percentual na comparação feita ano a ano. Foi responsável por 10,8% do faturamento da exportação, sendo negociada por US$9,10/kg.

Por fim, as aparas, cuja participação foi de 1,1% do volume embarcado, cresceu de 1,0 ponto percentual em relação a 2025 ou 0,2% do faturamento, com preço médio de US$0,58/kg.

Figura 3.
Volume exportado (eixo da esquerda) de peles e couros, em mil toneladas e faturamento anual (eixo da direita), em milhões de dólares, por tipo de couro, nas exportações de janeiro a maio de 2025 e 2026.

Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria

Neste contexto, a diminuição da participação do couro acabado e do wet blue, provocou a queda do faturamento, trazendo o cenário de volume recorde, mas com menor faturamento

Fábio Takaku

Zootecnista graduado pela UFG, Goiânia-GO. Atua na área de ciências agrárias, análise e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado de carne, reposição do rebanho e aquicultura e analista de mercado da Scot Consultoria

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