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Scot Consultoria

Guerra na Europa e o adubo


Segunda-feira, 18 de abril de 2022 - 10h00

Alcides Torres é engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo, é diretor-fundador da Scot Consultoria. É analista e consultor de mercado, com atuação nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos e insumos agropecuários. É palestrante, facilitador e moderador de eventos conectados ao agronegócio. Membro de Conselho Consultivo de empresas do setor e coordenador das ações gerais da Scot Consultoria.

Eduardo Abe é zootecnista pela Faculdades Associadas de Uberaba - FAZU, em Uberaba - MG. É analista de mercado da Scot Consultoria.


Foto: Envato


Artigo originalmente publicado no Broadcast Agro, da Agência Estado, em 11/4/2022.


A primeira consequência da guerra russo-ucraniana foi toda uma série de aumento de custos, que aliás, já vinham subindo em função da pandemia de covid-19.


Entre eles, o do adubo, o fertilizante do solo, fundamental para o cultivo em solos tropicais. Sem fertilizante a produção nos trópicos despenca.


O Brasil importa 85% do fertilizante que consome, sendo 23% dele importado da Rússia.


A guerra lá, nos afeta aqui. 


Considerando os últimos cinco anos, em função da tremenda expansão da agricultura brasileira, a taxa de importação de adubo cresceu 7,3% ao ano.


E a produção nacional de adubo?


A produção, nesse mesmo período, caiu 8% ao ano.


Foi sempre assim?


Não, não foi sempre assim, mas nunca o Brasil foi autossuficiente.


Na década de 90, estima-se que metade do adubo consumido pela agricultura brasileira era produzido internamente.


O que mudou de lá para cá?


Foram vários os motivos, dentre eles o preço do adubo importado, menor do que o produzido internamente, talvez em função das políticas fiscais, como por exemplo, a isenção da tributação do importado e da taxação do nacional.


E a área explorada aumentou.


O que fazer?


Talvez, apesar do apelo do mercado, fosse interessante o Brasil ter uma política de segurança alimentar que incentivasse a produção nacional de fertilizantes, diante da demanda crescente e projeção do consumo futuro.


Pode piorar?


Por fim, para agravar o quadro, motivados pela pandemia e pelo conflito, países que dependem da importação passaram a estocar o produto, diminuindo a oferta global e consequentemente fazendo com que os preços subissem.


Com a expansão da agricultura, notadamente a agricultura racional e tecnológica e o consumo de fertilizantes aumentou. Produzir mais significa consumir mais adubo. 


Estamos fritos, então?


O quadro é preocupante. Certamente não faltará adubo, mas o preço subirá. Já subiu. 


O custo de produção aumentou, a comida ficou cara, teremos mais fome, no mundo e no Brasil. Ações para amenizar esse quadro, tais como auxílios emergenciais, deixarão de ser uma opção para ser uma necessidade.


O boicote econômico e as sanções financeiras à Rússia certamente não facilitarão o quadro para o Brasil. Se isso perdurar, a corrida será encontrar outros países produtores de adubo.



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