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Scot Consultoria

Ou vai ou racha


Sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 - 09h20

por Leandro Bovo

Médico veterinário, pós-graduado pela ESPM, MBA em finanças pelo Insper-SP e sócio diretor da Radar Investimentos


Foto: Scot Consultoria


A queda de braço no mercado físico se intensificou na última semana e o fluxo de negócios, que já era pequeno, diminuiu ainda mais. Com a resistência das indústrias em pagar mais pelo boi e o pecuarista sem o menor interesse em negociar nos preços propostos pela indústria, as escalas vieram diminuindo e chegaram a níveis críticos, como pode ser observado na figura 1.


Figura 1.
Escalas de abate médias.

Fonte: Radar Investimentos


Também podemos observar na figura 1 que em nenhum momento da série histórica essa situação crítica perdurou por períodos maiores do que alguns dias, já que o altíssimo custo fixo das indústrias não permite a diminuição dos abates por prazos maiores. Quando a baixa oferta não permite que ocorram recuos nos preços do boi gordo, muitas vezes é melhor sacrificar as margens e diminuir a ociosidade do que preservar as margens com alto nível de ociosidade. Essa situação é sintetizada na velha frase conhecida de todos da indústria que “tem hora que boi é boi e carne é carne”.


Com a reposição em níveis caríssimos e a boa capacidade de suporte das pastagens, fica difícil enxergar algum gatilho que traga o pecuarista para a mesa de negociação nos níveis propostos pela indústria. A decisão de todo mundo que não tem compromisso financeiro a vencer e não precisa fazer caixa de imediato é manter os animais em engorda e esperar por preços melhores.


Ao mesmo tempo, aparentemente o pior momento de consumo, tanto no mercado interno como no mercado externo, vai ficando para trás. Janeiro historicamente é o pior mês de consumo no mercado interno e nesse ano o feriado prolongado do ano novo chinês também ajudou a diminuir o ritmo de negócios na exportação. O agravamento da situação da China com relação ao coronavírus, apesar de poder causar alguma desaceleração econômica, tende a ser positivo para as exportações de proteína animal, já que as medidas tomadas pelo governo para informar a população sobre os riscos do consumo de carnes exóticas sem nenhuma inspeção ou higiene tendem a agravar o já enorme déficit de proteínas naquele país. Além disso, a taxa de câmbio melhorou muito para os exportadores, com o dólar se aproximando de R$4,30, aumentando a competitividade de nossas exportações.


Em resumo, tudo leva a crer que essa disputa entre indústria e pecuarista deve ter um fim nos próximos dias. A julgar pelo movimento de alta do mercado futuro no pregão de 30/1 o pecuarista deve ganhar a briga. A conferir.





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