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Scot Consultoria

A busca pela maximização do uso da terra


Quinta-feira, 24 de outubro de 2019 - 10h00

por William Marchió

Médico veterinário pela UNESP – campus de Jaboticabal, especialização em produção animal pela UFLA e atual Diretor Executivo na Rede de Fomento à Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF - Embrapa).


Foto: Scot Consultoria


“Luz do sol

Que a folha traga e traduz
Em verde novo....”


6CO2(g) + 6H2O(l) + luz solar C6H12O6(aq) + 6O2(g)


Estamos falando da fotossíntese, esta maravilhosa reação que pode salvar o planeta e que o produtor brasileiro pode e deve utiliza-la intensamente.


Fazer nossos campos vegetarem é a ação mais importante que um agropecuarista deverá fazer para aumentar os teores de matéria orgânica nos solos e fixar o carbono captado pelas plantas, sejam estas culturas de grãos, pastagens ou florestas.


Fazer safra de raiz, safra de palha, manter um ambiente fotossinteticamente ativo é o que poderá converter ambientes degradados em ambientes produtivos e com isso mitigar as emissões de gases de efeito estufa, diminuir a pressão sobre ambientes frágeis como a Amazônia, buscar a intensificação sustentável de nossa agropecuária.



Foto esquerda: Raízes de braquiária em um sistema integrado, chegando a mais de 5m de profundidade, intenso depósito de matéria orgânica no solo. Foto direita: intensa produção de palha em sistema de integração lavoura pecuária.


Primeiro de tudo, porque estes ambientes dão mais dinheiro ao produtor, são capazes de gerar emprego e renda.


A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta busca esta maximização do uso da terra, porém de forma sustentável, de modo que haja sinergia entre os diferentes componentes do sistema produtivo.


O que tem feito um crescente número de produtores a buscarem estes modelos integrados de produção é o fato de que são sistemas mais rentáveis que os sistemas tradicionais, são mais produtivos, são mais resilientes às mudanças do clima e conseguem gerar valor em solos muito desafiadores,  como é o caso dos solos arenosos. Hoje é possível se ter altas produtividades de grãos e pecuária em solos com teores de argila menores que 10%, antes era uma heresia falar em produzir em solos com estes baixos teores de argila.


Desta forma, áreas de baixo valor econômico acabam sendo transformadas pela integração e passam a ter grande valorização, mais um fato que tem colaborado para a adoção destes sistemas integrados.


E como fazer?


A adoção de tecnologia por parte do produtor rural passa por uma série de circunstâncias, a primeira que tem surtido bons efeitos, chamamos de “adoção por inveja”, quando este produtor tem um vizinho ou visita um dia de campo e acaba ficando com uma grande “dor de cotovelo” e passa a adotar a tecnologia, ver seu vizinho melhorando de vida com os frutos de um sistema produtivo, tem bons efeitos na mudança comportamental destes produtores.


Porém isso não tem sido suficiente. Uma grande lacuna que temos hoje em todo o nosso país é a deterioração das chamadas ATERs ( Agencias de Assistência Técnica Rural), estas agencias como a EMATER, a CATI entre outras, realizavam um fantástico trabalho de extensão rural, levando tecnologia e fornecendo assistência técnica a pequenos e médios agropecuaristas.


Estes agentes tinham como ferramentas o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa como a Embrapa, universidades, agências de pesquisas estaduais, entre outras.


Levavam isso ao produtor e principalmente, vivenciavam com ele a implantação.


Me lembro como hoje o saudoso amigo José Geraldo da Emater no município de Orizona que com certeza foi grande responsável por tornar aquela região de Goiás uma grande bacia leiteira.


Hoje, já não temos mais estes Josés, esta lacuna tem sido preenchida por empresas privadas que nem sempre estão imbuídas da bandeira de melhorar a vida deste produtor, muitas vezes estão a empurrar uma tecnologia mais rentável para a empresa representada por este técnico.


Enfim, são outros tempos. Temos que produzir “gente”, formar agentes de campo com conhecimento da tecnologia e principalmente com conhecimento de relações humanas, não bastará conhecer a tecnologia, teremos que ter pessoas que saibam lidar com pessoas, saibam princípios básicos de amizade, confiança, respeito e que isso possa gerar uma relação capaz de credibilidade.  Com isso a adoção de tecnologia passa a ser facilitada.


Outro desafio que temos que lidar: quais tecnologias nós temos, onde estão todos estes trabalhos científicos, quem é detentor deste conhecimento todo que é gerado anualmente por estas milhares de instituições e universidades. Um enorme repositório de fácil acesso, um “Big Data” capaz de com uma palavra chave resgatar todas as pesquisas geradas sobre um assunto. Enfim, atualmente este conhecimento está disperso em um mar de gavetas, artigos, arquivos, entre outros locais.


Será uma de nossas metas, buscar organizar estes repositórios de informações, organizar capacitações eficientes de profissionais do campo, compreender melhor as novas ferramentas de aprendizado, aplicação de novas técnicas de difusão de tecnologia, os “You-Tubes” que atualmente são capazes de percorrer o mundo ensinando coisas boas e ruins a qualquer ser humano que tenha acesso à internet.


O bom disso tudo é que vivemos um momento propício, o produtor brasileiro nunca foi tão pressionado pela mídia nacional e internacional como agora. Este produtor está sendo cobrado para preservar, para produzir para se responsabilizar pela utilização de defensivos agrícolas, pelo simples fato de existir. Nosso Agronegócio incomoda muita gente, seja pela eficiência, pela competitividade, pela capacidade de expansão lícita.


Porém, este produtor nacional dominou a agropecuária tropical como ninguém no mundo, a nossa capacidade de resposta a estas demandas é muito rápida e eficaz. Costumo dizer, “ a árvore que dá bons frutos é a que mais tomará pedradas”.


Produzir e preservar é conosco mesmo.


Agora é aprender a se comunicar melhor com os nossos consumidores, gerar confiança, gerar empatia com o nosso urbanoide deveras alienado.



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