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O Boi Bom, o Mau, o Feio e o Boi Qualitas - parte 2


Sexta-feira, 28 de setembro de 2018 - 12h00

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por Leonardo Souza

Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.



Introdução


Infelizmente, no caso do filme, The Good, the Bad & the Ugly (O Bom, o Mau e o Feio) não houve uma continuação, mas em nossa história sentimos a obrigação de continuar o texto que escrevemos em fevereiro de 2018. Para quem não o leu, veja aqui


A história continua.


A nossa história continua na mesma fazenda Mata Verde, pertencente à família Michels em Terra Nova do Norte, MT, e que é parceira do Nelore Qualitas desde 2010. Agradeço e parabenizo novamente a família Michels, uma referência de negócio com foco no lucro.


No primeiro texto fizemos a analogia entre diferentes tipos de bois e os protagonistas do filme. Agora continuaremos a analogia não somente com quatro bois, mas sim com grupos de bois que representam cada um dos protagonistas. Portanto, eles agora retornaram em bandos! E isso é muito importante pois representa o que realmente acontece nas fazendas.


Outra diferença desta parte 2 é que conseguimos enxergar com clareza o que diferencia os nossos protagonistas e o impacto disso no que mais importa, que é o lucro por boi engordado. E isso só foi possível graças ao excelente nível de controle da fazenda Mata Verde.

Os Bois Qualitas e os Bois Bons e os Bois Maus Bois Feios.


Os nossos quatro grupos de bois nasceram em setembro de 2016, os Bois Qualitas e os Bois Bons foram produzidos na Mata Verde e os Bois Maus e Feios foram comprados em abril e maio de 2017, mesma época em que os da Mata Verde foram desmamados. Assim, desde a desmama até o abate em agosto de 2018, foram criados nas mesmas condições, seguindo o seguinte protocolo nutricional fornecido pela Fortuna Nutrição Animal:


- Do nascimento até a desmama: pasto + sal mineral (sem creep-feeding);


- Da desmama até setembro de 2017: pasto + suplemento proteico com consumo de 0,1% do peso vivo;


- De outubro de 2017 a março de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 0,5% do peso vivo;


- De 28 de abril a 14 maio de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1,3% do peso vivo;


- De 15 de maio a 18 de julho de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1,7% do peso vivo;


- De 18 de julho a 5 de agosto de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 2,0% do peso vivo;


Na figura 1 estão as curvas de crescimento dos quatro grupos de bois que representam os nossos protagonistas.


Figura 1.
Curva de crescimento de bois nascidos em 2016 - setembro de 2017 a agosto de 2018
Foto: Scot Consultoria


Os Bois Bons são todos animais nascidos na Mata Verde (total de 514) com exceção de 71 machos que foram certificados como touros pelo Qualitas e não estão nesta conta, mas que, pelos critérios da seleção, seriam os melhores bois do rebanho. 


Os Bois Qualitas são um grupo de 69 machos também nascidos na Mata Verde e criados juntos até o abate, sendo o lote de melhor desempenho da fazenda. Os Bois Maus e Feios são dois grupos de 69 e 68 bezerros comprados pela Mata Verde e também criados juntos nas mesmas condições que os nascidos na fazenda.


O gráfico mostra que, da desmama em maio, até setembro de 2017, os Bois Qualitas ganharam muito mais peso nas mesmas condições que os demais.


As diferenças de peso dos bezerros só aumentaram à medida que os animais foram crescendo – “os bão ficaram mió e os pió não arribaram” no nosso faroeste caipira.


Tabela 1.
Desempenho na recria e suplementação de machos da fazenda Mata Verde de setembro de 2017 a abril de 2018.


Tabela 2.
Apresentamos o desempenho de maio a agosto de 2018.


A melhor genética faz a diferença.


Nesta segunda parte do nosso faroeste conseguimos decifrar o que realmente diferencia nossos protagonistas. O maior ganho de peso aumenta com a eficiência dos animais de melhor genética, pois sua conversão alimentar tanto em pasto, mas, principalmente, de suplemento ficou confirmado (tabela 2).


Talvez, essa melhor eficiência seja resultado de nove anos de avaliação para eficiência alimentar realizados no Qualitas, identificando os touros eficientes e multiplicando essa genética através do sêmen.


Informamos que o rendimento de carcaça não pode ser individualizado sendo que a média de todos os animais que foram abatidos em dois dias consecutivos, no mesmo frigorífico, foi de 55,3%.


Os resultados reafirmam que não vale a pena tratar de boi ruim. E isso se confirma nos dados exposto na tabela 3.


Tabela 3.
Resultados financeiros dos bois da Faz. Mata Verde


Os preços de custo de produção dos bezerros da fazenda Mata Verde foram de R$ 1.049,02 para os Bois Qualitas e Bons, calculados pela Inttegra-Geagro. E R$ 1.106,94 foi o preço incluindo frete e comissões pagos para os bezerros comprados pela fazenda. O custeio no período é formado pelo custo por cabeça/dia de R$27,22 (também calculado pela Inttegra-Geagro) mais a suplementação diária fornecida aos animais após a desmama até o abate. O preço de venda foi de R$130,00 por arroba.

Epílogo
 


As informações tabeladas permitem relembrar as analogias ao filme que fizemos na parte 1.


Os Bois Feios, são aqueles bandidos que só pensam em passar a perna no fazendeiro, pois se considerarmos o custo do capital investido eles roubam o lucro dos outros bois.


Os Bois Maus são aqueles que, apesar de apresentarem lucro, deixam aquele desconforto no pecuarista, pois depois de tanto trabalho o resultado foi medíocre.


A reflexão agora na parte 2 é a seguinte: “Não vale a pena tratar de boi ruim”.


Já os Bois Bons que representam toda a boiada da fazenda Mata Verde apresentaram um resultado positivo, mas...os Bois Qualitas, esses é que devem ser a meta de todo pecuarista. Eles representam a verdade por trás do conceito do Boi 777 desenvolvido pelos pesquisadores da APTA de Colina. E não só a Mata Verde mas todos que participam do Qualitas buscam, por meio do melhoramento genético, aumentar a cada ano o percentual destes animais em seu rebanho.


A meta é atingir R$600,00 de lucro por boi engordado com abate até os 20 meses de idade.


Ano que vem voltaremos a contar a história da Mata Verde e, com certeza, com resultados melhores. E já fazendo um “spoiler”, termo utilizado pelos jovens que significa falar o que acontece no filme antes da pessoa assistir: os bezerros da fazenda Mata Verde já estão em setembro com 274 kg aos 12 meses. É família Michels, acho que a boiada 2019 será de 20@ com 20 meses.


E na sua fazenda, serão quantas arrobas em quantos meses? E, mais importante, qual será o lucro por boi engordado?


Grande abraço e inté!


Texto em coautoria com:


Nilson Michels


Sócio proprietário da Faz. Mata Verde


Rafael Souza Almodóvar


Daniel Mendonça de Meneses


Técnicos comercias da Fortuna Nutrição Animal

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