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Scot Consultoria

IPCA de novembro/16 desacelera para 0,18%, demonstrando possibilidade da inflação encerrar o ano abaixo do teto de flutuação da meta


Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016 - 15h35

Parallaxis Consultoria - informações sob indicadores econômicos em geral.



O IPCA de novembro/16 registrou inflação mensal de 0,18%, desacelerando ante o mês de outubro/16, quando havia apresentado variação de 0,26%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 7,88% em outubro, para 6,99% neste mês, e também ficando bem abaixo do mesmo mês de 2015 (1,01%), configurando o menor resultado para o mês desde 1998. Em relação à nossa expectativa (projeção Parallaxis: 0,27%) o resultado veio abaixo, surpreendendo positivamente ao passo que a mediana do mercado, publicado pelo AE-Broadcast, era de 0,27%. O resultado foi inferior ao que antecipávamos, dado que esperávamos uma estabilidade dos preços no grupo Alimentação e Bebidas e uma inflação superior do grupo Transportes.



Em relação ao mês anterior, entre os 9 grupos que compõem o indicador, 2 demonstraram deflação mais intensa (Alimentação e Bebidas e Artigos de Residência), 3 desaceleraram a inflação (Habitação, Vestuário e Transportes) e 4 aceleraram (Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais, Educação e Comunicação).



Analisando por ordem de importância na composição do resultado, com impactos positivos: Saúde e Cuidados Pessoais (0,07 p.p. de impacto), Transporte (0,05 p.p.), Despesas Pessoais (0,05 p.p.) e Habitação (0,05 p.p.). No sentido oposto, com impacto negativo na taxa: Alimentação e Bebidas (-0,05 p.p.) e Artigos de Residência ( -0,01 p.p.).


Na análise por itens e subitens, no grupo Alimentação e Bebidas muitos itens apresentaram deflação e foram determinantes para o grupo deflacionar. Destacamos os seguintes itens: feijão carioca (-17,52%), tomate (-15,15%) e batata inglesa (-8,28%). Ainda em Alimentos, porém, no sentido oposto, alguns itens subiram seus preços: cebola (6,09%), farinha de mandioca (4,26%), pescado (3,47%), dentre outros. Em Artigos de Residência, os itens que se destacaram foram eletrodomésticos (-0,92%) e aparelhos de TV, som e informática (-0,92%).


No sentido oposto, entre os itens que aceleraram, no grupo Saúde, destacou-se plano de saúde (1,07%). No grupo Despesas pessoais, o destaque ficou por conta de empregado doméstico (0,87%). Em Habitação, o item de maior impacto foi Tarifa de Energia Elétrica (0,30%).


Por sua vez, em Transportes, a Gasolina recuou 0,43% (em função do reajuste autorizado pela Petrobras), e o etanol subiu 4,71%. No mesmo grupo, outro destaque ficou por conta do item Multas, com alta de 47,82%.



O IPCA desacelerou ante outubro, influenciado principalmente pela deflação do grupo Alimentos e a inflação mais branda de Transportes, além da desaceleração generalizada dos itens. A expectativa é que, mesmo com aumento de combustíveis em dezembro, teremos uma inflação bem abaixo dos padrões históricos para o período. Para tal, nossa projeção preliminar para o IPCA de dezembro/16 é de 0,45%. Tal resultado se confirmado, levará a inflação 2016 para baixo do teto (6,50%) da banda de flutuação, encerrando em 6,45%.


Devido aos desdobramentos mais recentes da conjuntura política, o qual acreditávamos que poderia “forçar” o BC/COPOM manter o ritmo de corte em 25 p.b., acreditamos que agora não faz mais sentido a manutenção deste ritmo e sim de aceleração na redução dos juros. De tal sorte, esperamos que o COPOM eleve o ritmo de corte para 0,50 p.p. na primeira reunião de 2017 à luz destes desdobramentos recentes. Com bastante espaço para corte, esperamos que a Selic encerre 2017 em 10,50% a.a.. Destacamos que o aumento no ritmo do corte dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado. 


O baixo nível de atividade, confirmada pela piora dos indicadores de atividade, a distensão do mercado de trabalho e a queda dos salários reais, juntamente com o recuo dos preços de alimentos, já estão exercendo pressão deflacionária significante no curto e médio prazo. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda. Aproveitamos o momento para revisar nossas expectativas de inflação de 2016, 6,6% para 6,4% e em 2017 de 4,6% para 4,4% em 2017.



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