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Scot Consultoria

Quedas nos preços do látex podem diminuir o ritmo de crescimento da produção de seringueira no país


Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 - 17h48

por Alcides Torres

Engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo, é diretor-fundador da Scot Consultoria. É analista e consultor de mercado, com atuação nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos e insumos agropecuários. É palestrante, facilitador e moderador de eventos conectados ao agronegócio. Membro de Conselho Consultivo de empresas do setor e coordenador das ações gerais da Scot Consultoria.


Artigo originalmente publicado na Revista Agroanalysis


A área com seringueiras está em crescimento no Brasil. Desde 2005, cresceu a uma taxa média de 13,5% ao ano.


Para uma comparação, a área de soja cresceu, em média, 4,7% ao ano neste período, sendo uma das culturas com maior expansão em área.


A Scot Consultoria estima em 212,05 mil hectares a área com seringueira em 2014.


Esta estimativa foi feita com base nos dados históricos da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Veja a Figura 1.


Figura 1.
Área plantada com seringueira no Brasil, em mil hectares.



* estimativa


Fonte: IBGE / CI Florestas / Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


O estado de São Paulo é o principal produtor nacional, com 37,9% da área ou aproximadamente 80 mil hectares.


Na sequência aparece a Bahia, com 23,7% da área, e o Mato Grosso, com 16,9% do total. Espirito Santo, Minas Gerais e Goiás também são importantes produtores de látex e juntos respondem por 14,7% da área com seringueira no país.


Figura 2.
Estimativa da participação dos estados na área plantada com seringueira no Brasil em 2014.



Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


A expansão da área se deu em função da alta de preços do látex no mercado brasileiro, em especial a partir de meados 2011.


Naquela oportunidade, os preços médios do coágulo chegaram próximos de R$3,30 por quilo, com picos de até R$ 3,60/kg. Veja a figura 3.


Figura 3.
Preços médios mensais do coágulo (látex) pagos ao produtor, em R$ por quilo.



Fonte: ABAPOR / Compilados pela Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


O principal motivo da valorização foi o aumento da demanda interna com o forte crescimento da indústria automobilística. Noventa e cinco por cento da produção brasileira de látex são destinados à fabricação de pneus.


Como o Brasil produz apenas um terço da borracha que consome, a matéria prima é importada, principalmente da Ásia. Por isso, o mercado nacional é baseado nos preços internacionais, que atingiram naquele ano um nível recorde e estimularam o crescimento da atividade.


Lá fora, a tonelada da borracha, que em fevereiro de 2010 valia cerca de três mil dólares, chegou a cinco mil dólares em meados de 2011.


Cenário atual


O cenário atual está bem diferente do verificado há dois ou três anos, com quedas de preços do coágulo ou látex, que está cotado abaixo de R$1,70 por quilo em São Paulo.


O preço começou a cair neste ano. Entre março e junho passou de R$2,30 para R$1,70 por quilo.


A queda aconteceu por causa do aumento da produção de látex nos países do Sudeste asiático. A maior oferta internacional derrubou os preços no mercado internacional para valores próximos de US$3,0 mil por tonelada, ou seja, patamares próximos de antes da alta em 2011.


No mercado brasileiro, o preço médio na primeira quinzena de novembro foi de R$1,60 por quilo em São Paulo.


Este é o preço referência para o produto com DRC ou TBS de 53%. Teor de Borracha Seca (TBS) ou, em inglês, Dry Rubber Content (DRC), como o próprio nome diz indica o teor de borracha no látex.


O valor padrão do mercado é o 53%. Caso a borracha contenha mais ou menos água o valor pode subir ou descer. Isto significa que quanto mais seca a borracha maior o DRC e vice-versa.


Na figura 4, os preços do látex em São Paulo desde novembro do ano passado. A queda é de 32,7% no período analisado.


 


Figura 4.
Preços médios mensais do coágulo (látex) DRC 53% pagos ao produtor em 2014, em R$ por quilo.



Fonte: ABAPOR / Compilados pela Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


O resultado direto disso é a queda no resultado econômico da atividade e também a diminuição da mão de obra no campo.


Com os preços baixos, os produtores têm dificuldade para contratar mão de obra. Isso porque o seringueiro ou "parceiro" recebe comissão pela produtividade.


Resultados econômicos



Atualmente os custos de produção variam entre R$1,15 e R$1,95 por quilo, dependendo da região, do sistema de produção e do tipo de mão de obra.


Considerando um valor médio de R$1,55 por quilo de látex, temos um custo de produção muito próximo do preço de venda.


A seguir, uma estimativa de rentabilidade considerando dois cenários de preços para o látex em São Paulo: o primeiro, considerando os preços antes das quedas, de R$2,30 por quilo, e o outro mais atual, com o produto cotado em R$1,60 por quilo.


A produtividade média considerada foi de oito quilos de látex por árvore. Foram consideradas 500 árvores por hectare.


 


Tabela 1.


Estimativa do resultado econômico da produção de látex em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br



No primeiro cenário, ou seja, com a venda do látex a R$1,60 o quilo, o lucro por hectare foi de R$200,00, frente aos R$3 mil quando o quilo do látex custava R$2,30.


O lucro médio por hectare caiu 93,3% em novembro, em relação a março último.


Considerações finais


A expectativa em curto e médio prazos é de que os preços do látex se mantenham pressionados negativamente, devido ao forte aumento da oferta no mercado mundial. Alguns agentes-chave estimam em R$1,50 por quilo de látex em São Paulo e região Centro-Oeste para os próximos meses.


O dólar valorizado em relação ao real, porém, pode ser um fator de sustentação das cotações, considerando que uma parcela do produto é importado e os preços no mercado internacional possuem relação direta com as cotações no mercado brasileiro.


As dificuldades enfrentadas pelos seringueiros nos últimos meses levaram a algumas movimentações no setor, como a criação da Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor).


Por meio da Abrabor, os produtores fazem solicitações para que o setor ganhe fôlego e não desanime aqueles que já investiram na cultura. É preciso considerar que uma seringueira leva, em média, sete anos para estar em ponto de produção.


As principais sugestões apresentadas até então foram: a criação de uma taxa de equalização sobre o produto importado para garantir a manutenção de um preço mínimo (R$2,00 por quilo de látex) e o aumento da alíquota do imposto de importação (TEC - Tarifa Externa Comum) de 4,0% para 35,0%.


As propostas estão sendo analisadas em Brasília por ministérios como o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); do Desenvolvimento Agrário (MDA); do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); da Fazenda (MF) e pela Casa Civil.


No Mato Grosso, por exemplo, os produtores reativaram a Associação dos Heveicultores do Estado de Mato Grosso (Ahevea-MT), o que demonstra a forte preocupação com relação ao setor, não só com relação ao preço, mas dificuldades para encontrar mão de obra para a atividade.


Além da questão econômica, tem o lado social, já que a seringueira é uma cultura perene, que exige colheita manual. Com isso, a heveicultura colabora com a fixação do homem no campo através da geração de emprego e renda.



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